É falso que Adélio não teve sigilo quebrado em investigação de atentado a Bolsonaro

Por Priscila Pacheco

16 de junho de 2021, 17h15

Não é verdade que Adélio Bispo de Oliveira, que esfaqueou Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, teve seu sigilo preservado durante as investigações do atentado. Com autorização da Justiça, a PF (Polícia Federal) periciou contas bancárias, telefones e computador do agressor. Posts nas redes sociais (veja aqui) usam esta alegação falsa para se contrapor à quebra dos sigilos telefônico e telemático dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), requisitada pela CPI da Covid-19.

No Facebook, os posts reuniam ao menos 44.302 compartilhamentos nesta quarta-feira (16) e foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (entenda como funciona). O conteúdo enganoso foi também amplificado pelo vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos).


Posts desinformam ao apontar que seria uma contradição a quebra de sigilo dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) pedida pela CPI da Covid-19 porque Adélio Bispo de Oliveira, que esfaqueou Jair Bolsonaro na campanha de 2018, teve suas informações preservadas nas investigações do atentado. Isso não é verdade. Com autorização da Justiça, a PF (Polícia Federal) periciou contas bancárias, telefones e um computador do agressor do então candidato.

Adélio esfaqueou o então candidato à presidência no dia 6 de setembro em Juiz de Fora (MG). Dois dias depois, a juíza Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho, da 2ª Vara Federal de Juiz de Fora, autorizou que os dados de quatro celulares e de um notebook usados pelo agressor tivessem o sigilo quebrado.

Em seguida, a PF também anunciou que estava rastreando as movimentações bancárias do agressor. As informações constam na sentença do juiz Bruno Savino, proferida em junho de 2019.

Após a conclusão do inquérito, na metade do ano passado, o MPF (Ministério Público Federal) pediu o arquivamento provisório da investigação por entender que Adélio planejou e executou o crime sozinho.

Segundo as investigações, ele não recebeu ligações nem trocou mensagens sobre o crime. Também não foram encontradas movimentações financeiras incompatíveis com as atividades ou padrões de vida de Adélio e de seus familiares investigados.

Quebra. As falsas alegações de que a Justiça teria protegido os dados de Adélio circulam na esteira da CPI da Covid-19, que na semana passada obteve a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos ex-ministros de Bolsonaro.

O STF (Supremo Tribunal Federal) negou pedidos de suspensão das medidas para Pazuello e Araújo, e, na terça-feira (15), a AGU (Advocacia Geral da União) recorreu da decisão em favor do ex-titular da Saúde. O órgão sustenta que a corte teria agido de forma assimétrica ao acolher recursos de outros alvos da CPI.

Nas redes sociais, a falsa comparação entre as quebras de sigilo dos ex-ministros e de Adélio Bispo foi amplificada pelo vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos). Procurado por Aos Fatos, ele não se manifestou.

Duas peças de desinformação que remetem ao atentado a faca sofrido por Bolsonaro em 2018 foram checadas por Aos Fatos em 2021. Em fevereiro, foi desmentido que o STF teria impedido a defesa do presidente de acessar as mensagens de Adélio. Já em maio, foram checadas alegações falsas de que o agressor havia recebido telefonemas da ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) no dia da facada.

Referências:

1. G1 (Fontes 1 e 2)
2. Estadão
3. Justiça Federal
4. MPF
5. Senado
6. Poder 360
7. O Globo
8. Aos Fatos (Fontes 1 e 2)


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