Bolsonaristas têm alegado que a prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes neste sábado (22) seria uma forma de desviar a atenção das acusações de fraude contra o Banco Master, cuja liquidação ocorreu na última terça (18). Posts nas redes que compartilham a teoria conspiratória já somam mais de 400 mil visualizações.
As tentativas de relacionar o caso do Master a Moraes circulam desde terça. O ponto de contato seriam os familiares do magistrado: em abril, a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, noticiou que o escritório Barci de Moraes, onde trabalham a mulher do ministro e seus dois filhos, teria sido contratado por Vorcaro para uma negociação. De acordo com o texto, Viviane Barci de Moraes representaria o Master em “algumas poucas ações”.
Esse texto foi recuperado tanto por sites de direita quanto por bolsonaristas nas redes nos dias seguintes à prisão de Vorcaro para atacar o ministro. Alguns posts pediam, por exemplo, que houvesse uma “CPI do Banco Master” (veja abaixo) e questionavam por que Moraes não teria comentado o caso.

Com a prisão preventiva de Bolsonaro no início da manhã deste sábado (22), os bolsonaristas intensificaram os ataques para sugerir que tudo não passaria de uma “cortina de fumaça” para esconder o escândalo.
Aos Fatos identificou publicações com essa sugestão desde às 6h13 da manhã de hoje. No Instagram, por exemplo, o argumento circula desde às 8h.
O post mais viral sobre o tema, no entanto, foi publicado por volta das 10h pelo pastor Silas Malafaia. O vídeo, que foi disseminado nas redes oficiais do religioso (veja abaixo), acumulava mais de 120 mil interações e centenas de milhares de visualizações até o início da tarde deste sábado (22).

Por mais que Viviane de Moraes tenha, de fato, prestado serviços para o Banco Master, os ataques bolsonaristas omitem que Vorcaro tinha relações com diferentes espectros da política nacional.
Conforme detalhado por veículos da imprensa (veja aqui e aqui), o Banco Master tem relação com deputados, senadores e ministros ligados tanto ao presidente Lula (PT) quanto a Bolsonaro:
- O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e os ex-ministros Henrique Meirelles e Guido Mantega já atuaram como consultores do banco;
- O senador Ciro Nogueira (PP-PI) atuou contra uma CPMI que investigaria o Master e tentou, no ano passado, aprovar uma emenda que aumentaria a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para o CDB — decisão que beneficiaria a instituição de Vorcaro;
- Vorcaro também patrocinou diferentes eventos internacionais que contaram com participação de ministros do STF e congressistas;
- A ex-deputada Flávia Peres — antes conhecida como Flávia Arruda — é casada com Augusto Lima, sócio de Vorcaro, que também foi preso na operação da PF. Flávia foi ministra da Secretaria de Governo da Presidência durante a gestão de Bolsonaro;
- O cunhado de Vorcaro, o banqueiro Fabiano Campos Zettel, doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e R$ 3 milhões para a de Bolsonaro em 2022.
O caminho da apuração
Aos Fatos mapeou as publicações que relacionavam o ministro Alexandre de Moraes ao caso do Banco Master por meio de buscas nas principais plataformas, identificando os conteúdos mais disseminados e os horários em que passaram a circular. Foram analisados vídeos e imagens que mencionavam familiares do ministro, e foi realizada busca por reportagens citadas nos posts para verificar o contexto original.
Em seguida, a reportagem cruzou informações divulgadas nos posts com dados públicos disponíveis sobre o Banco Master, consultando registros oficiais, matérias jornalísticas e documentos que detalham relações do banco com diferentes atores políticos.




