É falso que ex-reitor da UFRJ desviou R$ 43 milhões e está foragido

Por Marco Faustino

14 de maio de 2021, 13h57

Não é verdade que o ex-reitor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Carlos Antônio Levi tenha desviado R$ 43 milhões durante a sua gestão e está hoje foragido, como afirmam postagens nas redes sociais (veja aqui). Ele foi condenado em 2019 pela cobrança de uma taxa de R$ 2,1 milhões sobre um contrato de R$ 43,5 milhões, mas recorreu da decisão judicial e continua dando aulas na instituição de ensino.

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 10.000 compartilhamentos nesta sexta-feira (14) e foram marcadas com o selo FALSO da ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


Lembram do reitor da UFRJ, aquele que disse que a Direita merecia ‘Um bom murro e uma boa bala’? E que deixou o Museu Nacional pegar fogo? Está foragido! Sabem por que? O tal Carlos Antônio Levi da Conceição roubou 43 milhões de reais… E a Universidade Federal do RJ está lá, entregue as moscas, destruída… e o nosso museu também, morto! Entendem porque esses lixos não querem que o Governo Bolsonaro continue?

Postagens nas redes sociais enganam ao alegar que o professor Carlos Antônio Levi, ex-reitor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), teria roubado R$ 43 milhões dos cofres da universidade e está foragido. Na realidade, ele chegou a ser condenado na Justiça em 2019 pela cobrança de uma taxa administrativa de R$ 2,1 milhões sobre um contrato de R$ 43,5 milhões firmado com o Banco do Brasil em sua gestão. Porém, recorreu da decisão e seguiu lecionando na universidade, como Aos Fatos verificou.

De acordo com a assessoria da Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia), Levi dá aulas hoje no Programa de Engenharia Oceânica.

Já a Procuradoria Regional da República da 2ª Região, braço do MPF (Ministério Público Federal) que denunciou o ex-reitor, informou que o processo contra Levi segue tramitando no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região). Na decisão proferida pela Justiça em 2019, ele foi condenado por peculato, que é quando servidor público se apropria ou desvia recursos e bens em proveito próprio ou alheio.

Em 2012, Levi e outro ex-reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, foram denunciados pelo MPF por improbidade administrativa pelo suposto desvio de R$ 50 milhões em uma operação intermediada pela FUJB (Fundação Universitária José Bonifácio), que dá apoio à UFRJ. Os recursos seriam oriundos de convênios e contrato com o Banco do Brasil.

Teixeira acabou inocentado no mesmo ano pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e pela CGU (Controladoria-Geral da União), que não encontraram indícios de improbidade. Levi foi punido com a suspensão de 30 dias do cargo de reitor. A pena foi convertida em multa correspondente a 50% da remuneração mensal.

Em fevereiro de 2019, entretanto, um segundo processo relacionado à mesma denúncia rendeu a Levi a condenação por peculato. Na época, a juíza federal Caroline Vieira Figueiredo corroborou a suspeita do MPF de que uma resolução da FUJB que permitia a cobrança de 5% a 15% de taxa de administração teria sido usada de forma irregular pelos acusados para “lavagem de capitais” em uma conta no Banco do Brasil.

No caso de Levi, a juíza considerou lesiva ao erário uma taxa de administração de 5% (R$ 2,1 milhões) do contrato, que seria destinada à fundação, responsável pela execução. Segundo a ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos), a prática não representaria crime e seria corriqueira entre as universidades e suas fundações de apoio para cobrir custos operacionais da gestão de contratos.

Mais. A peça de desinformação engana ainda ao alegar que Levi “deixou o Museu Nacional pegar fogo”. Vinculado à UFRJ, a instituição foi destruída em um incêndio de grandes proporções em setembro de 2018, três anos após o fim do mandato do ex-reitor, ocorrido entre 2011 e 2015.

Tampouco foi dita por Levi a declaração de que a direita merecia “um bom murro e uma boa bala”, mas pelo professor e historiador Mauro Iasi, militante histórico do PCB (Partido Comunista Brasileiro), durante um congresso em junho de 2015.

As alegações enganosas circulam desde 2019 nas redes, tendo sido inclusive desmentidas por Aos Fatos. O conteúdo voltou à tona agora, com poucas modificações, após a UFRJ afirmar que corre o risco de fechar por falta de verba. Segundo a universidade, o orçamento discricionário teria caído de R$ 639 milhões em 2011 para R$ 299 milhões em 2021.

Esta peça de desinformação também foi checada pelo Boatos.org.

Referências:

1. UFRJ
2. TRF2
3. MP
4. Estadão
5. O Globo
6. Gazeta do Povo
7. ANPG
8. G1 (Fontes 1 e 2)
9. Wikipedia
10. Revista Veja
11. Aos Fatos

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