Fala de Bolsonaro sobre manifestações ‘bem-vindas’ infla grupos golpistas nas redes

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Esta reportagem foi feita numa colaboração entre Agência Pública, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo para a cobertura das eleições de 2022. A republicação só é permitida com a atribuição de crédito para todas as organizações.


Quase dois dias após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmar o resultado da eleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas, fez um discurso no Palácio do Alvorada nesta terça (1º) em que não citou o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e reconheceu manifestações golpistas como “bem-vindas” e “fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral”.

A fala foi interpretada como sinal de apoio por parte dos manifestantes, que radicalizaram o discurso nas redes. Correntes no Telegram que incentivam os bloqueios contra o resultado eleitoral e a favor de uma intervenção militar foram enviadas mais de 200 vezes após a fala do presidente nas comunidades monitoradas pelo Radar Aos Fatos.

“Em nenhum momento houve QUALQUER INDICAÇÃO CLARA do presidente da República sobre o reconhecimento do resultado. Os protestos tendem a se intensificar a partir desta terça-feira, levando MILHÕES de brasileiros às ruas”, afirma uma das correntes, encaminhada 19 vezes desde o pronunciamento.

Outro texto apontava “recados subliminares” de Bolsonaro, entre eles que “a eleição foi fraudada com aval do STF/TSE” e que, ao dizer que respeita a Constituição, o presidente estaria se referindo ao artigo 142 — que é falsamente interpretado como uma previsão legal para que haja intervenção militar.

No Instagram, um vídeo de 18 minutos do influenciador Pablo Marçal (Pros-SP) — que foi eleito deputado federal, mas teve a candidatura indeferida pelo TSE —, com a legenda “entenderam o recado do presidente?”, teve 400 mil visualizações em cerca de uma hora. Marçal convocou apoiadores de Bolsonaro a irem às ruas nesta quarta (2).

Antes da fala. Desde que o presidente anunciou que falaria em coletiva de imprensa marcada para as 16h, mais de 30 mensagens já orientavam os manifestantes a não recuarem mesmo se Bolsonaro pedisse, somando 163 compartilhamentos.

“AVISO IMPORTANTE!! Se o Presidente Bolsonaro falar ou pronunciar algo sobre as eleições fiquem atentos. Faz parte do protocolo tais palavras...Está tudo dentro do planejado. Desconsiderar as falas e pedir Intervenção Militar!", dizia uma delas.

As correntes mantêm o tom golpista das mensagens que especulavam sobre o silêncio do presidente, que durou mais de 44 horas desde que o resultado foi anunciado pelo TSE.

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