Não é verdade que o The New York Times publicou o conteúdo de uma delação em que o líder venezuelano Nicolás Maduro incrimina o presidente Lula (PT) e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Por meio de busca reversa, Aos Fatos encontrou o post original, que sinaliza que o conteúdo é inventado. Não há qualquer reportagem do tipo publicada no jornal americano.
As peças enganosas acumulavam 1 milhão de visualizações no YouTube, 860 mil visualizações no TikTok, 43 mil curtidas no Instagram e 1.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quarta-feira (21).
Jornal The New York Times vazou a primeira parte delação Maduro nos EUA. Lula citado 17 vezes. Moraes aparece ligado a esquema! US$ 432 milhões pra Brasil. Foro São Paulo lavava dinheiro para o narcotráfico. Moraes recebeu R$ 9 milhões da Venezuela via contrato com Vorcaro. Documentos, extratos, e-mails, gravações entregues

Diferentemente do que alegam posts nas redes, o The New York Times não publicou uma reportagem sobre uma suposta delação em que Maduro associa Lula e Moraes a esquemas de lavagem de dinheiro e ao narcotráfico.
Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos localizou o vídeo original, que foi publicado no YouTube. Na descrição da publicação, há um aviso de que se trata de um “conteúdo ficcional de entretenimento” (veja abaixo). Apesar do aviso, peças de desinformação nas redes têm replicado as alegações como se fossem verdadeiras.

Por meio de busca no acervo do The New York Times, Aos Fatos não encontrou nenhum registro sobre uma suposta delação feita por Maduro aos EUA. Também não há qualquer informação similar disponível em outros veículos de imprensa nacionais e internacionais ou em canais oficiais do governo americano.
O líder venezuelano e sua mulher, Cilia Flores, foram capturados pelo governo Trump no início de janeiro. Ambos passaram por audiência de custódia em Nova York logo após a prisão e se declararam inocentes dos crimes pelos quais são acusados, que incluem narcoterrorismo e posse de armamentos e explosivos.
A próxima audiência está marcada para 17 de março e consiste em uma sessão de pré-julgamento. Não há previsão para a conclusão do processo.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa de imagens, Aos Fatos encontrou o vídeo original, publicado no YouTube, e verificou que o conteúdo foi sinalizado como ficcional pelo criador.
Em seguida, a reportagem buscou no acervo do New York Times e nos canais oficiais do governo americano referências a uma suposta delação premiada atribuída a Maduro, mas não encontrou resultados.




