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É falso que 2020 registra a menor área queimada no Brasil dos últimos 18 anos

Por Luiz Fernando Menezes

28 de setembro de 2020, 16h06

Não é verdade que dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que 2020 registra a menor área queimada no Brasil dos últimos 18 anos, como alegam a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República) e o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) nas redes sociais (veja aqui). A interpretação enganosa é gerada pela comparação de dados consolidados de 12 meses com os apenas oito meses de 2020. Considerando só este período, a área de devastação atual é a oitava menor em 18 anos.

Publicada no sábado (26) no Twitter e no Instagram, a peça de desinformação repete a lógica de uma outra publicação desmentida pelo Aos Fatos. Ao todo, publicações do tipo reuniam mais de 1.000 compartilhamentos no Facebook. Todas as publicações de perfis pessoas e páginas que disseminaram a mesma afirmação foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação do Facebook (saiba como funciona).


FALSO

Publicações da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República) e do ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) nas redes sociais enganam ao comparar dados de queimadas de 12 meses de anos anteriores com os apenas oito meses de 2020 para alegar que a área devastada agora é a menor dos últimos 18 anos. Conforme explicado pelo Aos Fatos, tal tipo de comparação deve ser feita dentro dos mesmos períodos, justamente para evitar interpretações enviesadas.

Ao comparar os números registrados entre janeiro e dezembro nos anos de 2003 a 2019 com o período entre janeiro e agosto de 2020, as postagens ignoram quatro meses de dados. Além disso, historicamente, o segundo semestre registra números maiores de devastação por fogo no Brasil.

No Programa Queimadas do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais) é possível fazer o recorte mensal dos dados para realizar a comparação correta. Entre janeiro e agosto de 2020, foram registrados 121.318 km² de área queimada. Por mais que esse número não seja o maior da série histórica, ele é bem superior ao registrado em 2018 (76.514 km²).

Além disso, os números da área queimada em todo o território escondem o crescimento expressivo da devastação do Pantanal. Segundo a mesma base de dados, foram identificados 18.646 km² devastados no bioma no período entre janeiro e agosto deste ano. Trata-se da segunda maior área queimada registrada no bioma neste intervalo desde o início da série histórica, em 2003.

O Aos Fatos verificou que a comparação foi publicada, inicialmente, no dia 23 de setembro pela página Geografia Geral no Instagram e no Facebook. A peça não trazia a falsa afirmação de que o ano de 2020 seria o menor em área queimada, mas a página também não desmentiu seguidores que fizeram essa interpretação.

Mesmo após o Aos Fatos ter desmentido a publicação na sexta-feira (25), a Secom e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, compartilharam a peça de desinformação. A reportagem entrou em contato com os dois órgãos para abrir espaço para comentários, mas, até a publicação desta checagem, não houve retorno.

Referências:

1. Aos Fatos
2. Inpe

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