Correntes contrárias ao ‘PL das Fake News’ dominam grupos políticos no WhatsApp

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Enquanto divide opiniões de líderes e bancadas na Câmara dos Deputados, o “PL das Fake News” — cuja votação era esperada para terça (2), mas acabou não ocorrendo a pedido do governo —, é unanimidade negativa no WhatsApp: todas as 113 correntes que circularam em grupos de política monitorados pelo Aos Fatos atacam a proposta.

Os conteúdos, dando conta de que o projeto instituiria censura no país, foram encaminhados ao menos 160 vezes.

  • 55 das 113 mensagens incentivavam usuários a pressionar parlamentares a votar contra o projeto, seja marcando-os em publicações ou entrando em contato com gabinetes;
  • Outras 21 mensagens divulgavam um site que mantém um “placar do PL 2.630”, que contabiliza o posicionamento de parlamentares sobre o assunto. O endereço, ligado ao ex-deputado Paulo Ganime (Novo-RJ), também foi divulgado em anúncios publicados sobre o assunto no Facebook e Instagram, como mostrou o Aos Fatos;
  • Dez mensagens convocavam ainda para manifestações contra o projeto em diferentes cidades brasileiras no dia 1º de maio. Ocorreram protestos sobre o tema em Goiânia e Porto Alegre.

A corrente mais popular — encaminhada 17 vezes — compartilhava um vídeo em que o deputado Deltan Dallagnol (Podemos-PR) cita sua condenação por danos morais contra o senador Renan Calheiros e diz lutar contra o PL 2.630/2020 para que a população não seja “amordaçada como eu fui”.

Outras sete mensagens, compartilhadas dez vezes, também traziam declarações do deputado sobre o projeto, entre elas a alegação falsa de que o PL proibiria a divulgação de versículos bíblicos. “Até a fé será censurada se nós não impedirmos a provação do PL da Censura que terá sua primeira votação AMANHÃ!”

Além das postagens de Dallagnol, quatro correntes, que circularam sete vezes, replicavam posicionamentos de empresas de tecnologia contrárias ao PL. “Google diz estar ‘muito preocupado’ com PL da Censura”, diz mensagem acompanhada de link para o site hiperpartidário Terra Brasil Notícias.

A corrente se refere a uma postagem feita no blog oficial da empresa que foi inclusive destacada na página inicial de seu buscador. A ação levou a Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, a determinar que o Google sinalize seus conteúdos institucionais contra o PL como “publicidade”, além de veicular contrapropaganda sobre o tema.

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