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É falso que FDA alertou que vacinas contra Covid-19 podem causar infarto

Por Luiz Fernando Menezes

15 de dezembro de 2020, 14h13

Não é verdade que a FDA (Food and Drug Administration, órgão regulador americano) alertou que vacinas contra a Covid-19 podem causar infarto como efeito colateral, como sustentam publicações na internet (veja aqui). A peça de desinformação tem origem em uma apresentação do órgão americano, que listou ataque cardíaco entre os possíveis eventos que devem ser monitorados na avaliação da eficácia das imunizações em testes. Ou seja, a agência não alerta que vacinas causem tais reações, mas ressalta situações a serem observadas.

A informação enganosa que circula nas redes sociais é um trecho extraído de uma publicação do site Terça Livre. Somente no Facebook, reproduções desta alegação reuniam ao menos 1.400 compartilhamentos nesta terça-feira (15). Os conteúdos foram sinalizados na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


FALSO

FDA alertou para risco de infarto por vacina.
O FDA (Food and Drug Administration) órgão americano equivalente à Anvisa, alertou em 22 de outubro para possíveis efeitos colaterais que vacinas contra o vírus chinês poderiam causar. Entre eles, está o “Infarto agudo do miocárdio”.

Uma lista da FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora do governo dos EUA, com eventos que devem ser considerados ao avaliar a eficácia de vacinas contra a Covid-19 serviu de base a uma desinformação que circula nas redes sociais de que o órgão teria alertado que as imunizações causam infarto. Isso não é verdade.

A lista aparece em uma apresentação de 22 de outubro do comitê de Vacinas e Produtos Biológicos Relacionados da FDA. Nela, são citadas ocorrências durante os testes que devem ser imediatamente notificadas às autoridades, como infarto, convulsões ou morte. A listagem, entretanto, não alerta que as imunizações contêm esse risco, mas elenca "resultados possíveis que a FDA pode potencialmente monitorar ao conduzir a vigilância de segurança”, segundo o órgão explicou ao Aos Fatos.

Ainda de acordo com a FDA, a lista não seria como uma bula de medicamento, que cita todos os possíveis e constatados efeitos colaterais da substância. O documento reúne uma série de condições observadas em estudos sobre vacinas e remédios em geral e que devem ser monitoradas também durante os testes das imunizações para a Covid-19.

Nesta segunda-feira (14), a agência reguladora aprovou o uso emergencial da vacina produzida pela Pfizer e pela BioNTech nos EUA. Segundo consta no Código Federal de Regulações americano, os medicamentos devem providenciar estudos que atestem sua segurança e eficácia antes de serem aprovados.

Origem. A peça de desinformação que vem circulando nas redes sociais é um print de um texto publicado pelo Terça Livre no dia 8 de dezembro. A matéria original, que relata uma suposta morte por infarto de um voluntário da vacina da Moderna nos EUA, traz no meio a alegação enganosa de que a FDA alertou para esse efeito colateral. Procurado pelo Aos Fatos por e-mail no começo da tarde desta terça-feira (15), o Terça Livre ainda não respondeu.

O padre John M. Fields era de fato voluntário dos testes clínicos da Moderna, mas ainda não se sabe se sua morte foi decorrente da imunização, uma vez que ele poderia estar no grupo que recebeu o placebo, nem há confirmação de que teria sofrido um ataque cardíaco.

Segundo a análise preliminar da terceira e última fase de teste da imunização, de 30 de novembro, não houve registro de complicação séria: “as reações adversas mais comuns foram dor no local da injeção, fadiga, mialgia, artralgia, dor de cabeça e vermelhidão no local da injeção”.

Uma informação falsa semelhante circulou nos EUA no começo deste mês e foi desmentida pelo Politifact. No Brasil, o Estadão Verifica também checou o conteúdo enganoso.

Referências:

1. FDA (Fontes 1 e 2)
2. G1
3. Igreja Católica Ucraniana (Fontes 1 e 2)
4. Moderna


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