Posts nas redes têm compartilhado mentiras para disputar a paternidade política da ponte sobre o rio Araguaia, que liga São Geraldo do Araguaia (PA) a Xambioá (TO). Enquanto apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) mentem que a construção teria sido finalizada durante o mandato do ex-presidente, eleitores de Lula (PT) fazem o mesmo ao alegar que as obras teriam ficado paradas por quatro anos durante a gestão anterior.
As peças enganosas somavam 325 mil visualizações no X e 4.500 compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (5).
População batizou com nome de Jair Bolsonaro ponte que ele deixou pronta e Lula demorou 3 anos para liberar.

Não é verdade que a ponte sobre o rio Araguaia foi concluída durante o governo Bolsonaro e teve sua inauguração atrasada em três anos por conta da gestão de Lula. As peças omitem que cerca de 30% das obras ocorreram durante o atual mandato e que o adiamento na inauguração ocorreu por questões licitatórias.
Linha do tempo da obra
Principais marcos da construção da ponte sobre o rio Araguaia desde 2017.
Assinada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). Na época, a ponte era apontada como um fator de avanço na logística da BR-153.
Uma das empresas que disputava a licitação conseguiu uma liminar no STF (Supremo Tribunal Federal), que embargou a obra.
Após decisão favorável, obras recomeçaram.
Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) informa que obras estão 70% concluídas.
Dnit afirma que “100% da infraestrutura em lâmina d’água” — estrutura que fica abaixo do nível da água — tinha sido finalizada. Não é informado, no entanto, o percentual total de conclusão.
Governo informa que construção da estrutura estava 87,53% concluída.
Percentual avança para 99,16%. Conclusão total do empreendimento, que contempla também os acessos à ponte, no entanto, estava em 87,2%, em razão da finalização de projetos e desapropriações.
Em nota à imprensa, Dnit informa que obras estão 95% prontas. Ainda faltavam, no entanto, os acessos à estrutura, que não tinham sido construídos em razão de atrasos no pagamento de indenizações a proprietários dos terrenos que foram desapropriados.
Ponte é inaugurada por Lula.
- A autorização para a construção foi assinada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) em setembro de 2017. A ponte era apontada como um fator de avanço na logística da BR-153, considerada a principal via de escoamento da produção regional;
- Na época, no entanto, uma das empresas que disputava a licitação conseguiu uma liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que embargou a obra;
- Os trabalhos foram retomados em abril de 2020, quando foi obtida uma decisão favorável para a construção;
- Em agosto de 2022, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) informou que as obras estavam 70% concluídas;
- Meses depois, em dezembro, o órgão afirmou que “100% da infraestrutura em lâmina d’água” — estrutura que fica abaixo do nível da água — tinha sido finalizada. Não foi informado, no entanto, o percentual total de conclusão;

- Em julho de 2023, o governo Lula informou que a construção da estrutura estava 87,53% concluída.
- No ano seguinte, o percentual avançou para 99,16%. A conclusão total do empreendimento, que contemplava também os acessos à ponte, no entanto, estava em 87,2%, em razão da finalização de projetos e desapropriações;
- Em fevereiro de 2025, o Dnit afirmou, em nota à imprensa, que as obras estavam 95% prontas. Ainda faltavam os acessos à estrutura, que não tinham sido construídos em razão de atrasos no pagamento de indenizações a proprietários dos terrenos que foram desapropriados.
- A ponte foi inaugurada por Lula em novembro do ano passado.
As peças de desinformação alegam que a ponte se chamaria Jair Bolsonaro. Em busca em canais oficiais, Aos Fatos não encontrou informação que corroborasse com as alegações.
É fato, no entanto, que a construção tem sido chamada há meses nas redes por um radialista local como “Ponte Jair Bolsonaro”.
Críticas. Desde a inauguração, moradores têm reclamado que a ponte foi inaugurada de forma incompleta, com acessos provisórios e sem iluminação pública.
Em resposta às críticas, o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), afirmou que ainda haverá ajustes, com a construção de um anel viário e com a instalação de luzes. Não há, no entanto, uma data prevista para que isso aconteça.
Lula entregou ponte no Tocantins, que Bolsonaro deixou parada por 4 anos

Também é falso que o governo Bolsonaro deixou as obras da ponte sobre o rio Araguaia paradas por quatro anos. Conforme explicado acima, a licitação ficou paralisada em razão de disputas judiciais entre setembro de 2017 — penúltimo ano do governo Temer — e abril de 2020.
Documentos publicados pelo governo federal e posts feitos nas redes pelo então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, (Republicanos) entre 2020 e 2022 atestam o avanço das obras (veja aqui, aqui e aqui).
Começando nossa quarta com imagens da Ponte de Xambioá sobre o Araguaia, BR-153. Ligação Tocantins-Pará. Obra iniciada pelo Governo @JairBolsonaro, dentro do cronograma e conclusão em 22. Mais uma balsa a ser eliminada em rodovia federal, mais uma rota de integração nacional pic.twitter.com/nj8GqpXT6r
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) October 13, 2021
A construção chegou a cerca de 70% de execução em 2022, último ano da gestão Bolsonaro. Os 30% restantes foram concluídos durante o governo Lula, que inaugurou a estrutura em novembro do ano passado.
O caminho da apuração
Aos Fatos reuniu as publicações e checou a cronologia administrativa da obra, identificando autorizações, entraves licitatórios e decisões judiciais que afetaram o início e o ritmo dos trabalhos. A reportagem analisou comunicados oficiais e informes técnicos para verificar percentuais de execução ao longo dos anos.
Em seguida, confrontamos alegações de paralisação com registros públicos de andamento, incluindo dados de execução por etapa e evidências visuais disponíveis até o fim de 2022. Por fim, verificamos informes posteriores sobre a conclusão dos acessos e a data de inauguração para estabelecer quando a obra foi efetivamente entregue.




