Comandante do Exército não criticou decisão que classificou PCC e CV como terroristas

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Não é verdade que o comandante do Exército, general Tomás Paiva, se opôs publicamente à decisão dos EUA que classificou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como terroristas e disse que, “se fossem, já teríamos combatido”. Não há registro da fala na imprensa e a Força desmentiu a autoria da frase em nota ao Aos Fatos.

Esta peça de desinformação acumulava milhares de interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta quarta-feira (3).

Exército se opõe a classificar PCC e CV como terroristas: ‘Se fossem, já o teríamos combatido’.

Imagem mostra uma montagem gráfica com temática militar. Em destaque aparece o general Tomás Paiva, homem de pele clara, cabelo grisalho curto e boina verde do Exército, usando uniforme camuflado. Ao fundo há militares armados com uniformes de combate, capacetes e rostos parcialmente cobertos. Em uma imagem circular menor à direita, três militares de alta patente aparecem sentados em uma mesa ao ar livre, comendo fatias de melancia. Na parte inferior há um texto em letras maiúsculas que diz: ‘EXÉRCITO SE OPÕE A CLASSIFICAR PCC E CV COMO TERRORISTAS: “SE FOSSEM, JÁ OS TERÍAMOS COMBATIDO”’. Um trecho da imagem à esquerda está parcialmente desfocado por um bloco pixelizado para preservar a identidade do autor do post.

Não há registros públicos de que o general Tomás Paiva, comandante do Exército cuja foto está em destaque nas peças de desinformação, tenha se manifestado contra a decisão do governo americano de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas.

Aos Fatos não encontrou a declaração destacada nas peças de desinformação em busca na imprensa e no site do Exército. Notícias veiculadas pelo UOL e pela CNN Brasil recentemente dão conta de que a cúpula militar teria lido a decisão do governo Trump como um movimento político e eleitoral, sem grandes consequências ao Brasil.

Contatado pelo Aos Fatos, o Exército também negou que Paiva tenha dito algo semelhante ao que tem sido compartilhado nas redes.

O governo Trump anunciou a inclusão de PCC e CV na lista de organizações terroristas internacionais na quinta-feira (28), com efeito a partir da próxima sexta (5). Com isso, as facções brasileiras passam a integrar uma lista dos EUA que permite a adoção de medidas como o bloqueio de ativos, restrições migratórias e sanções a pessoas ou entidades que prestem apoio material aos grupos designados.

Em nota divulgada em 29 de maio, o governo brasileiro reiterou que as duas facções são tratadas como organizações criminosas. O Planalto argumentou que elas não seriam terroristas porque buscam lucros financeiros, em vez de motivações políticas, ideológicas ou religiosas.

Essa peça de desinformação também foi checada pela Reuters.

O caminho da apuração

Aos Fatos identificou que o homem em destaque nas imagens é o comandante do Exército, general Tomás Paiva. Buscamos a declaração citada nos posts na imprensa e no site oficial do Exército, mas não encontrou nenhuma frase semelhante. Também entramos em contato com a assessoria da instituição e do Ministério da Defesa para abrir espaço para comentários.

Referências

  1. Exército Brasileiro (1 e 2)
  2. UOL
  3. CNN Brasil (1 e 2)
  4. BBC Brasil
  5. g1

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