É de 2024, não atual, vídeo que mostra soltura de presos políticos na Venezuela

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Foi gravado em 2024, não após a captura recente de Nicolás Maduro pelas forças americanas, um vídeo que circula nas redes em que presos políticos são libertados na Venezuela. Na época, o governo anunciou a soltura de ao menos cem pessoas detidas por participarem de protestos contra suspeitas de fraude nas eleições do país.

As peças enganosas acumulavam 1,6 milhão de visualizações no X, 350 mil visualizações no TikTok, 135 mil curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (12).

Presos políticos começam a ser libertados na Venezuela em movimento histórico [após a prisão de Nicolás Maduro].

Imagem mostra uma cena ao ar livre durante o dia em que três homens adultos se abraçam no centro do enquadramento. Um deles, de pele clara, usa boné escuro, óculos de sol e camiseta branca; outro, de pele clara e cabelo raspado, veste camiseta escura; o terceiro, também de pele clara, aparece parcialmente atrás, usando camiseta escura e óculos. Eles estão próximos a veículos estacionados, com árvores e construções ao fundo. Sobre a imagem, há uma faixa preta com texto em letras brancas que diz ‘Presos políticos começam a ser libertados na Venezuela em movimento histórico.’

Posts nas redes têm compartilhado como recente um vídeo antigo que mostra a soltura de presos políticos na Venezuela para alegar que se trata de uma consequência da recente captura do líder do país, Nicolás Maduro, pelos EUA. Aos Fatos verificou que o registro foi gravado em novembro de 2024 (confira aqui e aqui).

Naquele ano, Maduro anunciou a libertação de ao menos cem presos políticos, detidos em julho durante protestos contra o resultado das eleições presidenciais. O líder venezuelano se reelegeu em meio a suspeitas de fraude que levaram a comunidade internacional a contestar o resultado do pleito.

Os números oficiais divulgados na época pelo governo correspondiam às estimativas feitas pela ONG venezuelana Foro Penal, que há mais de uma década monitora os casos de perseguição política no país.

É fato, no entanto, que houve um anúncio de libertação de presos na Venezuela após a recente captura de Maduro. Na quinta-feira (8), após pressão americana, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anunciou, sem dar números exatos, a soltura de alguns detidos como um “gesto de paz”.

No dia seguinte, o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela, organização que acompanha a situação de pessoas perseguidas no país, denunciou que a libertação não tinha sido concretizada de forma verificável ou transparente. Tanto o comitê quanto o Foro Penal confirmavam menos de dez solturas até então.

Desde quinta até a publicação desta checagem, o governo venezuelano afirma ter libertado 116 pessoas. O número é contestado pelo Foro Penal, que confirma apenas 41 solturas. Há, segundo organizações que atuam na Venezuela, entre 800 e 1.200 pessoas presas por motivos políticos.

Também desde quinta, parentes de presos têm feito vigílias (confira aqui e aqui) em diversos centros de detenção espalhados pelo país à espera de eventuais solturas.

Prisão. Maduro e sua mulher foram capturados pelas forças americanas no sábado passado (3), em meio a ataques que atingiram a capital Caracas e outras cidades do país. Em audiência de custódia realizada no dia 5, o líder venezuelano se declarou inocente de todos os crimes dos quais é acusado, que incluem narcoterrorismo e posse de armamentos.

Após a prisão, quem assumiu interinamente o governo foi a vice-presidente, Delcy Rodríguez. Em uma tentativa de restabelecer as relações diplomáticas com os EUA, ela anunciou na semana passada o envio de uma delegação a Washington.

Uma missão enviada por Donald Trump também já visitou a Venezuela. Os dois países anunciaram na sexta (9) que cogitam a retomada do diálogo.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou busca reversa de imagens para identificar a data e o contexto original do vídeo compartilhado nas redes. A reportagem localizou registros anteriores que confirmam que as imagens foram gravadas em novembro de 2024.

Em seguida, consultamos comunicados oficiais do governo venezuelano e cruzamos essas informações com dados divulgados por organizações que monitoram presos políticos no país, como o Foro Penal e o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela. Também foram analisadas reportagens da imprensa.

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