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Crítico dos 'excessos do Estado', Temer agora defende reavaliar e ampliar programas sociais

Por Tai Nalon

11 de abril de 2016, 18h55

O vice-presidente Michel Temer tem apresentado versões conflitantes a respeito de qual será a condução das políticas públicas de seu governo, sobretudo na área social. Em áudio divulgado nesta segunda-feira (11), cujo conteúdo foi confirmado por sua assessoria, ele afirma que é "mentiroso" dizer que, em seu eventual governo, irá acabar com programas sociais como o Bolsa Família, o Pronatec e o Fies. Defende, ainda, ampliá-los.

E eu sei que dizem de vez em quando que, se outrem assumir, nós vamos acabar com o Bolsa Família, vamos acabar com o Pronatec, vamos acabar com o Fies. Isto é falso, é mentiroso, e é fruto dessa política mais rasteira que tomou conta do país. Portanto, neste particular, quero dizer que devemos manter esses programas, revalorizá-los e ampliá-los.

Aos Fatos comparou a declaração com as linhas gerais estabelecidas pelodocumento “Uma ponte para o futuro”, divulgado no ano passado e vendido pelo PMDB como base para um eventual governo Temer. A fala desta segunda-feira tem pouco a ver com o que seu programa de governo define para a área social, segundo o qual “o governo cometeu excessos, seja criando novos programas, seja ampliando os antigos”.

Segundo o documento, "o Brasil gasta muito com políticas públicas com resultados piores do que a maioria dos países relevantes". Quer, por conta disso, criar uma "agenda de transparência" dos programas, que seriam reavaliados conforme a necessidade.

Reportagem de Aos Fatos mostrou em dezembro último como o discurso do peemedebista mudou desde 2010, quando disputou as eleições presidenciais pela primeira vez na chapa de Dilma. Àquela época, o PMDB dizia querer ampliar o Bolsa Família, com a criação de uma poupança para crianças beneficiárias. Também pregava maior participação da Caixa Econômica Federal para financiar construções de casas próprias do programa Minha Casa, Minha Vida.

As declarações desta segunda-feira ficam no meio do caminho entre 2010 e 2015. Segundo Temer, "o Bolsa Família, por exemplo, há de ser um estágio do Estado brasileiro". "Daqui a alguns anos, a empregabilidade tenha atingido um tal nível que não haja necessidade de Bolsa Família", disse o vice-presidente.

Temer gravou seus quase 15 minutos de fala como se endereçada a parlamentares. Porém, segundo a assessoria da Vice-Presidência, as declarações foram enviadas por engano e divulgadas sem autorização do peemedebista. Nela, Temer trata a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara como fato consumado e diz a “senadores da melhor cepa” que deverá comandar um governo de “pacificação”.


Atualização. Após a publicação desta reportagem, Temer afirmou nesta segunda-feira que não mudou "um centímetro" do que disse no passado. Diante da apuração de Aos Fatos, a declaração recebeu o selo FALSO.

FALSO
Eu reitero que aquilo que disse seria exatamente o que eu fiz no passado e continuarei a fazer independentemente do que aconteça no domingo. (…) Não mudei um centímetro daquilo que falei no passado.
Veja as principais diferenças entre o discurso de Temer na campanha de 2010 e o de agora, no documento "Uma ponte para o futuro".

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