É falso que agressores do cão Orelha serão julgados por júri popular

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Não é verdade que os agressores de Orelha, cão comunitário que vivia em Florianópolis (SC), foram identificados e serão julgados por meio de júri popular. A Polícia Civil segue investigando o caso, mas ainda não há indiciados. Além disso, o Tribunal do Júri avalia apenas crimes dolosos contra a vida humana, o que não inclui maus-tratos contra animais.

O conteúdo enganoso acumulava cerca de 50 mil visualizações no TikTok até a tarde desta segunda-feira (2).

Os agressores do cão Orelha serão julgados por júri popular. Saiba agora como se candidatar

Imagem em formato vertical com fundo predominantemente escuro. Na parte superior, há uma faixa preta com texto em letras brancas e maiúsculas que diz CASO CÃO ORELHA JULGAMENTO. Abaixo, aparece um estúdio de telejornal com dois apresentadores sentados atrás de uma bancada de vidro. À esquerda, um homem veste terno cinza, camisa branca e gravata escura, com folhas de papel sobre a bancada. À direita, uma mulher usa roupa preta de mangas longas, óculos de armação escura e também tem papéis sobre a bancada. Ao fundo, há um grande painel azul com um mapa-múndi estilizado em pontos luminosos e as letras JN em destaque no centro. Na parte inferior da imagem, aparecem duas imagens menores lado a lado: à esquerda, um cachorro marrom correndo em uma praia segurando uma bola verde na boca, com o texto JUSTIÇA POR ORELHA em letras brancas; à direita, um fundo branco com um laço preto de luto e a palavra LUTO em letras pretas maiúsculas.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que os agressores do cão Orelha serão julgados por meio de júri popular. Conforme determina o art. 5º da Constituição Federal, o Tribunal do Júri avalia exclusivamente crimes dolosos contra a vida — o que não inclui maus-tratos a animais.

Outro ponto ignorado pelos posts enganosos é que os suspeitos investigados pela agressão ao cão são adolescentes. De acordo com a legislação brasileira, menores de 18 anos são inimputáveis, ou seja, não respondem por crimes, mas por atos infracionais análogos a crimes.

Nesses casos, não existe julgamento por Tribunal do Júri, e eventuais responsabilizações seguem as regras do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Segundo a legislação penal brasileira, apenas cinco crimes podem ser submetidos ao Tribunal do Júri:

  • Homicídio;
  • Induzimento, instigação ou auxílio por terceiro ao suicídio;
  • Infanticídio;
  • Aborto;
  • Crimes conexos (infrações cometidas junto do crime doloso).

O Tribunal do Júri é composto por um juiz e por um corpo de jurados formado por cidadãos leigos. Ao todo, 25 jurados são convocados, dos quais sete são sorteados para integrar o Conselho de Sentença, responsável por decidir pela condenação ou absolvição do réu.

Inteligência artificial. Para sustentar as alegações enganosas, os posts exibem um trecho de um suposto telejornal. Diversos indícios apontam que a gravação foi gerada por IA:

Imagem em fundo branco composta por duas imagens retangulares com cantos arredondados, posicionadas lado a lado. À esquerda, há um cenário de telejornal com dois apresentadores sentados atrás de uma bancada de vidro. Um homem está à esquerda usando terno cinza, camisa branca e gravata escura, com folhas de papel sobre a bancada. À direita, uma mulher veste roupa preta, usa óculos de armação escura e também tem papéis à sua frente. Ao fundo, há um grande painel azul com um mapa-múndi formado por pontos luminosos e, ao centro, letras grandes com as iniciais JN. Sobre essa imagem aparecem três círculos brancos numerados: o número 1 está próximo ao logotipo JN, o número 2 está sobre o tronco do apresentador à esquerda e o número 3 aparece no canto inferior direito da imagem, destacado por um círculo laranja. À direita da composição principal, há outra imagem de um estúdio de telejornal semelhante, com dois apresentadores atrás de uma bancada curva, um homem à esquerda e uma mulher à direita, ambos sorrindo, com um fundo azul com mapa-múndi e as letras JN. No canto inferior dessa imagem está o texto divulgação Jornal Nacional. Abaixo das imagens, há um bloco de texto numerado de 1 a 3, em preto, explicando cada um dos números indicados na imagem da esquerda. No canto inferior direito da página há um pequeno logotipo preto com as letras af.

Além disso, é possível notar uma falta de sincronia entre a voz e os movimentos da boca dos apresentadores, que também têm um ritmo de fala pouco natural.

Entenda o caso. O cão Orelha era conhecido como um dos mascotes da Praia Brava, bairro nobre de Florianópolis. Segundo relatos, ele desapareceu e foi encontrado dias depois agonizando por um dos moradores que cuidavam dele. O animal foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, não resistiu e passou por eutanásia.

A morte de Orelha gerou forte comoção, com protestos realizados no domingo (1º) em diversos estados e ampla repercussão nas redes, além de manifestações públicas de artistas, influenciadores e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

Desde o início das investigações, circulam nas redes informações sobre supostos vídeos que mostrariam as agressões. No entanto, a Polícia Civil reiterou que não possui imagens que registrem diretamente os maus-tratos sofridos por Orelha. O caso segue em análise e, até o momento, mais de 20 pessoas foram ouvidas. Três adolescentes estão sendo investigados.

O caminho da apuração

Aos Fatos analisou quadro a quadro a suposta reportagem compartilhada nas redes e constatou que ela foi gerada por inteligência artificial.

Além disso, consultamos a legislação brasileira sobre o funcionamento do Tribunal do Júri, além das regras aplicáveis a menores de idade previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Também foram consideradas informações oficiais divulgadas pela Polícia Civil de Santa Catarina sobre o andamento das investigações.

Referências

  1. g1 (1 e 2)
  2. Governo federal (1 e 2)
  3. TJPE
  4. CNN Brasil
  5. Uol
  6. Instagram (@janjalula)

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