Não é real o vídeo que mostra um suposto soldado brasileiro que servia no exército russo e que teria sido capturado pelas tropas ucranianas. A gravação compartilhada pelas peças de desinformação foi gerada por IA. Além disso, não há registros na imprensa ou em canais oficiais que comprovem a veracidade da alegação.
O conteúdo enganoso acumulava ao menos 15 mil curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta sexta-feira (8).
Maranhense que desertou das tropas russas é capturado e preso pelo exército ucraniano.

Posts nas redes têm compartilhado um vídeo criado com IA para disseminar desinformação sobre brasileiro que supostamente teria sido capturado pelo exército da Ucrânia após desertar das tropas russas. Por meio de busca reversa, Aos Fatos verificou que o conteúdo foi publicado originalmente por uma página que posta imagens sintéticas.
Também é possível notar distorções que indicam que o vídeo é falso:
- O caminhão que surge ao final da gravação não tem motorista (veja abaixo);

- O mesmo veículo possui placa branca, sendo que carros oficiais do exército da Ucrânia têm placa preta (veja abaixo).

Em busca na imprensa e em canais oficiais, Aos Fatos não encontrou indícios de que a história compartilhada pelos posts seja verdadeira. Procurado, o Itamaraty afirmou que não tem dados sobre combatentes alistados em conflitos internacionais, uma vez que a ação “independe da ciência ou autorização do governo brasileiro”.
O caso mais parecido com o do vídeo falso é o de Caio Henrique Lima, ex-morador de Três Lagoas (MS) que atuou no exército russo. De acordo com familiares, ele viajou ao país devido a uma promessa de emprego, mas acabou sendo enviado para a guerra à força. Lima, no entanto, não se parece com o homem do vídeo (veja comparação abaixo).

Também houve o caso do fuzileiro naval Francisco Elton Araújo, que decidiu ser voluntário do exército da Ucrânia e está desaparecido desde novembro de 2025. O jovem também não se assemelha ao homem que aparece no vídeo enganoso (veja o comparativo acima).
Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica.
O caminho da apuração
Aos Fatos fez uma busca reversa pelo vídeo viral e encontrou o registro original, publicado por um perfil satírico que posta imagens sintéticas. Depois, procuramos indícios que indicassem que a gravação era gerada por inteligência artificial.
Por fim, consultamos o Itamaraty e reportagens publicadas na imprensa para verificar se havia alguma história similar à relatada pelas peças de desinformação.





