É falso que caminhoneiros decretaram greve geral após prisão de Jair Bolsonaro

Compartilhe

Não é verdade que caminhoneiros decidiram decretar uma greve geral para protestar contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Aos Fatos consultou entidades representativas e canais oficiais da categoria e não encontrou nenhum anúncio similar. Também não há qualquer registro sobre uma eventual paralisação em veículos de imprensa.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam mais de 1 milhão de visualizações no TikTok e centenas de compartilhamentos no X até a tarde desta quarta-feira (26).

Vamos agora ao vivo para São Paulo, porque acabou agora há pouco a reunião dos caminhoneiros. Está decretado. Greve geral. Fecha tudo de ponta a ponta, não passa nada. Enquanto a libertação de Bolsonaro não for decretada, o Brasil vai parar de ponta a ponta. A ordem é essa. E segundo informações, todos os caminhoneiros aceitaram a proposta e está decretada. Ninguém se movimenta para lugar nenhum.

Print de publicação no TikTok mostra um homem negro desconhecido, calvo. Abaixo, há a frase: ‘Atenção. Atenção. NOTÍCIA URGENTE’.

Um homem desconhecido mente ao afirmar em vídeo que circula nas redes que caminhoneiros decidiram decretar greve geral nesta semana após uma reunião ocorrida em São Paulo. De acordo com as peças desinformativas, a decisão teria como objetivo pressionar a Justiça a libertar Jair Bolsonaro, preso desde o último sábado (22).

Em nota enviada ao Aos Fatos, a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) desmentiu as alegações. Procuradas, a Fetrabens (Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo) e a Fenacat (Federação Nacional das Associações de Caminhoneiros e Transportadores) não responderam.

Em consulta aos canais oficiais das organizações, no entanto, Aos Fatos não identificou nenhuma nota ou convocatória de paralisação que tivesse como objetivo pedir a liberdade de Bolsonaro (veja aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Também não há registros sobre indicativos de greve em veículos de imprensa.

As atuais reivindicações da categoria estão relacionadas ao piso mínimo do frete e a mudanças na atuação das autoescolas. Não há menção a pautas políticas.

Na última segunda-feira (24), caminhoneiros também realizaram uma paralisação em Ubatuba (SP) para reivindicar melhorias na ponte que atravessa o rio Maranduba.

É fato, no entanto, que o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) publicou na segunda-feira (24) um vídeo em que convocava caminhoneiros, o agronegócio e motoboys para ocupar as ruas em protesto contra a prisão de Bolsonaro.

O parlamentar, no entanto, foi orientado por colegas de partido a apagar a gravação e evitar publicações do tipo. Na última terça (25), ele fez um novo post para desmobilizar futuros protestos.

Bolsonaro preso. O ministro Alexandre de Moraes determinou na terça-feira (25) o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão por Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O ex-presidente ficará preso na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde estava detido em sala especial desde o último sábado (22).

Todos os outros seis condenados do chamado núcleo crucial também tiveram suas prisões decretadas e começaram a cumprir pena em instalações das Forças Armadas e da Polícia Militar do Distrito Federal.

Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi o único a não ser preso. Ele está foragido desde setembro, após ter escapado para os Estados Unidos.

O caminho da apuração

Aos Fatos entrou em contato com a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), que desmentiu a alegação feita pelas peças de desinformação.

A reportagem também fez contato com a Fetrabens (Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo) e com a Fenacat (Federação Nacional das Associações de Caminhoneiros e Transportadores), mas não obteve resposta até o momento da publicação.

A reportagem realizou ainda uma busca nos canais oficiais das federações e não encontrou nenhuma mensagem que orientasse a categoria a realizar greves ou paralisações contra a prisão de Bolsonaro. Por fim, usamos notícias da imprensa para contextualizar a verificação.

Referências

  1. Fetrabens
  2. Instagram (1, 2 e 3)
  3. Facebook (1 e 2)
  4. Fenacat
  5. g1 (1 e 2)
  6. UOL
  7. TikTok
  8. Aos Fatos
  9. STF (1 e 2)

Compartilhe

Leia também

falsoMédica que prescreveu remédios que causaram suposto surto em Bolsonaro não é vinculada à PF

Médica que prescreveu remédios que causaram suposto surto em Bolsonaro não é vinculada à PF

falsoVídeos não mostram protestos contra prisão de Bolsonaro

Vídeos não mostram protestos contra prisão de Bolsonaro

falsoBolsonaro não disse ‘a Papuda lhe espera’ após prisão de Lula em 2018

Bolsonaro não disse ‘a Papuda lhe espera’ após prisão de Lula em 2018

fátima
Fátima