Denúncia de fraude que impediu vitória de Bolsonaro no 1º turno foi arquivada por falta de provas

Por Luiz Fernando Menezes

5 de outubro de 2020, 16h54


Não é verdade que uma denúncia protocolada em 2018 apresenta “dados robustos e incontestáveis” de que Jair Bolsonaro venceu as eleições para a Presidência já no primeiro turno. As peças de desinformação que fazem essa afirmação (veja aqui) utilizam trechos de uma denúncia feita em outubro de 2018 que foi arquivada pelo TSE após dois relatórios concluírem que os documentos não provavam a existência de fraude.

A denúncia vem sendo compartilhada, sem a informação de que foi arquivada, por perfis pessoais e sites bolsonaristas desde o final de semana. Ao todo, as publicações reuniam ao menos 16 mil compartilhamentos no Facebook até a tarde desta segunda-feira (5). Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação do Facebook (veja como funciona).


FALSO

Fraude eleitoral: Documentos mostram que Bolsonaro foi eleito no primeiro turno em 2018

DENÚNCIA DE FRAUDE NAS ELEIÇÕES DE 2018: um advogado e um engenheiro protocolaram na PF e no TSE, uma denúncia de fraude na apuração das urnas em 2018. A conclusão foi feita com base em análises matemáticas tiradas de dados oficiais do TSE. São dados robustos e incontestáveis!

Uma denúncia feita em 2018 que dizia que Jair Bolsonaro teria ganhado no primeiro turno das eleições com 50,69% dos votos válidos viralizou nas redes sociais no final de semana. A denúncia é real e de fato foi protocolada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) logo após o pleito. O que as peças omitem, porém, é que ela foi analisada pelo tribunal e arquivada após relatórios comprovarem não haver indício de fraude.

A peça de desinformação utiliza trechos de uma denúncia protocolada no TSE em outubro de 2018 pelo advogado Ricardo Freire Vasconcellos e o engenheiro Vicente Paulo de Lima. Segundo eles, uma comparação feita com os números apresentados num mesmo horário pelo TSE e pela GloboNews mostrariam porcentagens diferentes, o que revelaria “um forte indício de que pode ter havido intervenção no sistema de apuração de votos”.

De acordo com o TSE, as divergências foram ocasionadas por falha na rede da empresa contratada para a distribuição dos resultados para emissoras de TV. “Devido a essa ocorrência, nenhuma emissora possuía dados com total coerência em tempo real. Conclui-se que as divergências percentuais apontadas na inicial da denúncia são fruto de uma coleta de dados equivocada, e não por problemas da Justiça Eleitoral”, afirmou.

A denúncia sustentava ainda que seria matematicamente improvável que Bolsonaro terminasse a apuração do 1º turno com 46% dos votos válidos sendo que, às 19h do dia do pleito, tinha 49%. Mas, segundo o relatório do TSE, a divulgação dos resultados parciais não impacta no resultado final, já que ele é definido pela velocidade de apuração de cada zona eleitoral.

“Unidades da federação menores, por exemplo, e que tenham uma rede de comunicação rápida e eficiente, têm maior facilidade em terminar o envio das mídias de resultado do que outras unidades que são maiores, com locais de difícil acesso, e que não dispõem de rede de comunicação rápida e abrangente”, explica a Coordenadoria de Sistemas Eleitorais.

A denúncia foi analisada pelo tribunal e arquivada pela ausência de indícios de falhas no sistema eleitoral. Segundo o TSE explicou ao Aos Fatos, a peça foi analisada pela Coordenadoria de Sistemas Eleitorais e pela Coordenadoria de Infraestrutura da Corte e foi concluído que a denúncia era “constituída sobre fatos que não possuem base sólida, sobre confusões ou sobre inverdades”.

Autoria. A denúncia antiga começou a ser tratada como novidade por Alan Lopes, que afirma ser coordenador do Movimento Direita Inteligente, no Twitter, no dia 3 de outubro. Ele é responsável pela peça de desinformação que circulou em julho e que dizia que a Positivo, fabricante das urnas das eleições de 2022, teria sido comprada pela China. Hoje, Lopes é candidato a vereador do Rio de Janeiro pelo PSD. Procurado por Aos Fatos, ele não respondeu.

Referências:

1. Aos Fatos
2. TSE

Usamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concordará com estas condições.