Vídeo mostra demolição de prédio na Turquia, não terremoto na Venezuela

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Um vídeo que mostra o momento em que um prédio desaba tem sido atribuído em posts nas redes às consequências dos terremotos de quarta-feira (24) na Venezuela, mas isso não é verdade. O registro foi feito na Turquia em outubro de 2023 e exibe a demolição de um edifício que havia sido danificado por um tremor de terra meses antes.

A gravação descontextualizada acumulava ao menos 7.000 curtidas no Instagram, 2.000 compartilhamentos no Facebook e dezenas de milhares de visualizações no X até a tarde desta sexta-feira (26).

Prédios voltam a desabar após terremotos e cenário de destruição assusta na Venezuela

Uma captura de tela de vídeo mostra um edifício alto de cor clara, com múltiplas janelas e varandas, inclinado acentuadamente para a esquerda sob um céu nublado. Na base da estrutura, ergue-se uma grande e densa nuvem de poeira clara. No canto inferior esquerdo, há uma figura humana distante vestindo blusa clara e calça escura, porém, devido à baixa resolução e à distância, não é possível identificar características físicas detalhadas. No centro da imagem encontra-se um ícone circular escuro com um símbolo de reprodução de vídeo em branco. Na parte inferior, sobreposta à cena, há uma tarja vermelha com o texto em letras brancas, precedido por um emoji de edifício: 'Prédios voltam a desabar após terremotos e cenário de destruição assusta na Venezuela'.

Publicações nas redes têm compartilhado um vídeo que mostra um prédio desabando na Turquia em 2023 como se ele tivesse sido gravado na Venezuela após os terremotos de quarta (24).

Por meio de busca reversa, Aos Fatos identificou que o vídeo foi feito em outubro de 2023 e mostra o momento em que um edifício de 15 andares na cidade de Kahramanmaraş, na Turquia, foi demolido.

Em fevereiro daquele ano, um terremoto de magnitude 7,8 na escala Richter atingiu a região. Alguns edifícios, como o mostrado no vídeo, foram danificados pelo sismo e tiveram que ser demolidos.

O litoral norte da Venezuela foi atingido por dois terremotos nesta semana. Os tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, foram os mais intensos do último século e chegaram a ser sentidos na Colômbia e no Brasil.

Uma imagem exibe uma reprodução de um mapa digital com foco na região norte da América do Sul, destacando o território da Venezuela. Sobre a porção centro-norte do país, estendendo-se do litoral em direção ao interior e cobrindo áreas próximas a cidades como Barquisimeto e Coro, há uma grande mancha vermelha semitransparente. No centro dessa área destacada, encontra-se um ícone circular vermelho com o desenho de uma onda sísmica branca, acompanhado pelo texto 'Terremoto • Venezuela'. A representação cartográfica apresenta o relevo terrestre em tons de verde e o oceano em azul-claro, identificando também ilhas caribenhas ao norte, como 'Aruba' e 'Curaçao'.
Epicentros dos terremotos foram registrados na região de El Guayabo, a cerca de 168 km da capital Caracas (Google Maps)

A destruição atingiu cerca de 250 edifícios, incluindo o aeroporto de Caracas, cujo teto desabou por causa do sismo. O governo venezuelano confirmou a morte de 589 pessoas até o momento, além de cerca de 50 mil desaparecidos e 70 mil desabrigados.

Desde quinta-feira (25), publicações têm compartilhado vídeos descontextualizados ou até completamente falsos sobre o desastre ocorrido na Venezuela para tentar obter engajamento. Aos Fatos já desmentiu peças de desinformação sobre outro desabamento de um prédio que, na verdade, ocorreu nas Filipinas e não no país latino-americano.

Em língua espanhola, além de vídeos de outros locais, também circulam alertas e mensagens falsas de tsunamis e apagões e até imagens geradas por IA para mostrar desabamentos que não ocorreram.

O caminho da apuração

Aos Fatos fez uma busca reversa do vídeo viral e encontrou gravação original em sites de língua turca. Procuramos mais informações sobre o ocorrido e também buscamos informações sobre o terremoto que atingiu a região naquele ano.

Também buscamos informações atualizadas sobre os terremotos na Venezuela ocorridos na última quarta-feira na imprensa local e sua repercussão no Brasil.

Referências

  1. Karar
  2. Baker Institute
  3. En Son Haber
  4. g1 (1 e 2)
  5. CNN Brasil
  6. Aos Fatos
  7. Observatório Venezuelano de Fake News (1, 2 e 3)

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