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É falso que 5,1 milhões de votos foram 'roubados' de Bolsonaro

Por Marco Faustino

4 de novembro de 2022, 16h41

Não há indícios ou evidências de que 5,1 milhões de votos foram “roubados” do presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, como afirma o empresário americano Mike Lindell em vídeo que circula nas redes. Apoiador de Donald Trump, ele não apresenta na gravação provas da manipulação. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e observadores internacionais não detectaram fraudes na votação e asseguraram a integridade do pleito.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 335 mil visualizações no YouTube, 250 mil no TikTok, 41 mil compartilhamentos no Facebook, 20 mil curtidas no Instagram, além de circular em Twitter, Telegram e WhatsApp (fale com a Fátima).


Selo falso

Posts difundem declaração do empresário norte-americano Mike Lindell de que foram roubados 5,1 milhões de votos de Jair Bolsonaro, o que é falso.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, Mike Lindell, empresário americano apoiador de Donald Trump, afirma que 5,1 milhões de votos foram “roubados” de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições deste ano, mas não apresenta provas que sustentem essa acusação.

Não há qualquer indício de que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência foi manipulada. Em nota enviada ao Aos Fatos, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou que não foi constatado nenhum registro de fraude ou ataque ao sistema eleitoral, o que foi corroborado pelo presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, em plenário nesta quinta-feira (3).

Uma auditoria feita pelo TCU (Tribunal de Contas da União) tampouco encontrou irregularidades no pleito. No primeiro turno, o órgão comparou 5,8 milhões de informações extraídas de 4.161 BUs (boletins de urna) em papel, com a base de dados do TSE, e não encontrou divergências. No segundo turno, os auditores avaliaram 604 BUs e, novamente, não foi constatada discrepância. Os BUs são documentos emitidos em cada seção eleitoral após a conclusão da votação em uma urna eletrônica.

Em relatório parcial divulgado na segunda-feira (31), um dia após o segundo turno, uma comissão de observadores internacionais rechaçou a possibilidade de que tenham ocorrido incidentes graves que visassem alterações de resultados. A PF (Polícia Federal) afirmou que não houve registro de tentativas de fraudes em urnas. Segundo a lei eleitoral, qualquer organização pode requisitar os sistemas de votação para análise e verificação a todo momento e pelo período que julgar necessário.

No vídeo, Lindell defendeu a impressão do voto e alegou que ''cyber guys” (técnicos cibernéticos, em uma tradução livre) constataram o roubo ao monitorar as eleições, mas não forneceu evidências que sustentassem a acusação. O empresário não informou quem são os técnicos, nem como foi feito o monitoramento. Procurado por Aos Fatos, ele não respondeu.

Hoje, as urnas têm recursos que permitem auditoria, como o RDV (Registro Digital de Voto), e múltiplas camadas de segurança internas e externas, como a lacração com adesivos com código fabricado pela Casa da Moeda.

Referências:

1. TSE (Fontes 1, 2, 3, 4 e 5)
2. TCU (Fontes 1, 2 e 3)
3. Poder 360
4. UOL
5. Aos Fatos
6. TRE-SP

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