É falso que advogado de ex-chefe da Marinha admitiu que Bolsonaro teria dado ‘curso prático de golpe’

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Não é verdade que o advogado Demóstenes Torres afirmou durante o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) na última terça-feira (25) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria dado um “curso prático de golpe”. As peças de desinformação recortam um trecho da gravação para omitir que o advogado do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, citava uma frase presente na denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Publicações com o conteúdo descontextualizado acumulavam 35 mil visualizações no Kwai e centenas de curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (26). Os posts enganosos também circulam no TikTok.

A casa caiu! Advogado do almirante Garnier delata Bolsonaro ao vivo e em cores. Ele revelou que quem deu ‘curso prático de golpe’ foi o ex-presidente.

Print de publicação no Instagram mostra em primeiro plano Demóstenes Torres, homem branco, calvo, vestido com toga preta, terno preto, camisa branca e gravata azul, segurando papéis diante de um púlpito. Ao fundo, várias pessoas de terno estão sentadas, algumas observando a cena. No topo da imagem, há um grande título em branco: ‘A casa caiu!’. Abaixo, um texto em letras maiúsculas diz: ‘Advogado do almirante Garnier delata Bolsonaro ao vivo e em cores. Ele revelou que quem deu ‘curso prático de golpe’ foi o ex-presidente.

O advogado e ex-senador Demóstenes Torres citava uma frase presente na denúncia da PGR quando mencionou a expressão “curso prático de golpe”. O trecho em que a expressão é citada tem circulado fora de contexto nas redes para sugerir que Torres teria atacado Bolsonaro durante a sessão do STF da última terça (25).

No momento em que menciona o termo, o advogado do almirante Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, faz referência ao que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, classifica como o início da trama golpista. O marco teria ocorrido em 29 de julho de 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro realizou uma transmissão ao vivo para atacar o sistema eleitoral brasileiro. A citação está presente na página 9 da denúncia.

Diferentemente do que sugerem os posts, ao mencionar “curso prático”, a denúncia não trata literalmente de um curso, mas sim da tentativa de Bolsonaro e aliados de colocar em prática a proposta de deslegitimar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral.

Confira abaixo o trecho completo da fala de Torres:

“A organização [criminosa], segundo sua excelência, o procurador-geral de Justiça, ela foi constituída no dia 29 de setembro de 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro teria feito uma live de dentro do Palácio do Planalto, dando curso prático ao plano de insurreição. Então, segundo sua excelência, teria começado ali e isso durou até o dia 8 de Janeiro de 2023, que é a data da manifestação popular ou da insurreição”.

A 1ª Turma do STF formou maioria por 5 votos a 0 e decidiu tornar réus na manhã desta quarta-feira (26) o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados por supostamente tramarem um golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022. Conforme Aos Fatos explicou, os denunciados respondem por cinco crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O caminho da apuração

Aos Fatos assistiu à arguição do advogado Demóstenes Torres, que defende o almirante e ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, e constatou que sua fala foi tirada de contexto. No trecho omitido, Torres atribui ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma citação presente na página 9 da denúncia da PGR.

Também foram usadas reportagens publicadas na imprensa para contextualizar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus pela trama golpista.

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