Venda de Coca-Cola em embalagens menores não tem a ver com governo Lula

Compartilhe

Adicione o Aos Fatos às suas fontes do Google

fonte preferencial

Não é verdade que a Coca-Cola reduziu as embalagens de refrigerantes e manteve os preços em razão do mau desempenho da economia no governo Lula, como alegam posts nas redes. A empresa afirma que, há anos, adota uma estratégia global para diversificar os tamanhos de seus produtos, não substituindo os já existentes. A ideia é fazer frente a mudanças no padrão de consumo, evitando assim queda nas vendas.

O conteúdo enganoso acumula 150 mil visualizações no X e 2.500 curtidas no Instagram até a tarde desta terça-feira (5).

[Com novo CEO brasileiro, Coca-Cola encolhe embalagens para driblar queda no consumo e inflação]. Você vai pagar o mesmo preço mas vai levar menos produto, essa estratégia se chama REDUFLAÇÃO, uma forma de enganar o consumidor pra que ele não se assuste com os preços e pare de consumir. Governo Lula quebrou o Brasil.

A imagem mostra um post em rede social com texto crítico ao governo Lula. Abaixo, há uma montagem com duas partes: à esquerda, um recorte de matéria do g1 com o título ‘Com novo CEO brasileiro, Coca-Cola encolhe embalagens para driblar queda no consumo e inflação’, acompanhado de subtítulo explicativo e crédito de autoria; à direita, a foto de um homem coberto de lama até o rosto, com expressão intensa, levantando um braço, sobre a qual há um texto em destaque parcialmente visível que diz ‘PELO MENOS  TIRAMOS O BOZO’.

Publicações nas redes enganam ao afirmar que a Coca-Cola teria decidido reduzir o tamanho das embalagens pelo desempenho ruim da economia brasileira sob o governo Lula. Uma reportagem do g1 em que o novo CEO da marca de bebidas fala de uma estratégia mundial para diversificar os produtos serviu de base para a desinformação.

Porém, não procede que essa seja uma estratégia nova nem restrita ao Brasil. De acordo com a assessoria da Coca-Cola Brasil, há anos que a empresa tem lançado produtos em tamanhos reduzidos, mas sem substituir as versões já existentes. Logo, não há, como alegam os posts, “reduflação” — quando há diminuição do produto sem redução no preço.

Conforme explica a reportagem original, do Wall Street Journal, na qual o g1 se baseia, a estratégia citada pelo CEO da Coca-Cola, Henrique Braun, visa combater uma possível queda de receita pela redução no orçamento dos consumidores — especialmente nos EUA — e pela queda mundial no consumo de refrigerantes.

Braun explicou ao jornal americano que a companhia pretende focar na venda de latas e garrafas menores para atender um público que consome menos refrigerante. Um exemplo disso são as mini-latas e garrafas de 1,25 litro. Isso não significa, no entanto, que produtos de outros tamanhos não serão mais comercializados.

A assessoria da Coca-Cola Brasil afirmou ao Aos Fatos que as declarações de Braun não dizem respeito a uma nova estratégia e apenas reforçam o que vem sendo adotado pela empresa há muitos anos: “foco em oferecer ao consumidor um portfólio amplo e flexível, com diferentes opções de bebidas, com ou sem açúcar e com menos calorias, além de variados tipos de embalagens e faixas de preço, atendendo a diferentes ocasiões de consumo e contextos de mercado”.

Lucro. Dados divulgados pela Coca-Cola também contrariam a alegação de que a empresa estaria enfrentando uma crise econômica causada pelo governo Lula. Os relatórios financeiros trimestrais mostram que a marca apresentou lucros bilionários na América Latina.

Apesar de não haver números públicos referentes apenas ao Brasil nos relatórios da Coca-Cola Company, os documentos exibem alguns pontos positivos sobre mercado brasileiro:

  • A empresa aponta que, no primeiro trimestre de 2026, por exemplo, o volume de vendas de Sprite teve crescimento de dois dígitos pelo Carnaval e pelo verão;
  • Em 2025, a venda de produtos no Brasil foi uma das que mais cresceu;
  • E, em 2023, a empresa colocou o país como um dos principais responsáveis pelo crescimento no mercado mundial.

Já a Coca-Cola Femsa, que atua como subsidiária no México e na América Latina, manteve a receita positiva desde 2023, primeiro ano do atual mandato de Lula. No primeiro trimestre deste ano, as receitas da empresa no Brasil somaram 21,3 bilhões de pesos mexicanos (aproximadamente US$ 1,2 bilhão).

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou a reportagem do g1, bem como a entrevista original do CEO da Coca-Cola Company ao Wall Street Journal, para explicar o real contexto da medida. Também entramos em contato com a assessoria de imprensa da empresa nos EUA e no Brasil.

Depois, procuramos os relatórios fiscais trimestrais da Coca-Cola Company e da Coca-Cola Femsa desde janeiro de 2023.

Referências

  1. g1
  2. Wall Street Journal
  3. Investors (1, 2, 3, 4 e 5)

Compartilhe

Adicione o Aos Fatos às suas fontes do Google

fonte preferencial

Leia também

falsoVídeo mostra celebração na Turquia, não marcha de imigrantes para Ceuta

Vídeo mostra celebração na Turquia, não marcha de imigrantes para Ceuta

falsoNão há evidências de que ivermectina tenha 70% de eficácia contra a Covid-19

Não há evidências de que ivermectina tenha 70% de eficácia contra a Covid-19

falsoBolsonaro não foi inocentado de acusações da CPI da Covid-19

Bolsonaro não foi inocentado de acusações da CPI da Covid-19

fátima
Fátima