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É falso que deputado do PSOL foi flagrado oferecendo dinheiro para professoras gravarem vídeos contra Bolsonaro

Por Luiz Fernando Menezes e Ana Rita Cunha

22 de janeiro de 2021, 14h06

Não é verdade que o deputado federal Paulo Ramos (PDT-RJ) seja hoje do PSOL nem que ele foi flagrado oferecendo vantagens e dinheiro para professoras em troca de vídeos contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A alegação enganosa que circula nas redes sociais (veja aqui) tira de contexto uma gravação de agosto de 2017 em que Ramos, que era deputado estadual pelo PSOL na época, discutiu com duas mulheres em uma visita a um Centro de Proteção Animal na zona oeste do Rio.

O vídeo já foi empregado com alegações enganosas similares em 2018 e, desta vez, as postagens reuniam ao menos 109 mil compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (22). Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (veja como funciona).


Deputado Paulo Ramos do PSOL RJ visitando as escolas e oferecendo vantagens e dinheiro para que as professoras façam um vídeo falso dizendo que todas as mulheres do colégio são contra Bolsonaro

As cenas mostradas nas postagens que circulam no Facebook nada tem a ver com oferta de dinheiro a professoras em troca de um vídeo contra Bolsonaro. A gravação é de agosto de 2017, quando os então deputados estaduais do Rio de Janeiro Paulo Ramos — na época do PSOL, hoje no PDT — e Carlos Roberto Osório (PSDB) visitaram o Centro de Proteção Animal na zona oeste do Rio para apurar denúncias de maus tratos. A mulher que discute com Ramos seria uma ex-funcionária do local, um abrigo público para animais.

O vídeo começa com Osório falando que estava “ali para fazer uma visita” e que as mulheres, entre elas a ex-funcionária do abrigo, “podem nos acompanhar, não tem problema nenhum”, em uma tentativa de resolver “um mal-entendido que houve lá no início”. A mulher concorda e então responde: “houve um mal-entendido, mas nós não vamos fazer parte do circo, não!”.

Nesse momento, Paulo Ramos responde, levantando a voz: “que circo, porra?”, e tem início a discussão entre os dois. Em dado momento, ao gesticular exaltado, o parlamentar acerta sem querer a mão da mulher, derrubando seu celular no chão. A gravação termina com Ramos gritando para que a mulher se retire porque “não faz parte da minha visita aqui”.

Na época, ao jornal O Dia, o deputado assim justificou sua postura: “duas mulheres aproveitaram a visita para tentar desviar o foco. Elas é que fizeram provocações. Eu não agi. Eu reagi. E não reagi violentamente. Reagi veementemente, como, aliás, faço com frequência. Não admito determinados tipos de desrespeito".

Em setembro de 2018, em seu Facebook, Paulo Ramos voltou a falar sobre o episódio e afirmou que a discussão ocorreu porque as mulheres “tentaram desqualificar o trabalho dos parlamentares, agredindo a todos da equipe, inclusive funcionários da instituição, xingando os deputados de palhaços, e a visita de circo, o que provocou uma reação indignada” por parte do deputado.

Paulo Ramos é oficial da reserva da Polícia Militar e advogado, foi deputado constituinte e federal e exerceu mandato na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) de 1999 até 2018, na maior parte do tempo filiado ao PDT. Em 2018, foi eleito deputado federal também pelo PDT.

Ramos foi filiado pelo PSOL entre 2013 e 2017. Ele foi expulso do partido por votar contra a cassação então presidente da Alerj, Jorge Picciani (MDB), que havia sido preso.

Em 2018, durante as eleições presidenciais, o vídeo circulou fora de contexto e foi checado pelo Aos Fatos. Na época também fizeram a checagem o Fato ou Fake e o Boatos.org.

Referências:
1. O Dia (1 e 2)
2. Prefeitura do Rio de Janeiro
3. Conta do Facebook do deputado Paulo Ramos (1 e 2)
4. Jornal Extra
5.
Aos Fatos

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