Não é verdade que um paciente infectado com o vírus Nipah foi atendido no Hospital Ouro Verde, em Campinas (SP), e posteriormente transferido para a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A secretaria de Saúde do município e a universidade desmentiram o boato. Não há casos confirmados da infecção fora da Índia.
As publicações enganosas somavam centenas de compartilhamentos no Facebook e de curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (4).
Urgente! Vírus da Índia chega ao Hospital Ouro Verde

Posts nas redes enganam ao afirmar que um paciente infectado pelo “novo vírus indiano” — uma referência ao Nipah — teria sido atendido no Hospital Ouro Verde, em Campinas, e posteriormente transferido para uma instituição vinculada à Unicamp.
A secretaria de Saúde do município paulista informou à imprensa que não foram registrados casos da infecção. A Unicamp também negou por telefone ao Aos Fatos que tenha atendido pacientes infectados pelo patógeno.
Em reportagem anterior, o Ministério da Saúde afirmou ao Aos Fatos que não há qualquer evidência de disseminação internacional do Nipah ou risco para a população brasileira. A OMS (Organização Mundial da Saúde) também tem dito, em comunicados oficiais, que a chance de um surto global do patógeno é baixa.
No fim de janeiro, Anais Legand, funcionária do Programa de Emergências de Saúde da OMS, afirmou que nenhuma das 190 pessoas que entraram em contato com os dois pacientes comprovadamente infectados na Índia testou positivo ou desenvolveu sintomas da doença.
A OMS também afirmou à Reuters que a Índia tem capacidade de conter surtos do vírus e que ainda não há evidências de aumento na transmissão de pessoa para pessoa.
Mpox. É fato, no entanto, que Campinas registrou casos recentes de Mpox, como é citado na legenda de alguns dos posts enganosos. Desde o início do ano, o município acumula três casos confirmados e três suspeitos, segundo dados do governo paulista. Em 2025, foram 198 notificações e 37 casos confirmados.
A Mpox não tem relação com o Nipah. Além de serem vírus diferentes, os dois patógenos também possuem hospedeiros e sintomas distintos. A Mpox é caracterizada por erupções cutâneas ou lesões na pele, que geralmente se concentram no rosto, nas palmas das mãos e nas solas dos pés.
Já no caso do Nipah, os sintomas são semelhantes a uma virose, com eventuais agravamentos que incluem encefalite (inflamação no cérebro) e morte.
O caminho da apuração
Aos Fatos reuniu as publicações que citavam atendimentos em Campinas e verificou os hospitais mencionados para checar a existência de registros de pacientes com o vírus Nipah. A reportagem conferiu comunicados e posicionamentos institucionais sobre casos suspeitos ou confirmados.
Em seguida, analisamos informações oficiais sobre a circulação do vírus no país e comparamos as alegações com dados sobre Mpox citados nos posts, diferenciando os dois vírus quanto a sintomas, hospedeiros e histórico recente de notificações no município.




