Não é verdade que a defesa de Jair Bolsonaro (PL) alegou que o ex-presidente tem doença de Alzheimer em um pedido de prisão domiciliar feito ao STF (Supremo Tribunal Federal). A informação não consta em nenhuma das solicitações feitas pelos advogados do político ao Supremo. As peças de desinformação alegam que o fato teria sido noticiado pelo Metrópoles, o que foi desmentido pelo veículo.
As peças de desinformação somavam 39 mil visualizações no TikTok e 4.100 curtidas no Instagram, além de dezenas de compartilhamentos no Facebook e de curtidas no Threads até a tarde desta quinta-feira (18).
Advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alegam Alzheimer (leia-se: confusão mental grave) para tentar colocar o “Mito” em prisão domiciliar

Posts mentem ao afirmar que a defesa de Bolsonaro teria alegado que o ex-presidente tem a doença de Alzheimer em pedido de prisão domiciliar feito ao STF. Em consulta à Execução Penal 169, que trata da custódia do político, Aos Fatos não identificou nenhuma solicitação de cunho similar feita pelos advogados. Também não foi localizado nenhum registro nesse sentido em busca por reportagens na imprensa.
As peças enganosas fazem crer que a informação teria sido divulgada pelo Metrópoles, o que foi negado pelo veículo ao Aos Fatos.
Bolsonaro foi preso preventivamente em 22 de novembro, após usar um ferro de solda para tentar violar a tornozeleira eletrônica. Cinco dias depois, o ex-presidente passou a cumprir pena definitiva na Superintendência da PF, em Brasília, em razão de sua condenação por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Antes mesmo de o processo transitar em julgado, a defesa do ex-presidente já havia solicitado ao Supremo que Bolsonaro cumprisse a pena em casa por conta de problemas de saúde. Os motivos citados pelos advogados incluíam:
- Doença grave de natureza múltipla (cardiológica, pulmonar, gastrointestinal, neurológica e oncológica);
- Sequelas permanentes e irreversíveis decorrentes de trauma abdominal e intervenções cirúrgicas sucessivas;
- Necessidade de tratamento contínuo, monitorização multifatorial e possibilidade de intercorrências súbitas potencialmente fatais;
- Incompatibilidade entre condições de saúde e o ambiente prisional, que não dispõe da infraestrutura necessária para manejo clínico e emergencial adequado.
Após a prisão preventiva, os advogados solicitaram que um médico cardiologista e um fisioterapeuta prestassem atendimento ao ex-presidente.
Após exames recentes, foi apresentado novo pedido de prisão domiciliar, sob a alegação da necessidade de procedimento cirúrgico por conta de uma hérnia inguinal.
“(...) os sintomas de dor e desconforto na região inguinal se acentuaram em virtude das frequentes crises de soluço, que causam aumento intermitente da pressão abdominal”, diz um trecho do relatório do médico Cláudio Birolini submetido pela defesa.
Na petição enviada ao STF na última quarta-feira (17), a defesa solicitou também sessões diárias de fisioterapia respiratória e motora, como “medida essencial à manutenção do condicionamento físico, recrutamento muscular, readequação postural, exercícios respiratórios e profilaxia de complicações clínicas”.
O caminho da apuração
Aos Fatos consultou a Execução Penal 169, que trata da custódia de Jair Bolsonaro, para verificar os argumentos apresentados pela defesa nos pedidos enviados ao STF. A reportagem analisou as petições protocoladas e os relatórios médicos anexados.
Em seguida, realizou buscas na cobertura da imprensa para checar se havia registros similares aos divulgados pelas peças de desinformação. Também entrou em contato com o Metrópoles para confirmar a autoria da informação mencionada nas publicações.




