É falso que caixões foram enterrados com pedras e madeira em Belo Horizonte

Por Priscila Pacheco

7 de maio de 2020, 17h34


Não é verdade que caixões desenterrados de um cemitério em Belo Horizonte continham pedras e pedaços de madeira no lugar de corpos. A informação enganosa consta em vídeo compartilhado em publicações no Facebook para alegar que estados e municípios estão inflando o número de mortes por Covid-19 (veja aqui). Além de a prefeitura da capital mineira ter desmentido a afirmação, a autora da gravação também reconheceu que o que disse era falso. Na cidade, os enterros são feitos mediante apresentação de atestado de óbito ou guia de sepultamento emitida por cartório.

Publicações com a afirmação enganosa acumulavam ao menos 1.900 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (7) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação disponibilizada pela rede social (saiba como funciona).


FALSO

Enterro por COVID-19, pedras, em Minas Gerais, está batendo recorde.

É falso que caixões que seriam de vítimas da Covid-19 foram enterrados com pedras e madeira em Belo Horizonte, conforme diz uma mulher em vídeo que tem sido compartilhado nas redes sociais. “Mandaram ir lá e arrancar todos os caixões para fazer o exame para ver se é coronavírus mesmo. Sabe o que tem dentro do caixão? Pedra e madeira”, disse Valdete Zanco na gravação caseira. Em nota ao Aos Fatos, a Prefeitura de Belo Horizonte desmentiu as afirmações de Zanco e informou que os sepultamentos só são realizados por profissionais de cada cemitério mediante atestado de óbito ou da guia de sepultamento emitida por cartório.

Em razão do vídeo, Valdete Zanco passou a ser investigada pela Polícia Civil de Minas Gerais. Ela prestou depoimento nesta quarta-feira (6) e teve o celular apreendido para investigação. Após a repercussão sobre sua fala, ela gravou um novo vídeo em que reconhece que a informação é falsa e pede desculpas “para o prefeito de BH, para o governador, para o estado de Minas Gerais e para as famílias que se sentiram entristecidas com aquilo”.

Segundo o advogado Alexsander Ribeiro, que representa Zanco, ela gravou o vídeo com a desinformação após ter visto postagens no Facebook e ouvir comentários de clientes da loja em que trabalha sobre caixões desenterrados com pedras e madeira dentro. Ele afirmou ainda ao jornal Estado de Minas que a gravação era direcionada apenas a um grupo de familiares dela no WhatsApp e que não sabe como o material chegou às redes sociais.

Na semana passada, Aos Fatos checou que a foto de um caixão vazio atribuída ao Amazonas foi, na verdade, tirada em 2017 em São Paulo. A imagem retrata uma diligência da Polícia Civil em investigação de fraudes em seguro de vida e não tem relação com a pandemia de Covid-19.

Referências:

1. Aos Fatos
2. Agência Brasil
3. Rádio Itatiaia
4. O Estado de Minas