É falso que boicote fez a importação de produtos chineses cair 78% no Brasil

Por Priscila Pacheco

5 de agosto de 2020, 13h23


Não é verdade que a importação de produtos chineses pelo Brasil diminuiu 78% por conta de um boicote ao país asiático, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). Dados do Ministério da Economia indicam uma retração de 7,2% no valor acumulado das compras vindas da China entre janeiro e junho deste ano ante o mesmo período de 2019. A redução, porém, também é observada nas importações de outros importantes parceiros comerciais brasileiros, como os EUA (4,4%), a Alemanha (9,6%) e a Argentina (30%).

A queda nas importações pode ser creditada à pandemia do novo coronavírus, que fez as vendas no varejo brasileiro despencarem com as medidas de isolamento. Em abril, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o comércio registrou recuo de 16,8% em relação a março — o maior tombo da série histórica iniciada em janeiro de 2000.

Como os dados da instituição não especificam a origem dos produtos, não há como identificar se a redução nas vendas foi maior entre os chineses. Aos Fatos também não encontrou registros sobre boicote organizado contra mercadorias da China ou sobre a existência da Incint, entidade citada como fonte do dado usado na peça de desinformação.

No Facebook, a alegação enganosa aparece em postagens que reuniam ao menos 3.000 compartilhamentos nesta quarta-feira (5). O conteúdo foi marcado com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona).


FALSO

Compras da China caem 78% no Brasil, segundo o INCINT. Os brasileiros passaram a boicotar os produtos chineses.

Publicações nas redes sociais enganam ao indicar que a importação de produtos chineses pelo Brasil caiu 78% por conta de um boicote a mercadorias daquele país. Além da entidade citada como fonte não existir, dados do Ministério da Economia indicam que a redução nas compras no primeiro semestre deste ano foi de 7,2% ante igual período de 2019. O encolhimento também foi observado entre outros importantes parceiros comerciais do país, como os EUA, a Alemanha e a Argentina, e pode ser creditado à pandemia de coronavírus.

Segundo a Secretaria Especial de Produtividade e Comércio Exterior do Ministério da Economia, o valor acumulado de produtos importados da China entre janeiro e junho caiu 7,2% ante 2019. Dos Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Brasil, a queda no primeiro semestre foi de 4,4% em relação a 2019. Há ainda redução observada nas compras vindas da Alemanha (9,6%) e da Argentina (30,8%).

A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) afirma que a redução de compras foi generalizada no fluxo do comércio internacional por conta da forte queda das vendas no varejo. “Além da crise decorrente da pandemia, o dólar mais alto pode ter desestimulado a compra de produtos importados”, ressalta, em nota enviada ao Aos Fatos.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) evidenciam essa redução no mercado interno. Em abril, o comércio varejista teve queda de 16,8% em relação a março, o maior recuo registrado na série histórica iniciada em janeiro de 2000 com ajuste sazonal. Em maio, houve recuperação, mas em patamar inferior ao do ano passado: o acumulado entre janeiro e maio de 2020 ficou 3,9% abaixo do observado em igual período de 2019. O IBGE também atribui o recuo à crise econômica provocada pela pandemia.

Em buscas na imprensa e nas redes sociais, Aos Fatos não localizou registros sobre movimentos consistentes de boicote a produtos chineses no Brasil. Tampouco foi possível atestar a existência da Incint, entidade indicada como fonte na peça de desinformação.

Referências:

1. IBGE (Fontes 1 e 2)
2. Ministério da Economia (Fontes 1, 2, 3 e 4)


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