🕐 Esta reportagem foi publicada há mais de seis meses

É falso que estados americanos paralisaram ilegalmente apuração de votos das eleições

Por Luiz Fernando Menezes

4 de novembro de 2020, 15h23

Não é verdade que os estados americanos Wisconsin, Michigan, Pensilvânia, Carolina do Norte e Geórgia interromperam ilegalmente a apuração de votos das eleições na madrugada desta quarta-feira (4), como alegam postagens nas redes sociais (veja aqui). Além de nem todos esses terem parado a contagem, não há uma lei federal que os impeça de fazer isso: cada estado estabelece o prazo limite para divulgar seus resultados finais.

A peça de desinformação circula principalmente no Twitter e no Facebook desde a noite da última terça-feira (3). Nesta segunda rede social, publicações reuniam ao menos 1.500 compartilhamentos. Todas as publicações foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

ESTADOS QUE PARALISARAM ILEGALMENTE A CONTAGEM
- WISCONSIN, 95% APURADAS: 49,1%% TRUMP x 49,4% JOE
- MICHIGAN. 82%: 51,5% TRUMP x 46,9% JOE
- PENSILVÂNIA. 64%: 55,8% TRUMP x 43,1% JOE
- CAROLINA DO NORTE. 94%: 50.1% TRUMP x 48,7% JOE
- GEÓRGIA: 94%: 50,5% TRUMP x 48,3% JOE
A SUPREMA CORTE AMERICANA PROÍBE EXPRESSAMENTE A COMPUTAÇÃO DE VOTOS APÓS O FECHAMENTO DOS COLÉGIOS ELEITORAIS. DEMOCRATAS ESTÃO TENTANDO FRAUDAR A ELEIÇÃO COM VOTOS EMPURRADOS VIA CORREIO, SABE LÁ DE ONDE, QUE CHEGARAM DEPOIS DO FECHAMENTO DO PLEITO. TRUMP TINHA ALERTADO!

Publicações nas redes sociais enganam ao dizer que Wisconsin, Michigan, Pensilvânia, Carolina do Norte e Geórgia paralisaram ilegalmente a apuração de votos das eleições durante a madrugada. Além de inexistir lei federal que impeça estados de interromperem a contagem, as informações disponíveis até a tarde desta quarta-feira (4) indicavam que somente a Geórgia e alguns condados da Pensilvânia pausaram de fato os trabalhos.

Não existe nenhuma obrigação legal hoje nos EUA para que os estados façam a contagem de forma ininterrupta, e o prazo para divulgar os resultados oficiais é definido pelas unidades federativas e varia de uma para outra. Ou seja, nada impede que os oficiais eleitorais decretem uma paralisação durante a noite e continuem a contagem no dia seguinte, como ocorreu em Nevada e na Geórgia, por exemplo.

Além disso, alguns estados permitem, sim, a computação de votos enviados por correio e que cheguem após o dia da eleição. Na Carolina do Norte, por exemplo, votos que foram postados até o dia 3 de novembro, data oficial da eleição deste ano, e chegarem até nove dias após o pleito são válidos. A decisão, inclusive, teve anuência da Suprema Corte federal. Já na Pensilvânia, uma decisão da justiça estadual permitiu que, nesse pleito, votos que chegarem em três dias depois da data também serão contabilizados. Esse caso só deve ser julgado pela Suprema Corte do país após as eleições.

Alegações enganosas semelhantes também têm circulado nos EUA e foram desmentidas localmente. Conforme apontou o Buzzfeed News, “como os Estados Unidos não têm uma autoridade eleitoral nacional, as decisões de permitir que os funcionários das pesquisas durmam diferem por local, com alguns locais trabalhando 24 horas por dia”.

Prazos. Em nenhuma eleição americana, os votos foram calculados no mesmo dia do pleito, segundo reportagem do jornal New York Times. O resultado que geralmente é divulgado na mesma noite trata-se de uma projeção da imprensa com base nas informações apuradas pelas suas equipes. Há exemplos de apurações que demoraram até duas semanas para terminar, como em Michigan nas eleições de 2016.

Neste ano, as projeções tendem a demorar mais por causa do grande número de votos por correio. Esses votos, que passam por uma verificação mais detalhada que inclui comparação de assinaturas e até rechecagem com o próprio eleitor, levam muito mais tempo para serem contabilizados. Essa demora, aliada ainda ao fato de que alguns estados não permitem a contagem antecipada dos votos por correio, acabam atrasando a divulgação dos resultados.

Alguns estados citados pela publicação já haviam anunciado, dias antes da eleição, que a contagem iria demorar mais do que o esperado. Wisconsin, por exemplo, recebeu mais de 1,9 milhão de votos por correio, o que fez a chefe da Comissão Eleitoral do estado, Meagan Wolfe, dizer que “se os resultados não oficiais não estiverem disponíveis até a manhã de quarta-feira, isso não significa que algo deu errado”.

Referências:

1. DailyMail
2. Twitter (@lucyeperk)
3. NBC
4. Ballotpedia
5. CNN (Fontes 1, 2, 3, 4 e 5)
6. Buzzfeed News
7. New York Times
8. NPR
9. NCLS
10. WPR


Esta checagem foi atualizada às 11h45 do dia 5 de novembro de 2020 para corrigir uma informação sobre a permissão da contagem de votos após o dia oficial da eleição na Pensilvânia. O prazo foi determinado por uma decisão da justiça estadual, não da Suprema Corte federal.

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