Na crise com Mandetta, nove dos dez tweets mais populares de congressistas são negativos para Bolsonaro

Por Marina Gama Cubas e Bárbara Libório

10 de abril de 2020, 17h10


O debate provocado por deputados e senadores no Twitter sobre o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, contemplou mais críticas ao presidente Jair Bolsonaro do que ao titular da pasta. Análise feita pelo Radar Aos Fatos com base em 123 tweets publicados pelos congressistas entre os dias 30 de março e 7 de abril, que mencionavam o ministro da Saúde ou sua pasta, mostra que, das dez postagens mais populares, nove continham menções negativas a Bolsonaro. No total, 61 tweets continham críticas a Bolsonaro (49,6%) enquanto 46 (37,4%) traziam mensagens de apoio a Mandetta.

Nesta análise, os tweets dos políticos foram divididos em seis categorias, podendo uma única postagem conter mais de uma classificação: apoio a Bolsonaro; crítica a Bolsonaro; apoio a Mandetta; crítica a Mandetta; crítica a Osmar Terra (apontado como provável sucessor de Mandetta); e outros assuntos -- que inclui menções ao ministro da Saúde sem juízo de valor, postagens informativas ou autopropaganda do congressista.

O número de publicações variou diariamente conforme avançavam o noticiário do coronavírus e os atritos entre ministro e presidente. As manifestações no Twitter atingiram o ápice (41% dos posts) na segunda-feira (6), quando o jornal O Globo noticiou a intenção de Bolsonaro de demitir o ministro, o que não se concretizou.

Naquele dia, os tweets desfavoráveis ao presidente predominaram, especialmente nas críticas à possível demissão de Mandetta.

Entre as dez postagens mais retuitadas pelos parlamentares no período analisado, a campeã foi uma do deputado Carlos Jordy (PSL-RJ), vice-líder do governo na Câmara, em que apoia o presidente. Ele publicou trecho de uma entrevista coletiva do ministro da Saúde, ocorrida dia 28 de março, em que Mandetta concorda com a fala de Jair Bolsonaro sobre a importância da economia em meio a pandemia do coronavírus.

As outras noves postagens mais compartilhadas traziam críticas ao presidente e foram feitas por congressistas dos partidos PT, PSOL e PDT.

No total das 123 publicações analisadas, 31 eram de parlamentares do PT, 19 do PSDB e 12 do Podemos.

O deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), ex-apoiador que rompeu com Bolsonaro, foi quem mais tweetou sobre Mandetta enquanto citava também o presidente -- foram dez tweets que continham, entre eles, críticas a Bolsonaro, apoio a Mandetta e informações citando o ministro. Com sete publicações, o senador Humberto Costa (PT-PE) ficou em segundo lugar.

Rachada, a base de apoio do governo no Congresso preferiu defender Mandetta a atacar Bolsonaro. Até entre os 11 tweets de parlamentares do seu antigo partido, o PSL, quatro continham críticas ao presidente e seis eram favoráveis às decisões de Mandetta.

Já o PT, opositor do governo Bolsonaro, evitou publicar apoio ou elogios à postura do ministro da Saúde -- de 31 tweets, apenas dois eram positivo. O foco dos congressistas da legenda foi o ataque ao presidente, somando 25 críticas.

Colaborou Bruno Fávero


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