Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

🕐 ESTA REPORTAGEM FOI PUBLICADA EM Junho de 2018. INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE TEXTO PODEM ESTAR DESATUALIZADAS OU TEREM MUDADO.

Crítico do programa, Bolsonaro se contradiz ao defender Bolsa Família

Por Bárbara Libório

8 de junho de 2018, 09h15

Pré-candidato à presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro mudou seu discurso sobre o Bolsa-Família. Bastante crítico ao programa de transferência de renda, o deputado federal disse hoje ao jornal O Globo que, se eleito, vai mantê-lo. “Comigo, o programa será mantido. Vou deixar isso claro em um programa de governo. Quero combater essa fake news de que vou acabar com o programa”, afirmou. Ele também disse que deve centrar esforços no combate às fraudes do programa.

Nem sempre foi assim. Por diversas vezes, em discursos no plenário da Câmara dos Deputados e entrevistas à imprensa, Bolsonaro se referiu ao programa como uma política de compra de votos em que “quem produz dinheiro, dá-lo a quem se acomoda”.

Aos Fatos checou que o deputado tem dito sobre o tema nos últimos anos. Veja o que encontramos:


CONTRADITÓRIO
 


Comigo, o programa será mantido. Vou deixar isso claro em um programa de governo. Quero combater essa 'fake news' de que vou acabar com o programa.

O discurso de que o programa Bolsa Família, que teve início em 2003, no primeiro mandato do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, serviria como uma política de atração — ou compra — de votos do Partido dos Trabalhadores vem desde 2010. À época, no plenário da Câmara dos Deputados, o deputado afirmou: “O governo federal — o anterior também fazia isto, em parte, mas este agora faz mais — dá para 12 milhões de famílias em torno de R$ 500 por mês a título de Bolsa Família definitivo, e sai na frente com 30 milhões de votos. Realmente, disputar eleições num cenário desses é desanimador. É compra de votos mesmo! Que bom se o eleitor tivesse o mínimo de discernimento!”.

Depois, em fevereiro de 2011, Bolsonaro chegou a cogitar a hipótese de colocar um fim ao programa: “O Bolsa Família nada mais é do que um projeto para tirar dinheiro de quem produz e dá-lo a quem se acomoda, para que use seu título de eleitor e mantenha quem está no poder”, disse em discurso no plenário da Câmara dos Deputados. E defendeu, “se não um ponto final, uma transição a projetos como o Bolsa Família”.

À mesma época, no mesmo plenário, ele também afirmou que o fim ou transição do programa eram necessários porque “cada vez mais, pobres coitados, ignorantes, ao receberem Bolsa Família, tornam-se eleitores de cabresto do PT.”

Em julho de 2011, referiu-se ao programa como assistencialista. “Alguém tem alguma dúvida que programas assistencialistas, como o Bolsa Família, que acostuma o homem à ociosidade, são um obstáculo para que se escolha um bom presidente?”, questionou ao responder perguntas dos leitores da revista Época.

Em diversas ocasiões, o deputado defendeu não a extinção do programa, mas uma porta de saída para ele. “Eu não admito o Bolsa Família como proposta permanente de ajudar o pobre. Tem que ser transitória. Tem gente que está há nove anos no Bolsa Família e não quer ser empregado”, afirmou em entrevista ao UOL em 2011.

Em 2012, na Record News, ele voltou a afirmar que o programa deveria ser temporário, e falou novamente sobre a compra de votos. “Se eu der R$ 20 pra você votar em mim, posso perder meu registro, ser cassado. Agora o governo dá para 10 milhões de família de forma vitalícia, R$ 40 bilhões por ano, e tudo bem”. Chegou a chamar o programa de “uma mentira”. “O Bolsa Família é uma mentira, você não consegue uma pessoa no Nordeste para trabalhar na sua casa. Porque se for trabalhar, perde o Bolsa Família”, afirmou.

Em declarações mais recentes, o pré-candidato afirmou que "não partiria para a demagogia" em busca de votos. Ele teceu críticas ao programa quando visitou Barretos, em São Paulo, em agosto do ano passado, quando já postulava o posto de pré-candidato à presidência. “Para ser candidato a presidente tem de falar que vai ampliar o Bolsa Família, então vote em outro candidato. Não vou partir para demagogia e agradar quem quer que seja para buscar voto.”

Já neste ano, começou a suavizar seu discurso. Em Roraima, falou de fraudes. “Não quero acabar com Bolsa Família, mas tenho certeza de que metade deixará de existir porque ou é fraude ou tem como inserir no mercado de trabalho. Essa é a minha política de distribuição de renda”, afirmou. E segundo o Estadão, o pré-candidato está preparando uma “carta de princípios” em que defenderá a continuação do programa, mas com uma auditoria.


Esta reportagem foi publicada de acordo com a metodologia anterior do Aos Fatos.

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