Foi manipulado por inteligência artificial o vídeo em que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anuncia que indivíduos que sofreram descontos indevidos em aposentadorias e pensões devem pagar uma taxa para serem ressarcidos pelo governo. A gravação enganosa é usada para atrair usuários para um esquema criminoso, que rouba dinheiro e dados pessoais.
Publicações impulsionadas em plataformas da Meta acumulavam milhares de visualizações até a tarde desta quinta-feira (22).
Fala pessoal, Nikolas aqui. Tá aqui sobre a minha mesa os documentos que aprovam a indenização de todos os brasileiros que tiveram os dados vazados em 2019. Ontem eu falei pra vocês como vocês podem estar recebendo esses valores, só que com algumas pessoas tá pedindo pra pagar uma taxa. Nesses casos, se você tiver mais de dois mil reais pra sacar, é normal eles cobrarem uma taxinha administrativa, mas queremos tranquilizar vocês informando que isso é super normal quando o valor é mais alto. Então podem finalizar sem medo, tá? Pra quem ainda não consultou vamos deixar o link aqui embaixo no botão saiba mais.

Criminosos têm compartilhado um vídeo adulterado por IA para promover um golpe financeiro. Na gravação, que teve o áudio manipulado, o deputado Nikolas Ferreira anuncia a necessidade de pagamento de uma taxa para que ocorra o ressarcimento de descontos indevidos feitos em aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
No vídeo original, Ferreira aparece ao lado de uma advogada representante da Associação de Produtores e Moradores da Margem Esquerda do Rio Jequitinhonha em Araçuaí (MG), que viajou à Brasília no início do mês para apresentar uma denúncia de confisco de terras. No registro, Ferreira e a advogada não fazem qualquer menção ao INSS.
A estratégia usada neste golpe é a mesma já mostrada pelo Aos Fatos em outras ocasiões envolvendo o INSS (confira aqui e aqui) e a Receita Federal:
- Os criminosos inserem anúncios no Facebook que compartilham o vídeo manipulado por IA e direcionam as vítimas para páginas que simulam o portal gov.br, onde é necessário inserir um número de CPF válido;
- Ao clicar no botão “Saiba mais”, o usuário é levado para uma página que simula uma busca por valores a receber.
Ao final do processo, é informado que o beneficiário tem entre R$ 5.960 e R$ 5.980 disponíveis; - O usuário, então, é levado a clicar no botão “Quero receber minha indenização”. Na página, ele é atendido por um chatbot, que faz perguntas sobre tópicos como estado civil e nome da mãe, além de solicitar uma chave Pix;
- Ao final do processo, é gerado um falso comprovante de recebimento e cobrada uma “taxa transacional”, que não existe, de R$ 61,90. O valor é roubado pelos golpistas.
Eventuais vítimas do golpe podem recorrer ao MED (Mecanismo Especial de Devolução), sistema criado pelo Banco Central, para tentar reaver o dinheiro perdido. Também é possível ingressar com ação na Justiça.
Como pedir a restituição? Desde o dia 13 de maio, o governo federal tem notificado pelo aplicativo Meu INSS beneficiários lesados por um esquema bilionário de descontos indevidos.

Aos Fatos explica abaixo o passo a passo para obter o ressarcimento dos valores descontados de maneira irregular:
- Acesse o aplicativo Meu INSS e veja se há uma notificação informando que houve desconto associativo em sua conta;
- Clique em “Consultar Descontos de Entidades Associativas”;
- Caso tenha ocorrido algum desconto, vai aparecer o nome da entidade responsável e um campo para informar se o beneficiário autorizou ou não o débito;
- Se constatada a irregularidade, clique no botão “não autorizei o desconto”. Aparecerá uma mensagem informando que o pedido foi realizado com sucesso. As entidades associativas têm até 15 dias para responder a contestação.
Também é possível confirmar se houve o desconto associativo ou não pela Central de Teleatendimento 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Veja aqui tudo o que desmentimos sobre a fraude no INSS.
O caminho da apuração
Por meio de busca reversa, Aos Fatos localizou o vídeo original. Acessamos também os links que aparecem nos anúncios enganosos e seguimos as etapas indicadas. Contextualizamos a checagem com notícias sobre a restituição aos beneficiários do INSS pelo esquema de descontos indevidos feitos por entidades.




