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Cunha ganhou popularidade em 2015 com divulgação de pedidos de impeachment

20 de janeiro de 2016, 13h55

Foto: Fabio Pozzebom/ABr

Cunha ganhou popularidade em 2015 com divulgação de pedidos de impeachment

Segundo Google, sempre que houve pico de pesquisas sobre afastamento, também existiu aumento nas buscas pelo presidente da Câmara


Apopularidade do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está intimamente relacionada ao interesse dos brasileiros pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Levantamento feito por Aos Fatos em ferramenta do Google mostra que o peemedebista ficou mais conhecido quando seu nome passou a ser relacionado ao afastamento de Dilma e, em particular, quando passou a ter a responsabilidade de aceitar a abertura do processo que a afastaria de seu mandato.

A apuração levou em consideração somente usuários localizados no Brasil durante os anos de 2014 e 2015: no primeiro, Cunha era um ilustre desconhecido; no segundo, surfou na onda da impopularidade de Dilma. Já a procura pelo termo "impeachment" foi catalisado pelo segundo turno das eleições presidenciais e manteve-se popular durante 2015. Desse modo, sempre que houve picos de pesquisas sobre impeachment, também existiu aumento nas buscas por Cunha.

Os picos de interesse no impeachment são expressivos em quatro datas diferentes: (1) no segundo turno das eleições de 2014; (2) durante os desdobramentos do primeiro pedido de afastamento de Dilma, escrito pelo advogado Ives Gandra, endossado pelo PSDB; (3) na semana das primeiras manifestações contra o governo petista, em 15 de março; e (4) na semana em que a Câmara iniciou o processo para a abertura de investigação contra Cunha e, em retaliação, ele admitiu o pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente.

Conforme os dados do Google, o interesse de usuários da ferramenta de busca no presidente da Câmara começou a partir de janeiro de 2015, quando foi eleito para o cargo. Cunha foi mais buscado em seis momentos: (1) a semana da votação da redução da maioridade penal na Câmara; (2) na semana das manifestações de agosto contra o governo Dilma, quando Cunha foi poupado de críticas e defendidos por alas a favor do afastamento da presidente; (3) durante os desdobramentos das acusações de que o peemedebista mantinha contas na Suíça; (4) na semana em que a Câmara iniciou o processo para a abertura de investigação contra Cunha e, em retaliação, ele admitiu o pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente; e, finalmente, (5) na semana de busca e apreensão na residência oficial do presidente da Câmara e do pedido de afastamento de Cunha pela Procuradoria-Geral da República.

No quadro abaixo, as buscas no Google por "impeachment" estão em vermelho, enquanto as buscas por "Eduardo Cunha" estão em azul. Ao clicar no quadro, será possível ver o levantamento em detalhe.

Fonte: Google Trends

A quantidade de buscas para cada termo seguiu um padrão a partir de 2015: sempre quando as pesquisas por "Eduardo Cunha" cresciam, também cresciam as buscas por "impeachment". Isso fica claro a partir de sua eleição para a presidência da Câmara e, posteriormente, quando recebeu o primeiro pedido de afastamento endossado pelo PSDB.

Dentre as buscas relacionadas ao nome do peemedebista estão também pesquisas com os seguintes termos: "Eduardo Cunha presidente", "Eduardo Cunha esposa", "Eduardo Cunha Dilma", "Eduardo Cunha Câmara" e, finalmente, "Eduardo Cunha impeachment". As procuras por este último termo dispararam a partir de dezembro, mês em que houve seu pedido de afastamento e desdobramentos importantes sobre o processo de impeachment de Dilma capitaneado por ele.

Aos Fatos também mediu o interesse de usuários do Google pelo termo "Dilma Rousseff" em comparação com o termo "impeachment". No gráfico abaixo, as buscas pela presidente estão em azul, enquanto aquelas por "impeachment" ficaram em vermelho. Ao clicar no quadro, será possível ver o levantamento em detalhe.

Fonte: Google Trends

Os maiores picos de interesse por Dilma se concentram na campanha presidencial de 2014. São eles: (1) na semana posterior à morte do então candidato Eduardo Campos (PSB-PE) e do anúncio da candidatura de Marina Silva (Rede-AC) à Presidência em seu lugar; (2) na semana do primeiro turno das eleições; e (3) na semana do segundo turno das eleições, das quais Dilma saiu vitoriosa.

No entanto, outro momento de grande procura foi na semana da publicação da lista do Janot — que, em pedido de abertura de inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, citou políticos da base aliada ao governo — e da delação premiada do doleiro Alberto Youssef.

As principais buscas relacionadas a Dilma são: "presidente Dilma Rousseff", "presidente Dilma", "Aécio", "Dilma Vana Rousseff" e "Aécio Neves". O tucano tem picos de interesse no período eleitoral de 2014, mas, em 2015, sua popularidade diminui substancialmente.

Aos Fatos ainda mediu o interesse de usuários do Google pelo vice-presidente da República, Michel Temer, e sua relação com o impeachment. Abaixo, as buscas por "Michel Temer" estão em azul, enquanto as pesquisas por "impeachment" são registradas em vermelho. Ao clicar no quadro, será possível ver o levantamento em detalhe.

Fonte: Google Trends

Os momentos de maior procura por Temer são uma mistura de Cunha com Dilma. O termo cresce principalmente durante as eleições de 2014, motivado sobretudo pela busca por informações sobre a linha sucessória. Depois de um pico durante sua posse, seu nome volta com força à ferramenta de busca na semana em que é revelada sua carta endereçada à presidente. Naquele período, especulações a respeito de sua articulação pelo impeachment de Dilma tomavam corpo.


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