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Dados de plataforma do CDC não atestam que mortes foram causadas por vacina

Por Luiz Fernando Menezes

10 de fevereiro de 2021, 17h37

Dados de uma plataforma do CDC (Center for Disease Control, órgão de saúde do governo americano) têm sido usados fora de contexto em publicações que afirmam que vacinas contra a Covid-19 já teriam causado a morte de mais de 500 pessoas nos EUA (veja aqui). Como a própria entidade alerta, sua base agrega relatos sobre efeitos adversos à vacinação submetidos por qualquer pessoa. Os casos compilados não foram investigados pelas autoridades sanitárias nem podem ser creditados aos imunizantes.

Compartilhada agora no Brasil pelo site Crítica Nacional, essa distorção da base de dados já apareceu anteriormente em peças desinformativas nos EUA. No Facebook, o conteúdo acumulava ao menos mil compartilhamentos nesta quarta-feira (10) e foi marcado com o selo DISTORCIDO na plataforma de verificação da rede social (saiba como funciona).


Dados do CDC Mostram Mais de Quinhentas Mortes e Mais de Dez Mil Eventos Adversos Após Vacinação Contra Covid.

Um artigo do site Crítica Nacional afirma que a plataforma VAERS (Vaccine Adverse Event Reporting System), do CDC (Center for Disease Control, agência do Departamento de Saúde do governo dos EUA), reportou em janeiro 501 mortes e 11.249 eventos adversos em razão de vacinas contra a Covid-19. O texto omite, porém, que a base compila casos submetidos livremente por qualquer pessoa e que não foram verificados pelas autoridades. Logo, como afirma o CDC, esses números não podem ser creditados aos imunizantes de maneira oficial.

Conforme pode ser verificado no site oficial da VAERS, a base “é um sistema de relatório passivo, o que significa que depende de indivíduos para enviar relatórios de suas experiências ao CDC e à FDA (Food and Drug Administration, a agência reguladora americana)” e que ela “não foi projetada para determinar se uma vacina causou um problema de saúde”. Isso porque a base traz informações reportadas por qualquer pessoa e que não passaram por investigações das autoridades sanitárias.

Dessa maneira, diz o próprio CDC, as mortes e eventos adversos reportados podem conter erros e informações falsas, o que não permite nenhuma interpretação de causa e efeito a partir dos números. O órgão explica que “não é possível descobrir por meio dos dados da VAERS se a vacina causou o efeito adverso relatado”.

A VAERS foi criada em 1990 pelo governo americano como um “sistema de aviso prévio” para detectar sinais de possíveis problemas com as vacinas aplicadas no país. “Se um sinal de segurança da vacina for identificado por meio da VAERS, os cientistas podem conduzir estudos adicionais para descobrir se o sinal representa um risco real”, explica o CDC.

Os EUA aprovaram, até o momento, o uso de duas imunizações contra a Covid-19 — as produzidas pelas farmacêuticas Pfizer e Moderna. Em nenhuma das análises feitas pela FDA sobre as reações das imunizações (Pfizer e Moderna), há a indicação de que foram registradas mortes durante os testes clínicos.

Os dados do VAERS também têm sido utilizados em peças de desinformação nos EUA, que foram desmentidas pelas equipes da AP e do Full Fact, por exemplo.

Outro lado. Aos Fatos entrou em contato com o Crítica Nacional por meio de e-mail no começo da tarde desta quarta-feira (10), mas até a publicação deste texto, no entanto, não recebeu retorno.

Referências:

1. VAERS
2. CDC (1 e 2)
3. FDA (1 e 2)


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