Comparação de desmatamento na Amazônia sob FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro é falsa

Por Marco Faustino

1 de outubro de 2021, 18h39

É enganosa uma comparação entre os tamanhos de área desmatada na Amazônia nos governos FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro que circula nas redes desde 2019 (veja aqui). Além de não ser correto contrapor dados consolidados dos antecessores com números parciais da gestão atual, que tinha oito meses na época da postagem, a estatística oficial compreende o período de agosto a julho do ano seguinte, não de janeiro a dezembro.

O conteúdo enganoso acumula ao menos 59.700 compartilhamentos em publicações no Facebook nesta sexta-feira (1).


Vejam o total desmatado da Amazônia, por governo:
FHC: 153 mil km²
Lula: 125 mil km²
Dilma: 36 mil km²
Bolsonaro: 2,9 mil km²

Não é verdade que o tamanho da área desmatada da Amazônia no governo Bolsonaro seja inferior ao registrado nas gestões dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). A lista que circula em postagens nas redes sociais desde 2019 é incorreta, pois: 1) não informa a origem do dado mostrado; 2) compara números consolidados dos antecessores com os de apenas oito meses do atual mandatário; 3) desconsidera que os dados oficiais de desmatamento não coincidem com os períodos dos mandatos presidenciais.

Os dados oficiais de desmatamento na Amazônia são aferidos pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) por meio do Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) e do Prodes (Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia). Os sistemas têm peculiaridades que tornam incorretas comparações entre seus dados.

A postagem não indica a origem dos dados, mas os atribuídos aos governos FHC (153 mil km²), Lula (125 mil km²) e Dilma (36 mil km²) batem com os do Prodes. Porém, tais números não necessariamente refletem o período exato de cada mandato, que começa em janeiro e termina em dezembro, já que esse sistema do Inpe coleta informações de áreas desmatadas no bioma entre 1° de agosto e 31 de julho do ano subsequente.

Já o dado atribuído ao governo Bolsonaro só poderia ter sido extraído da estatística do Deter, que emite alertas de desmatamento em tempo real, e, mesmo assim, não é verídico. Entre 1º de janeiro e 22 de agosto de 2019, quando a postagem foi veiculada pela primeira vez, o sistema do Inpe acumulava 23.887 alertas de devastação, o que correspondia a uma área de 5,8 mil km², não de 2,9 mil km².

Assim, além de ser patentemente falso, um número parcial obtido por um dos sistemas do Inpe não poderia ser comparado corretamente com os dados consolidados de gestões anteriores e calculados por outro programa que mede o desmatamento no bioma.

Ainda que imperfeita – por desconsiderar a série histórica e outras variáveis que impactam na estatística –, a comparação entre o Prodes do segundo ano do primeiro mandato de cada presidente seria mais correta nesta avaliação. Por esse critério, a área desmatada na Amazônia sob Bolsonaro não seria a menor entre os seus antecessores.

Entre agosto de 2011 e julho de 2012, sob Dilma, o Prodes registrou 4,6 mil km² de área desmatada, menos da metade do mesmo período de mandato de Bolsonaro (agosto de 2019 a julho de 2020): 10,9 mil km². Por outro lado, o atual presidente de fato ficaria à frente de FHC (18,2 mil km² em 1996/1997) e de Lula (27,8 mil km² em 2004/2005).

Referências:

1. Inpe
2. Aos Fatos


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