Dilma e Aécio não se alternaram 241 vezes na liderança do 2º turno da eleição de 2014

Por Luiz Fernando Menezes

21 de julho de 2022, 17h44

É falsa a informação de que os dados do segundo turno das eleições presidenciais de 2014 mostram que Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se alternaram 241 vezes seguidas na liderança, o que seria um indicativo de fraude, como afirma um vídeo nas redes sociais (veja aqui). A alegação enganosa usa uma fórmula incorreta que resultaria em alternância não importando os números de votos de cada candidato. No resultado oficial, a petista só ultrapassou o tucano uma vez antes de vencer o pleito.

As postagens enganosas usam um trecho de um vídeo que circulou originalmente nas redes em 2018. Após a apresentação do presidente Jair Bolsonaro (PL) a embaixadores na segunda-feira (18), no entanto, a informação falsa voltou a circular, acumulando ao menos 50 mil visualizações no TikTok e centenas de compartilhamentos no Facebook nesta quinta-feira (21).


Selo falso

E aqui temos Dilma, Aécio, Dilma, Aécio, Dilma, Aécio. Quantas vezes, Naomi? 241 vezes Dilma, Aécio.

Vídeo mente ao dizer que Dilma e Aécio se revezaram 241 vezes na liderança do segundo turno de 2014

É enganoso o vídeo em que um homem não identificado afirma que os dados de votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2014 apresentariam padrão que comprovaria a existência de fraude no pleito. Segundo a gravação, Dilma Rousseff e Aécio Neves teriam se alternado 241 vezes na liderança, o que seria praticamente impossível estatisticamente.

A apuração minuto a minuto das eleições daquele ano disponibilizada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra, na verdade, que só houve uma alternância da liderança. Aécio liderava até às 19h31, quando a petista o ultrapassou. No final da apuração, às 2h13, Dilma foi reeleita com 51,64% dos votos.

Gráfico mostra que Aécio estava na liderança até às 19h31, quando foi ultrapassado por Dilma.
Minuto a minuto. Apuração dos votos mostra que houve alternância da liderança entre Dilma e Aécio apenas uma vez durante a totalização (TSE/Reprodução)

Conforme explicaram especialistas consultados pelo Aos Fatos em checagem anterior, a tabela mostrada no vídeo é resultado de uma fórmula incorreta que faz com que os números indiquem alternância de qualquer maneira, não importa o número de votos que cada candidato obteve naquele minuto. Conrado Gouvêa, doutor em Ciência da Computação pela Unicamp inseriu dados aleatórios e o resultado foi idêntico, por exemplo.

Em nota, o TSE afirmou que “ao contrário do que foi apontado pelos autores, a alternância das vantagens também não constitui indício da inexistência de tendências no desempenho dos candidatos. Tal constatação decorre do fato de que não estão sendo avaliadas as magnitudes dessas variações, mas somente as frequências de suas ocorrências”.

A peça de desinformação usa um trecho do vídeo divulgado por Naomi Yamaguchi, candidata a deputada federal derrotada em 2018, no qual os resultados das eleições de 2014 são questionados por dois homens não identificados. O vídeo completo foi desmentido, à época, pela Agência Pública.

Referências:

1. Aos Fatos
2. TSE


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