É falso que 97% das mortes por Covid-19 na Itália não foram causadas pelo coronavírus

Por Marco Faustino

12 de novembro de 2021, 13h42

Não é verdade que o Instituto Superior de Saúde da Itália revisou os dados de óbitos por Covid-19 no país e concluiu que 97% deles não foram causados pela doença, como afirmam publicações nas redes sociais (veja aqui). Em comunicado oficial, o órgão desmentiu a alegação enganosa e disse que ela é uma interpretação incorreta de um relatório publicado pelo instituto em outubro sobre comorbidades de pessoas que morreram em decorrência do novo coronavírus.

O conteúdo enganoso acumulava centenas de compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (11).


Selo falso

Instituto de Saúde Italiano revisou os óbitos por COVID e descobriu que 97% das mortes não foram pelo vírus. Das 130.468 mortes oficialmente registradas como causadas pelo vírus chinês desde o início da pandemia, apenas 3.783 são exclusivas pelo vírus.

Publicações nas redes sociais distorcem um relatório do ISS (Instituto Superior de Saúde da Itália) publicado em 19 de outubro de 2021 para afirmar que 97% das mortes registradas por Covid-19 no país não foram causadas pela doença. O documento não contém essa informação, e o instituto italiano afirmou que foi feita uma interpretação incorreta dos dados publicados.

O relatório é uma análise dos registros médicos de 7.910 italianos que testaram positivo para o vírus Sars-CoV-2, o novo coronavírus, e que morreram de Covid-19. Entre essas pessoas, 230 não tinham comorbidades, o equivalente a 2,9% do total de registros.

“O relatório não afirma que apenas 2,9% das mortes atribuídas à Covid-19 foram causadas pelo vírus. O percentual, também relatado nas edições anteriores, refere-se ao número de pacientes que morreram e testaram positivo para o SARS-CoV-2 e que não tinham outras patologias diagnosticadas antes da infecção”, diz trecho do comunicado publicado pelo ISS em seu site oficial e nas redes sociais.

De acordo com a peça de desinformação, dos mais de 130 mil óbitos oficialmente registrados como decorrentes do novo coronavírus, apenas 3.783 teriam sido causados por ele. Mas, para chegar a esse número é aplicado o percentual presente no relatório (2,9%) ao total de mortes registradas no país (130.468, em 5 de outubro), o que é um cálculo enganoso, que leva a um número que não consta no relatório.

Graziano Onder, autor do documento e diretor do ISS, desmentiu a alegação falsa ao jornal La Repubblica. “Está tudo errado, não é verdade que apenas 2,9% das mortes são relacionadas à Covid-19. A grande maioria dos mortos são pessoas que tinham doenças pré-existentes, mas que muitas vezes estavam em bom equilíbrio de saúde e teriam vivido por muitos mais anos”, afirmou Onder, cuja declaração também foi repercutida por outros veículos de imprensa (confira aqui, aqui e aqui).

A interpretação equivocada dos dados foi publicada originalmente pelo jornal italiano Il Tempo em 21 de outubro. A partir de então, ela passou a circular em países como os Estados Unidos, onde foi checada como falsa pelo USA Today. No Brasil, a desinformação do periódico foi reproduzida pelo site Aliados Brasil. Aos Fatos tentou contato com o site, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Referências:

1. ISS (Fontes 1 e 2)
2. Twitter
3. La Repubblica
4. Tecno Android
5. Bufale
6. USA Today


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