Dino não defendeu desmilitarização das polícias após operação no Rio de Janeiro

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Não é verdade que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino afirmou no X que a operação no Rio na última terça-feira (28) foi um crime contra a humanidade e que é necessário desmilitarizar as polícias. As peças enganosas compartilham uma montagem atribuída ao magistrado, que negou ter feito declarações similares.

As publicações enganosas somavam centenas de compartilhamentos no Facebook e no X até a tarde desta quinta-feira (30).

O que a polícia do Rio de Janeiro fez hoje é um dos maiores crimes contra a humanidade já vistos na face da Terra. Tomaremos medidas drásticas contra os criminosos! Chegou a hora de discutir sobre a desmilitarização das polícias do país. A população pobre e preta deste país não pode ser refém desse tipo de força [Flávio Dino].

A imagem mostra uma publicação no X com texto crítico acompanhada de uma captura de tela de um suposto post atribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Na montagem, aparece a foto de um homem de pele negra, cabelo curto e escuro, vestindo terno cinza e camisa azul clara. O texto da captura é apresentado como se tivesse sido publicado no perfil verificado do ministro.

Posts nas redes têm compartilhado uma montagem que atribui ao ministro Flávio Dino uma publicação crítica à megaoperação ocorrida no Rio de Janeiro na última terça (28). De acordo com os posts enganosos, o magistrado teria classificado a ação como “um dos maiores crimes contra a humanidade” e defendido a desmilitarização das polícias.

Há diversos elementos que permitem apontar que a publicação atribuída a Dino é uma montagem:

  • O formato de data e hora é diferente do que é adotado pelo X (veja abaixo);
  • O contador de visualizações também está fora do padrão da rede social (veja abaixo);
  • Há a presença de uma espécie de sombra atrás do texto, o que indica que o conteúdo original do post foi recortado e substituído.
A imagem mostra capturas de tela de publicações feitas na rede social X (antigo Twitter) envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Em uma delas, Dino, homem de pele clara e cabelo curto escuro, veste toga preta e camisa branca com gravata vermelha. A publicação exibe o texto ‘Flávio Dino elenca desafios jurídicos para concretização do direito à saúde’ e inclui uma imagem com símbolos ligados à Justiça e à saúde ao fundo. As demais capturas mostram comentários e respostas de usuários criticando o ministro, com trechos que mencionam o Partido dos Trabalhadores e acusações de cunho político.
Imagem mostra o comparativo entre uma publicação verdadeira de Flávio Dino (à esq.) e uma falsamente atribuída ao magistrado (à dir.)

Em suas redes, Dino também negou a autoria do texto. “Jamais fiz tal postagem. Além de tudo, com erros gramaticais e mal escrita”, afirmou. “Deplorável que desprezem as dificuldades dos moradores, dos profissionais da Segurança e de todos que sofrem no Rio de Janeiro. Estes têm a minha solidariedade e respeito”, continuou o ministro.

Na última quarta-feira (29), o magistrado classificou a operação no Rio de Janeiro como uma “circunstância terrível e trágica” durante o julgamento que analisa se o Estado deve responder civilmente por danos causados pela ação policial em manifestações.

O magistrado disse que o debate "não se trata jamais de julgar a favor ou contra a polícia como instituição", mas de assegurar que sua atuação ocorra dentro da legalidade e dos limites do Estado de Direito. Dino também afirmou que a Corte não legitima o que chamou de “vale-tudo com corpos estendidos e jogados no meio da mata”.

O caminho da apuração

Aos Fatos realizou buscas no X e no Facebook para identificar a origem e a circulação das publicações que atribuíam a Flávio Dino as declarações sobre a operação no Rio de Janeiro. Foram analisados elementos gráficos, como data, hora e número de visualizações, e feita uma comparação com o padrão visual adotado pela plataforma.

A reportagem também consultou perfis oficiais do ministro nas redes e analisou registros de suas declarações públicas. Por fim, conferimos trechos do julgamento no STF em que o magistrado comentou a operação para contextualizar o que de fato foi dito.

Referências

  1. Migalhas (1 e 2)
  2. Agência Brasil

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