Luiz Fernando Menezes/Aos Fatos

Desenhamos dicas para você se prevenir de golpes no WhatsApp

Por Luiz Fernando Menezes

17 de janeiro de 2020, 13h15


Relatos de um golpe no qual criminosos roubam a conta de WhatsApp de um usuário para pedir dinheiro de seus contatos tem aparecido com frequência nas redes sociais e na imprensa desde o final do ano passado. Segundo o Google Trends, que quantifica os termos mais digitados no site de buscas, o interesse por pesquisas como “golpe whatsapp” e “whatsapp clonado” crescem desde dezembro de 2019.

Nas últimas semanas, atrizes como Isis Valverde e Sheron Menezzes, por exemplo, tiveram seus nomes usados como isca pelos golpistas para convencer usuários a enviar informações de acesso a sua própria conta no aplicativo. Jornalistas também caíram na fraude.

Esse não é o único tipo de golpe que pode ser aplicado por meio de aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram e, para ajudar os leitores do Aos Fatos a se prevenirem, desenhamos dicas de segurança que podem ser adotadas:


Golpes no WhatsApp não são raros nem recentes. Segundo pesquisa da PSafe publicada em agosto de 2019, estima-se que 8,5 milhões de brasileiros já tiveram sua conta no aplicativo clonada. Desses casos, a maior parte foi vítima de vazamento de conversas privadas (26,7%), teve a conta usada para enviar links de golpes para seus contatos (26,6%) ou para extorquir dinheiro de amigos e familiares (18,2%).

Esse último caso, quando os golpistas roubam a conta para pedir dinheiro dos contatos, tem ganhado repercussão nas últimas semanas.

O golpe funciona assim:

1. O golpista descobre o número de telefone da vítima e, com ele, instala o WhatsApp em seu aparelho;

2. Quando é instalado, no entanto, o aplicativo pede que o número de telefone usado na conta seja confirmado por meio de um código que o usuário recebe via SMS;

3. Como o golpista não tem acesso a essa mensagem, tenta fazer com que o usuário envie o código para ele. Para isso, ele se passa por um famoso ou um representante de uma empresa, e telefona ou escreve por outra conta de WhatsApp para a vítima fazendo convites para festas ou ofertas tentadoras;

4. Para aceitar a proposta, a vítima é instruída a enviar o código que vai receber por SMS;

5. Se o usuário compartilha esse código, o criminoso consegue usar a conta dele do WhatsApp em outro celular;

6. A partir daí, ele passa a enviar mensagens aos contatos do usuário com pedidos urgentes de dinheiro.

Por isso, nunca acredite em mensagens com pedidos de depósitos, principalmente se forem urgentes. Isso vale, inclusive, para mensagens de parentes ou amigos. Se você receber um pedido deste tipo de algum conhecido, ligue para ele (de preferência, por meio de telefonema fora do aplicativo) e tente confirmar a veracidade da mensagem recebida.

Relatos de vítimas desse golpe já aparecem na imprensa desde meados de 2019 e não apenas no Brasil: a mesma fraude vem sendo praticada nos Emirados Árabes e em Singapura, por exemplo.

Mas ela não é a única fraude que pode ser aplicada por meio do WhatsApp. A BBC e o Agora listaram diversos tipos, que incluem envio de mensagem com links falsos, clonagem de chip e roubos de cartões de crédito.

Para se proteger da maior parte delas, a principal dica de segurança é nunca compartilhar qualquer dado pessoal. Ou seja, não passe nomes, números ou senhas via mensagem ou telefonema para ninguém. Também evite salvar suas senhas de aplicativos e contas bancárias em seu aparelho de telefone ou em locais de fácil acesso.

O cuidado vale também para sites e links enviados por meio do aplicativo. Desconfie de endereços suspeitos, principalmente se tiverem sido compartilhados por estranhos ou integrantes de grupos de WhatsApp que você não conhece pessoalmente ou confia. Alguns sites são feitos justamente para roubar dados pessoais dos usuários ou conseguir ganhos ilegais com publicidade e cliques.

No ano passado, por exemplo, o Aos Fatos checou três links que estavam sendo compartilhados pelo WhatsApp e que se tratavam de fraudes. Tanto o endereço que oferecia CNH (Carteira Nacional de Habilitação) gratuita quanto o que dizia permitir a inscrição para o recebimento do 13º do Bolsa Família eram golpes para roubar dados pessoais dos desavisados. Também circulou no aplicativo o link que dizia ajudar os usuários a verificar se eles tinham o direito de sacar o abono salarial. Nesse caso, o endereço estava em busca de cliques.

Para todos os tipos de golpes praticados no WhatsApp — e em outras redes sociais —, uma das ferramentas que mais aumenta a segurança do usuário é a confirmação de acesso em duas etapas, também chamada de verificação de dois fatores.

No WhatsApp, esse recurso funciona como uma senha extra da conta do usuário: ela será solicitada periodicamente e toda vez que o aplicativo for instalado com a mesma conta. O passo a passo para ativar a verificação em dois fatores pode ser conferido no quadro abaixo ou, se preferir, no site oficial do WhatsApp.

A verificação em duas etapas também existe em outras redes sociais, como Facebook e Twitter. É recomendado que o usuário sempre ative essa opção. O Aos Fatos também possui um guia com dicas de segurança em outras plataformas.

Vítima. Caso você tenha sido vítima de um golpe no WhatsApp, tente recuperar sua conta desinstalando e reinstalando o aplicativo. Isso fará com que o WhatsApp lhe envie outro código de autenticação por SMS.

Se isso não ocorrer, no entanto, é possível entrar em contato com a rede social e explicar a situação. O atendimento do WhatsApp é feito via email (support@whatsapp.com) ou pelo site oficial. Se possível, também avise aos seus contatos que sua conta foi bloqueada.

Também é recomendado que o usuário abra um boletim de ocorrência em uma delegacia especializada em cibercrimes. A ONG SaferNet tem uma lista de todas as delegacias do tipo no Brasil.

Referências:

1. Google Trends (Fontes 1 e 2)
2. Metropoles
3. Veja SP
4. Folha de S.Paulo
5. PSafe
6. WhatsApp (Fontes 1, 2, 3, 4 e 5)
7. TechTudo
8. TechRadar
9. Business Insider
10. BBC Brasil
11. Agora
12. Aos Fatos (Fontes 1, 2, 3 e 4)
13. Mundo Conectado
14. SaferNet

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