Conselheira da ONU defende mais recursos para o combate à desinformação climática

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A COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que terminou no sábado (23) em Belém, foi marcada pela inclusão inédita da integridade da informação na agenda, mas a efetividade da medida depende do aumento dos investimentos no combate à desinformação.

A avaliação é de Charlotte Scaddan, conselheira sênior em Integridade da Informação da ONU, que alerta para a necessidade de se equilibrar o jogo contra os setores que lucram com o atraso das políticas ambientais.

“Precisamos de mais recursos para integridade da informação, especialmente considerando que interesses contrários à ação climática são altamente financiados”, afirmou Scaddan, em entrevista exclusiva ao Aos Fatos.

A representante da ONU mencionou o caso do fundo global criado para fortalecer a circulação de informações confiáveis sobre as mudanças climáticas, que atualmente apoia dez projetos — número que representa apenas uma fração dos 447 pedidos de aportes recebidos.

“As necessidades superam amplamente o financiamento, então estamos pedindo contribuições aos países”, diz a representante da ONU.

O fundo foi anunciado em junho deste ano pela Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima e inaugurado com uma doação inicial de US$ 1 milhão do governo brasileiro.

Apesar dos desafios, Scaddan considera que o balanço do evento em Belém foi positivo. “Saímos da COP30 mais esperançosos do que nunca”, declarou. “Vimos um impulso extraordinário e muitos exemplos de soluções criativas e eficazes em nível comunitário que podem ser ampliadas.”

A conselheira defendeu a importância da checagem de fatos nesse ecossistema, ponderando que ela precisa ser acompanhada por “um conjunto holístico de medidas de prevenção, mitigação e resposta para fortalecer nosso ecossistema informacional”.

“Devemos proteger e apoiar os verificadores de fatos e seu trabalho vital, garantindo sua segurança, assim como a de pesquisadores, jornalistas investigativos e outros defensores da informação”, defendeu.

A especialista saudou ainda a assinatura da Declaração de Belém sobre a Integridade da Informação e Mudança Climática, destacando que ela reflete “o crescente reconhecimento, pela comunidade internacional, de que a integridade da informação é fundamental para uma ação climática eficaz” e que “não podemos alcançar ação climática e um futuro habitável sem integridade da informação”.

O Pacote de Belém, aprovado no sábado na plenária de encerramento da conferência, também incluiu pela primeira vez na história das COPs recomendações de ações para integridade da informação e para o combate à desinformação climática.

Scaddan também instou as grandes empresas de tecnologia a adotarem o que foi recomendado pelo documento. “O modelo de negócios das big techs alimenta a amplificação e a monetização da desinformação e do discurso de ódio, e veríamos com bons olhos a adoção de nossas recomendações por essas empresas”, disse.

Greenwashing

A conselheira da ONU também comentou a investigação do Aos Fatos que mostrou que representantes do setor privado promoveram livremente a desinformação climática dentro dos pavilhões oficiais da COP30.

“Sabemos que a desinformação e outras táticas aumentam em momentos-chave, especialmente nas COPs, e estamos trabalhando para conscientizar aqueles que estão sendo alvo dessas ações e mitigar seus impactos”, disse.

Scaddan também afirmou que estão sendo feitos esforços para apoiar iniciativas que aumentem a conscientização do mercado publicitário sobre os impactos do greenwashing.

“A Declaração de Belém incentiva o setor privado a se comprometer com a integridade da informação em suas práticas comerciais e a garantir práticas publicitárias transparentes e responsáveis em relação aos direitos humanos, fortalecendo a integridade da informação e apoiando o jornalismo confiável”, lembrou.

Nesse campo, Scaddan destacou o histórico do setor de combustíveis fósseis em “negar, distorcer e atrasar ações”.

“Eles utilizam muitas táticas para isso e para minar a integridade da informação, incluindo influenciar formuladores de políticas para fazê-los acreditar que o público se opõe à ação climática, quando na verdade acontece o oposto”, criticou a autoridade.

O caminho da apuração

Aos Fatos contatou Charlotte Scaddan diretamente, por email, logo após a conselheira sênior em Integridade da Informação da ONU retornar a Nova York após sua participação na COP30.

Referências

  1. COP30
  2. ONU
  3. Aos Fatos

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