É falso que Bolsonaro condecorou professora morta em incêndio em creche em MG

Por Priscila Pacheco

23 de julho de 2021, 12h29

Não é verdade que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) condecorou a professora Heley de Abreu Silva Batista como heroína nacional, conforme afirmam postagens que circulam nas redes sociais (veja aqui). Ela foi homenageada em 2018 pelo então presidente Michel Temer (MDB) com a Ordem Nacional do Mérito, mas não foi incluída no livro de heróis da pátria. Batista morreu em 2017 ao tentar salvar crianças durante um incêndio criminoso em uma creche em Janaúba (MG).

As postagens enganosas contam com ao menos 41 mil compartilhamentos nesta sexta-feira (23) no Facebook e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (saiba como funciona).


Declarada heroína nacional. Em reunião com ministros, o presidente Bolsonaro assinou uma declaração oficial que condecora a professora Heley como heroína nacional. Emocionado, Bolsonaro elogiou a conduta da professora que deu sua vida para salvar as crianças.

A professora Heley de Abreu Silva Batista, morta em 2017 ao tentar salvar crianças em uma creche de Janaúba (MG) durante um incêndio criminoso, não foi homenageada e declarada heroína nacional pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na verdade, o ex-presidente Michel Temer (MDB) foi quem concedeu a ela a Ordem Nacional do Mérito, condecoração que homenageia quem prestou serviços de destaque à nação brasileira.

Na época, a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República) disse que a coragem e o heroísmo de Heley ao tentar proteger as crianças justificaram a homenagem após a morte. O título foi registrado no Diário Oficial da União em 7 de março de 2018. A professora também foi homenageada pelo governo de Minas Gerais, que lhe concedeu a Grande Medalha da Inconfidência em 2019.

Para impedir o segurança Damião Soares dos Santos de alastrar ainda mais as chamas pela creche, Heley entrou em luta corporal e se abraçou a ele, tendo 90% do corpo queimado. Segundo um documentário da TV Escola lançado no ano passado, as ações da professora salvaram a vida de 25 crianças.

Pessoas condecoradas com a Ordem Nacional do Mérito não são incluídas diretamente no Livro de Aço do Panteão da Pátria, onde estão escritos os nomes dos heróis e heroínas do Brasil. Para fazer parte, é necessário que o homenageado tenha falecido há pelo menos 10 anos e que o Senado e a Câmara dos Deputados aprovem uma lei.

Referências:

1. Site do Planalto (Fontes 1 e 2)
2. Diário Oficial da União
3. Agência Minas
4. Site do Governo do Distrito Federal
5. Agência Brasília
6. G1
7. Revista Crescer
8. TV Escola

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