Como em 2019, perfis no Twitter atacam ONGs e estrangeiros para negar incêndios na Amazônia

18 de setembro de 2020, 13h23


No relatório do Radar Aos Fatos desta semana analisamos como se deu no Twitter o debate em torno do aumento dos focos de incêndio na Amazônia e no Pantanal, que, pelo segundo ano consecutivo, está no centro do noticiário brasileiro (inscreva-se aqui para receber o relatório completo todas as semanas).

Os dados da plataforma indicam que o discurso ambientalista, que denunciou os problemas ambientais, prevaleceu na discussão da última semana (com 62% das interações totais), mas narrativas "negacionistas", que buscavam desacreditar a existência dos incêndios, também tiveram engajamento relevante (11% do total).

Além da diferença de volume, os dois lados também se distinguiram no escopo dos temas abordados. Enquanto o discurso ambientalista alertou para as queimadas nos dois biomas, a narrativa negacionista se concentrou em falar sobre a Amazônia e ignorou a questão do Pantanal.

No debate sobre a região amazônica, também chama atenção como as últimas semanas espelham o que aconteceu em 2019. No lado ambientalista, as queimadas levaram mais uma vez a uma mobilização internacional —da qual, de novo, fez parte o ator Leonardo DiCaprio— que responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro pelo problema.

Já apoiadores do presidente responderam à campanha rechaçando a ideia de que a administração federal tenha responsabilidade sobre os incêndios na Amazônia. Alguns, como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o vice-presidente da República Hamilton Mourão chegaram a negar que o bioma esteja sofrendo com as queimadas. Outros voltaram a recorrer a teorias conspiratórias que culpam ONGs e a influência de "interesses internacionais" na região.


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