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A crise hídrica e a situação dos reservatórios do Sudeste

Por Tai Nalon

2 de fevereiro de 2016, 16h06

Apresidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (2) que os reservatórios de água para energia elétrica estão num nível menos preocupante do que no ano passado — o que, segundo ela, poderá resultar em redução progressiva das taxas que compõem a conta de luz. Os dados foram citados pela presidente em tom positivo durante a solenidade oficial de abertura do ano legislativo. Nesta tarde, ela entregou aos parlamentares sua Mensagem ao Congresso, documento anual do Executivo federal endereçado às duas Casas do Legislativo que estabelece as prioridades do governo para o ano.

Dilma cometeu um pequeno erro ao dizer que os reservatórios do Sudeste janeiro de 2015 registraram o menor nível nos "último anos". Na verdade, em novembro de 2014, estavam em situação ainda mais crítica.

A fala de Dilma, entretanto, não cita um outro problema grave: no Nordeste, os reservatórios das hidrelétricas estão em situação mais complicada. Embora Sudeste e Centro Oeste sejam regiões preponderantes para geração e distribuição de energia para o país, além de serem os dois principais centros produtivos do Brasil, a presidente não lembrou que a situação das represas nordestinas é a segunda pior desde 2010.

Veja, abaixo, o que checamos.


IMPRECISO
É importante lembrar que, no dia 31 de janeiro de 2015, os reservatórios do Sudeste estavam no nível mais baixo dos últimos anos. Neste mesmo dia, neste ano, esses mesmos reservatórios encontram-se com 44%.

Dilma prometeu, durante seu discurso, que as tarifas de energia elétrica deverão baixar ao longo do ano, caso sejam mantidos os níveis dos reservatórios de água das hidrelétricas brasileiras. Nesse contexto, contou como dado positivo o fato de as represas da região Sudeste, cujo quadro era mais grave, estarem em situação menos preocupante neste ano.

Dados do ONS (Operador Nacional do Sistema), que gerencia a infraestrutura elétrica no Brasil, mostram que, de fato, as regiões Sudeste e Centro-Oeste encerraram janeiro de 2016 com 44% de capacidade.

Além disso, janeiro de 2015 foi, sim, um dos períodos em que esses reservatórios fecharam no menor nível, de 16,84% da capacidade máxima. Como a presidente não especificou exatamente o período comparativo entre os reservatórios de energia no Brasil, Aos Fatos considerou o período 2010–2015 como referência.

Houve uma imprecisão de Dilma, no entanto: janeiro do ano passado foi o segundo pior nível, ficando atrás apenas de novembro de 2014, após os reservatórios da região terem fechado o mês anterior com somente 16% da capacidade máxima. É possível consultar a série histórica diretamente aqui, ou ver a tabela desenvolvida por Aos Fatos e Volt aqui.

Fonte: ONS (Operador Nacional do Sistema)

O que a presidente não mencionou foi a situação dos reservatórios do Nordeste, que encerraram janeiro com 18,2% da capacidade. Apesar de ser uma melhora em comparação a certos níveis de 2015, quando chegou a atingir cerca de 5%, a questão é considerada grave.

Fonte: ONS (Operador Nacional do Sistema)

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