A crise do STF em 30 atos; veja linha do tempo

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Há dez dias, a retirada do sigilo de uma investigação da PF por André Mendonça revelou supostas trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Desde então, a crise no STF só escalou, com acusações entre magistrados, vazamentos de novas mensagens e até o afastamento relâmpago do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, realocado no cargo em menos de 24 horas.

Inicialmente, o presidente do Supremo, Edson Fachin, disse que “no tempo devido e sem precipitação” iria anunciar as medidas cabíveis e necessárias. Os dias foram passando e o turbilhão foi ganhando fôlego, sem sinal de calmaria.

Só uma semana após as revelações das mensagens, Fachin tomou de volta às rédeas do Supremo: suspendeu duas decisões de ministros da corte envolvendo o diretor da PF, puxou para si inquéritos delicados, e marcou para dia 15 de setembro julgamento para analisar a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por conta das mensagens.

Foram ao menos 30 atos em dez dias — e tudo em plena campanha eleitoral. Para facilitar a compreensão, Aos Fatos montou uma linha do tempo que organiza os acontecimentos desde o estopim da crise. A reportagem buscou a íntegra das decisões protocoladas pelos ministros nesse período e reuniu os vazamentos e informações da imprensa.

A cronologia da crise que abalou o Supremo

Veja os principais fatos na evolução das tensões no STF

O "Estadão" revela supostas novas mensagens de Vorcaro destinadas a Moraes. Em uma delas, enviada dois dias antes de ser preso, o ex-banqueiro pergunta ao ministro se ele deveria fugir do país. Não é possível saber o que Moraes respondeu, já que estava selecionada a opção de visualização única.

Sigilo retirado

O ministro André Mendonça retira o sigilo de relatório da PF com as mensagens do celular de Vorcaro. Além de Moraes, há conversas com o ex-ministro Fábio Faria, e citações a Davi Alcolumbre, a Hugo Motta, a Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A PGR defende a nulidade do relatório divulgado por Mendonça. O órgão argumenta que a investigação é irregular pois, por envolver um ministro do STF, não houve provocação anterior de autoridade policial ou do MP e autorização do plenário do Supremo.

Imprensa divulga que Mendonça conversou com o presidente do Supremo, Edson Fachin, para levar o caso envolvendo Moraes e Vorcaro para julgamento no plenário. Segundo relatos, Fachin sinalizou que poderia mudar a pauta do Supremo para incluir o caso no plenário físico.

O "Metrópoles" relata que, no dia anterior ao levantamento do sigilo, Moraes se reuniu com Mendonça e que o encontro acabou com uma discussão acalorada que "por pouco, não descambou para agressões físicas".

Presidente do Supremo diz que analisará os fatos e "anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias".

O "ICL Notícias" divulga que Mendonça teve um encontro com Vorcaro em março de 2025, em São Paulo, e que mensagens sugerem que o ex-banqueiro pagou um terno ao ministro.

Após o vazamento, o ministro relator confirma ao "Estadão" que recebeu Vorcaro no início de 2025, mas diz que não tratou do Banco Master.

"O Globo" revela que Vorcaro prestou depoimento ao gabinete de Mendonça sem a participação da PF. Nele, o ex-banqueiro culpa o diretor da PF por ter pressionado para impedir uma delação premiada.

O presidente do Supremo abre um procedimento para apurar as supostas irregularidades no processo. Ele dá cinco dias para Moraes, Mendonça, Gonet e Rodrigues prestarem esclarecimentos sobre o caso.

Moraes pede investigação

À noite, Moraes envia uma petição com pedido de investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. O ministro argumenta que o colega cometeu improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade.

Junto à petição, Moraes entrega um relatório de inteligência da PF que menciona interferências e questiona a atuação de Mendonça no processo do Banco Master.

Para provar que não recebeu um terno de Vorcaro, como sugeriram as mensagens divulgadas dois dias antes, Mendonça apresenta duas notas fiscais da alfaiataria citada que mostram pagamentos de R$ 16,6 mil e R$ 9,9 mil.

O presidente da Corte retira os documentos de Moraes do inquérito das fake news e os junta a uma petição de sua relatoria.

Encontro com o presidente

Em discurso ao lado de Lula, Fachin diz que a crise atual do Supremo reforça a necessidade de encerrar o inquérito das fake news e de adotar um Código de Ética.

Em pleno domingo, Mendonça libera o relatório da PF para julgamento no plenário da Corte. Cabe a Fachin decidir se, como e quando será analisado.

Atendendo a um pedido do partido Novo, Mendonça afasta o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da instituição, Leandro Almada. O ministro os acusa de terem produzido relatórios ilícitos a pedido de Moraes e de ter vazado informações sigilosas.

O afastamento é referendado pelos ministros Nunes Marques e Luiz Fux, da Segunda Turma do STF. Toffoli não votou porque se declarou impedido e, por mais que Gilmar Mendes tenha pedido vista, o resultado já configurava maioria.

Onze diretores da PF colocam os cargos à disposição para se manifestar contra a decisão de Mendonça e defender Rodrigues e Almada.

O ministro Flávio Dino atende a uma liminar da defesa de Rodrigues e reintegra os dois à PF. Dino entendeu que a decisão violou os trâmites processuais e que Mendonça não teria competência para determinar o afastamento do diretor-geral da PF.

Horas depois, Edson Fachin suspende as duas decisões — a de Mendonça, que afastou os diretores, e a de Dino, que os reintegrou — e os dois voltam à PF. O presidente do STF deu prazo de 48 horas para Rodrigues prestar esclarecimentos.

Por meio de uma portaria, Fachin revoga a designação de Moraes como relator do inquérito das Fake News. As decisões anteriores permanecem, mas, a partir da data da decisão, Fachin assume a relatoria do processo.

O STF anuncia que Moraes iria fazer um pronunciamento às 11h de quinta-feira (10). Evento, no entanto, é cancelado horas depois.

Fachin cancela a sessão do plenário do STF marcada para a quinta-feira (10) e convoca para 15 de setembro o julgamento da petição feita por Mendonça para investigar Moraes.

A pedido do presidente do STF, Mendonça levanta os sigilos de documentos e peças processuais relacionados ao caso Master. Inquéritos e investigações que ainda estão em andamento, no entanto, continuam sob sigilo.

Em um dos relatórios que tiveram o sigilo quebrado, a PF diz que trabalha com a hipótese de que Toffoli seria o "beneficiário final" de um dos ativos de um fundo de investimentos que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro. O documento também diz que o ministro pode ter mudado seu voto em um julgamento sobre precatórios sob influência do ex-banqueiro.

Outro documento tornado público é o contrato do Master com o escritório da esposa de Moraes. Nele, estava previsto o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões.

Também foi revelado que o senador Flávio Bolsonaro é investigado pela PF desde julho de 2026, a pedido do próprio Mendonça. Os detalhes da investigação, no entanto, permanecem sob sigilo.

Em ofício enviado a Fachin, Moraes afirma que Mendonça tornou públicos apenas documentos que "entendeu convenientes" e alega que outras 180 peças permanecem sob sigilo. No mesmo documento, ele pede que o Supremo julgue a sua petição contra Mendonça na mesma sessão de 15 de setembro.

Após pedido da PGR, Fachin solicita que André Mendonça retire todo o sigilo dos processos envolvendo o caso em até 24 horas para que os documentos sejam enviados aos colegas da Corte. Mendonça, no entanto, nega que tenha feito uma retirada seletiva dos sigilos.

O caminho da apuração

Aos Fatos reuniu os acontecimentos noticiados e decisões publicadas sobre o caso diariamente desde o dia 1º de setembro até a data de publicação desta reportagem e os organizou em forma de linha do tempo.

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