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É falso que boicote fez venda de produtos chineses cair 70% em Santa Catarina

Por Priscila Pacheco

17 de agosto de 2020, 15h02

Não é verdade que a venda de produtos chineses em Santa Catarina caiu 70% em razão de um boicote da população, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). Aos Fatos não localizou registros sobre movimentos semelhantes e a FCDL/SC (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina) afirmou desconhecer o dado.

Informações oficiais de importação e varejo também não atestam o percentual destacado nas postagens. O Ministério da Economia anota uma redução de 6,2% no valor acumulado de compras feitas por Santa Catarina na China no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2019. A queda é proporcional à observada no país todo: 6,9%.

Já o IBGE registrou um aumento de 18,1% nas vendas do varejo no estado em maio ante o mês anterior. Mas o levantamento não traz dados por origem dos produtos, o que impede avaliar se os fabricados na China sofreram alguma alteração.

A peça de desinformação contava com ao menos 1.000 compartilhamentos nesta segunda-feira (17). O conteúdo foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Depois que os Catarinenses boicotaram em 70% as compras dos produtos chineses, a China sentiu no bolso e agora inventa que encontrou o vírus deles em uma EMBALAGEM de frango enviada de Santa Catarina.

Publicações nas redes sociais enganam ao indicar que a venda de produtos de origem chinesa em Santa Catarina caiu 70% por causa de um boicote local a mercadorias do país asiático. Aos Fatos não localizou registros de ação organizada com esse propósito e a FCDL/SC (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina) afirmou desconhecer a origem desse dado de queda.

As informações oficiais sobre importação também não apontam para uma retração de 70%. Números do Ministério da Economia indicam redução de 6,2% no valor acumulado das compras feitas na China por Santa Catarina entre janeiro e julho (US$ 3,1 bilhões) em relação ao mesmo período de 2019 (US$ 3,3 bilhões).

O tamanho da queda é similar ao observado em todo o Brasil: 6,9% de janeiro a julho de 2020 (US$ 19,3 bilhões) comparado ao mesmo intervalo de 2019 (US$ 20,7 bilhões).

Além da retração na atividade econômica, a alta do dólar também contribuiu para a queda de importações e exportações do Brasil no período. Inclusive, em checagem anterior, Aos Fatos também mostrou que a diminuição nas importações também atingiram outros países. Brasil comprou menos dos Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial, da Alemanha e da Argentina, por exemplo.

Além disso, a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que, em maio, Santa Catarina teve aumento de 18,1% no volume de vendas no varejo em comparação ao mês anterior. A pesquisa mostra recuperação no comércio do estado, pois em abril havia sido registrada queda de 7% ante março.

Entretanto, o levantamento não traz dados por origem dos produtos para avaliar se itens chineses venderam menos. De maneira geral, o IBGE atribui a queda no varejo brasileiro aos efeitos econômicos causados pela pandemia de Covid-19.

A peça de desinformação cita ainda que o boicote teria estimulado a China a dizer que frangos comprados do Brasil apresentavam o Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19.

Em 13 de agosto, autoridades sanitárias de Shenzhen disseram ter detectado presença do material genético do novo coronavírus na superfície de uma embalagem de asa de frango congelada de lote importado do Brasil. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Cooperativa Central Aurora Alimentos, responsável pela venda, disseram, entretanto, que ainda não receberam confirmação oficial da China sobre a presença do vírus no produto.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que não há evidência de transmissão de Covid-19 por meio de alimentos ou embalagens dos produtos e ressalta que o vírus pode ficar em superfícies por algum tempo, mas é inativado por meio de higienização.

No início de agosto, Aos Fatos também verificou que era falso um boicote em todo o Brasil contra produtos chineses.

Referências:

1. Aos Fatos
2. IBGE (Fontes 1 e 2)
3. Ministério da Economia (Fontes 1 e 2)
4. Agência Brasil (Fontes 1 e 2)
5. G1
6. Aurora Alimentos
7. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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