Como um esquema de anúncios e sites falsos de suplementos enganou até seus participantes

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E.L.S. mal tinha 20 anos de idade quando foi incentivado, em um grupo que ensinava a ganhar dinheiro com o marketing digital, a contratar uma empresa para ter sua própria marca de suplementos. Anos depois, seu único retorno foi uma multa de R$ 5.000 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Em 2021, o gaúcho adquiriu por R$ 7.000 um pacote da MFP Digital para lançar um suposto tratamento para a diabetes. A empresa de marketing prometia se encarregar desde a criação da fórmula até o suporte de vendas, passando pelo registro da marca e pela logística de entrega — os frascos iriam da fábrica direto para os clientes.

O pacote trazia ainda material de divulgação, incluindo o site de vendas e uma notícia falsa em uma página que imitava um portal jornalístico — chamada de “advertorial” no jargão do marketing digital. “Todo produtor recebia um ‘adv’ no formato do g1 ou R7”, relata o empreendedor.

O caso ilustra um esquema que permite que fabricantes de suplementos se beneficiem da propagação em massa de anúncios fraudulentos nas redes sem ter problemas com a fiscalização.

“No caso de empresas terceiristas, que fabricam para outras marcas, é muito difícil atribuir responsabilidade [pela propaganda enganosa] ao fabricante”, reconhece Renata de Araújo Ferreira, técnica da área de Fiscalização da Anvisa. “Se não conseguimos fazer esse vínculo, quem é responsabilizado é o vendedor ou o detentor da marca ou do domínio do site”, explica.

Slide de apresentação em tons branco, azul e cinza mostra dois laptops sob o título ‘criação de sites’. O primeiro traz site da MFP com um frasco de cápsulas em que se lê, no rótulo, a indicação de que é possível colocar ali uma marca própria. O segundo é uma página que mostra uma notícia falsa com o título ‘médicos estão loucos com esse gel que reduz a barriga em apenas 1 hora’.
Apresentação de 2021 da MFP Digital mostra site com notícia falsa sensacionalista (no destaque) entre serviços oferecidos pela empresa (Reprodução)

A Anvisa proíbe a atribuição de efeitos terapêuticos a suplementos alimentares. Para impulsionar as vendas, porém, esses produtos costumam ser anunciados nas redes como emagrecedores milagrosos ou falsas curas para problemas de próstata, dores nas articulações, impotência, diabetes e calvície, entre outros.

A proibição costuma ser omitida por influenciadores do marketing digital, área em que esses produtos são conhecidos como “encapsulados” ou “nutracêuticos” — palavra que, em desacordo com a Anvisa, remete aos supostos efeitos terapêuticos desses suplementos, que não têm eficácia comprovada.

Além do processo administrativo, que pode gerar multa de até R$ 2 milhões, os responsáveis pelas propagandas enganosas também podem responder na Justiça por crimes como o de charlatanismo — “inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível”. A pena prevista no Código Penal é de três meses a um ano de prisão, mais multa.

Após o recebimento da multa da Anvisa, E.L.S. chegou a registrar uma queixa no Reclame Aqui contra a MFP Digital, que teria criado o site multado, mas precisou arcar com o prejuízo sozinho. “Falaram que a culpa era minha e não me ofereceram nenhuma ajuda”.

A fórmula dos milionários

A MFP Digital foi fundada em 2020 por Matheus Lopes, Fernando Vasconcelos e Pedro Miranda — este último, seu dono atual. Os três são referências no segmento dos nutracêuticos e, juntos, acumulam 600 mil seguidores no Instagram, rede na qual exibem carros importados, viagens internacionais e até aviões particulares.

Homem jovem de barba curta, vestido com terno preto e camisa branca, segura um celular enquanto sai de um carro esportivo branco conversível, estacionado em frente a uma casa moderna com fachada minimalista.
Dono da Capsul Brasil, Pedro Miranda costuma exibir viagens, carros e até avião particular em seus perfis nas redes (Reprodução/Instagram)

A empresa funciona como braço de publicidade digital da fábrica de suplementos Capsul Brasil, registrada em nome de Miranda. Localizada no município de Arcos (MG), a indústria se especializou na terceirização de marcas de encapsulados e cosméticos promovidos na internet por anúncios sensacionalistas.

A fabricante costuma citar essa terceirização para se esquivar das denúncias de consumidores por propaganda enganosa, mas Aos Fatos constatou que a empresa possui envolvimento direto na produção de desinformação sobre seus produtos.

O site da Capsul Brasil hospeda um diretório de “criação” com 536 links para sites de vendas e propaganda, entre eles pelo menos 150 páginas falsas que imitam o layout de portais jornalísticos famosos para divulgar suplementos.

Captura de tela de um sitemap XML do site ‘criacao.capsulbrasil.com.br’, com uma tabela que lista 16 URLs de páginas e suas respectivas datas de última modificação. O título da página é ‘XML Sitemap’ e há uma descrição indicando que o sitemap foi gerado por WordPress para melhorar a visibilidade do site nos motores de busca. As URLs incluem páginas como ‘/pv-fogo-africano/’, ‘/adv-bellakaps/’, ‘/pv-grow-hair-caps/’, entre outras. No topo, há a informação de que o sitemap contém 536 URLs.
Mapa do site da Capsul Brasil mostra 536 links para páginas de vendas irregulares e reportagens falsas que promovem suplementos sem eficácia (Reprodução).

As falsas reportagens promovem supostos tratamentos para emagrecer e curas para doenças, geralmente mentindo que cientistas teriam descoberto um novo remédio. Elas também citam dados falsamente atribuídos a entidades médicas, relatos fictícios em primeira pessoa e até supostos depoimentos de famosos para convencer potenciais compradores.

Material publicitário irregular também pode ser encontrado em diversos drives da Capsul Afiliads, braço da fabricante que atua no ramo do marketing. Para incentivar os afiliados a promover o produto, o drive do suposto emagrecedor New Detox, por exemplo, traz dezenas de peças que atribuem ao suplemento a capacidade de acelerar o metabolismo, acabar com a gordura no fígado e diminuir o apetite.

Algumas peças chegam a indicar a possibilidade de perda de 8 kg em apenas três dias com as cápsulas, promessa considerada “impossível” por Laura Marise, do canal Nunca Vi 1 Cientista. A doutora em biociências analisou a fórmula do produto a pedido do Aos Fatos e constatou que se trata apenas de um composto de fibras.

Card de fundo verde traz, à direita, desenho de um fígado humano abaixo de um frasco transparente de cápsulas do New Detox. No alto, letreiro diz que produto apresenta ‘poderosa fórmula americana que atua diretamente no combate ao excesso de gordura no fígado’. Abaixo, lista com os itens ‘fígado saudável’, ‘acelera o metabolismo’, ‘diminui o apetite’ e ‘emagrecimento saudável’.
Criativo irregular do New Detox é oferecido para download em drive da Capsul Afiliads que traz material de divulgação do produto (Reprodução)

Além da indústria de suplementos, da Capsul Afiliads e da MFP Digital, Pedro Miranda também é dono da agência de publicidade Vynce, da empresa de logística Arco e da plataforma de afiliados Keed, na qual são expostos dezenas de supostos tratamentos irregulares para questões estéticas e de saúde.

Já Matheus Lopes e Fernando Vasconcelos, que se desligaram da MFP, são sócios da Reis do Nutra, outra empresa que oferece serviços para criação de marcas de encapsulados. Os dois influenciadores também possuem seus próprios suplementos — alguns deles proibidos pela Anvisa — e oferecem mentorias que prometem enriquecimento fácil vendendo os chamados nutracêuticos.

Mentira dita mil vezes…

Análise do Aos Fatos indica que o g1 é o portal jornalístico mais copiado pelos sites com desinformação sobre encapsulados, que também costumam imitar o design das páginas do UOL e do R7 para promover seus produtos.

Em um vídeo do canal de Matheus Lopes no YouTube, por exemplo, é possível ver uma falsificação do portal da Globo sendo exibida como exemplo em um treinamento gratuito de marketing digital.

Captura de tela de um vídeo no YouTube em que instrutor aparece em um quadro à direita, com o nome do canal ‘Treinamento de Vendas — Matheus Lopes’. No centro da tela, há uma página da web simulando uma reportagem do portal g1, na seção de saúde, com o título: ‘Exclusivo: Gotas com Extratos de Raízes e Colágeno UC2 podem acabar com dores em poucos dias’. A linha fina diz: ‘Solução natural para quem sofre com dores no corpo, artrite, artrose, reumatismo, fibromialgia e etc.’ A URL no topo revela que é um site falso, não pertencente ao g1, utilizado para divulgação do produto Curcumy. Na parte inferior, a transcrição do vídeo diz: ‘então aqui, ó, é uma página de saúde’.
Treinamento gratuito em marketing digital publicado no canal de Matheus Lopes no YouTube mostra como publicar página falsa do g1 (Reprodução/YouTube)

O fornecimento de “páginas do g1” também estava entre as promessas feitas a quem adquirisse o curso “Master Class Print on Demand”, promovido pelo influenciador Daniel Penin.

Penin já foi sócio da MFP Digital e é dono da marca Branding Caps, que também vende suplementos e cosméticos. O influenciador ganhou fama fora do mundo dos nutracêuticos com a produção de documentários contrários ao atual governo e acumula hoje 4,6 milhões de seguidores nas redes.

Comercializado por quase R$ 3.000, o curso oferecia franquias exclusivas de produtos da Capsul, empresa parceira da empreitada — uma página de promoção das aulas aparece no diretório de criação da fabricante mineira.

A suposta falta de cumprimento das promessas, porém, fez diversos alunos acusarem o curso de “propaganda enganosa”. Entre as cobranças estava a de fornecimento das páginas falsas do g1.

“As páginas do g1 estão disponíveis no drive de cada produto e foram ensinadas em aulas no módulo Trilha dos Produtores, mostrando como subir esses sites no WordPress da HostGator. Você pode revisar essas aulas e aplicar em seu site do g1”, rebateu a empresa de Penin na queixa de uma aluna.

Três homens posam em cima de carros de luxo estacionados em uma rua arborizada: à esquerda, um homem em pé sobre uma Ferrari vermelha conversível; ao centro, um homem descalço de roupa preta em pé no capô de uma caminhonete RAM; à direita, outro homem em pé sobre um Lamborghini preto.
Fernando Vasconcelos (à esq.), Daniel Penin (centro) e Matheus Lopes (à dir.) prometem ensinar a enriquecer com a venda de suplementos (Reprodução/Instagram)

…torna-se verdade. Além da falsificação de páginas noticiosas, a Capsul Brasil também investiu em publicar conteúdos patrocinados no site verdadeiro do g1.

Em 2023, a fábrica comprou uma série de espaços publicitários na Rede Vanguarda, afiliada da Globo no Vale do Paraíba (interior de São Paulo), e passou a utilizar os links desses publieditoriais para promover supostos emagrecedores e tratamentos para a próstata, controle de diabetes e parar de fumar.

Notícia na editoria ‘Transformando Vidas’ do g1 exibe o título ‘Controle diário de diabetes? Conheça novo suplemento alimentar’ sob indicação de que se trata de conteúdo publicitário. Texto tem como autor a Capsul Brasil e promove produto chamado Glicofree.
Página verdadeira do g1 mostra conteúdo pago pela Capsul Brasil para promover suplemento com promessas irregulares (Reprodução)

Com aviso discreto de “conteúdo publicitário”, os textos pagos pela Capsul Brasil no g1 apresentavam informações falsas e que contrariam as regras da Anvisa. É o caso do suplemento MaxProst, descrito como “fórmula 100% natural que auxilia no tratamento contra hiperplasia” da próstata — o produto foi proibido em 2024.

Ao digitar no Google “Capsul Brasil é confiável?”, um dos primeiros resultados da busca era outro anúncio da empresa mineira no g1. A confusão entre jornalismo e conteúdo pago era agravada pela IA (inteligência artificial) do buscador, que tratava a propaganda como reportagem ao responder a perguntas sobre a empresa.

Procurada, a Rede Vanguarda, que responde pelo g1 Vale do Paraíba, disse que os conteúdos publicitários que veicula “são exibidos em estrita observância à legislação aplicável e às normas éticas que regem a publicidade no Brasil, em especial às regras do Conar [Conselho Nacional Autorregulamentação Publicitária]”.

A empresa declarou que a legislação vigente atribui a responsabilidade pelo conteúdo de peças publicitárias integralmente ao anunciante e disse que “não promove nem dissemina desinformação, atuando dentro dos limites legais, zelando sempre pela transparência e respeito na relação com o público do site” (leia a íntegra). Os publieditoriais saíram do ar após o contato do Aos Fatos.

Já o Google não comentou a falha em sua IA. Sobre a difusão de anúncios nas redes que contrariam as regras da Anvisa, a empresa disse ter “políticas claras sobre o que é possível anunciar no Google Ads” e que, no caso dos medicamentos, “espera-se que os anúncios cumpram as leis aplicáveis e as normas da indústria”.

“Atuamos com revisão humana e IA para checagem dos conteúdos. Quando identificamos uma violação, agimos imediatamente. Somente em 2024, no Brasil, removemos mais de 200 milhões de anúncios violadores e suspendemos mais de 1 milhão de contas”, afirmou também a plataforma.

Regulação do mercado

Até o ano passado, apenas as vigilâncias sanitárias locais eram avisadas do início da fabricação de suplementos. Agora, todas as marcas devem notificar a Anvisa quando lançarem produtos e, a partir de setembro, serão obrigadas a ter todo o seu portfólio registrado na agência.

A mudança moderniza a fiscalização de um segmento que é, hoje, o campeão de reclamações. De acordo com Renata Ferreira, técnica da área de Fiscalização da Anvisa, a maioria dessas queixas se deve à propaganda irregular.

Apesar da mudança de regras, muitos vendedores têm conseguido escapar da fiscalização mais rigorosa publicando anúncios nas redes com links que levam diretamente para conversas no WhatsApp — que fogem do alcance da IA da Anvisa que rastreia sites.

Um estudo do NetLab (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), mostrou que mais de 60% dos anúncios fraudulentos direcionados a mulheres nas plataformas da Meta levavam os usuários para o WhatsApp.

“As plataformas fazem parte dessa cadeia da fraude, da indústria da desinformação. Elas são atores essenciais, porque permitem explorar as vulnerabilidades dos usuários”, critica Nicole Sanchotene, pesquisadora do NetLab, ressaltando que as redes, ao usarem dados para segmentar o público dos anúncios, permitem que idosos sejam alvos de conteúdos fraudulentos.

No último dia 26, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ampliar a responsabilização das plataformas pela circulação de conteúdo criminoso. No caso da publicidade, a responsabilização é automática — a decisão entende que, se as empresas lucram com a venda de anúncios, devem verificar previamente a legalidade deles.

“Os termos de uso das plataformas já dizem que fraudes não podem ser veiculadas, mas o que elas têm hoje de fiscalização não é suficiente”, avalia Lucas Marcon, advogado do Idec (Instituto de Defesa de Consumidores), atribuindo as falhas ao fato de as empresas lucrarem com a venda de anúncios.

Marcon considera que a decisão do STF permitirá responsabilizar as plataformas no caso de anúncios “claramente fraudulentos”, como os golpes que utilizam nomes de órgãos do governo. Já as propagandas enganosas de suplementos devem ficar “em uma zona cinzenta”, pois seria necessário provar que as promessas são falsas.

Outro lado

Em nota enviada ao Aos Fatos, a Capsul Brasil afirma que as informações publicadas pela reportagem “não condizem com a realidade e aparentam ter como objetivo descredibilizar a empresa”, que diz contribuir “significativamente para o sucesso de empreendedores que lançam produtos no mercado e obtêm resultados positivos com a comercialização de vitaminas e suplementos, sempre em conformidade com as normas e legislações vigentes no país”.

A companhia de Pedro Miranda também declarou que, caso a reportagem fosse publicada, “tomará todas as medidas judiciais cabíveis para buscar reparação por quaisquer danos que venha a sofrer em decorrência da divulgação de informações inverídicas”.

A empresa não indicou quais dados estariam incorretos nem apresentou qualquer contraponto aos fatos narrados na reportagem, limitando-se a uma afirmação genérica seguida da ameaça (veja a nota).

Matheus Lopes respondeu a contato inicial por Instagram, indicando endereço de email, mas não respondeu ao pedido de posicionamento até a publicação deste texto. O instrutor do vídeo que aparece em seu canal, Ayrton Ferreira, foi procurado por email e WhatsApp, mas também não se manifestou.

Aos Fatos contactou Fernando Vasconcelos e Daniel Penin por Instagram, email e por meio de um advogado que trabalha para ambos, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

O caminho da apuração

Aos Fatos conheceu a atuação da Capsul Brasil e da MFP Digital na investigação para a reportagem que revelou o uso de vídeos de falsos indígenas criados por IA para vender um suposto suplemento para dores nas articulações.

Buscas no Google levaram a um dos sites falsos hospedados no diretório de criação da Capsul Brasil. A URL do domínio foi mapeada, levando à lista completa das páginas desinformativas.

A reportagem verificou sites, lojas de produtos físicos nas plataformas de afiliados e grupos no Telegram para localizar os drives com o material irregular de promoção. Também foram analisadas dezenas de queixas de consumidores no site Reclame Aqui.

A relação dos influenciadores com as empresas citadas foi traçada com a ferramenta CruzaGrafos, a aquisição de certidões públicas na Junta Comercial de Minas Gerais, consultas a processos no Jusbrasil, um pedido ao Ministério da Fazenda via Lei de Acesso à Informação e a análise de publicações antigas nas redes sociais dos empresários.

Aos Fatos também consultou a Anvisa, o Ministério Público de Minas Gerais e especialistas. Por fim, foi feito contato com as empresas citadas e seus representantes para solicitar posicionamento.

Colaborou Marco Faustino.

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