Churchill não disse que 'fascistas do futuro chamarão a si mesmos de antifascistas'

Por Priscila Pacheco

1 de junho de 2020, 19h23


Não é verdade que o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Winston Churchill (1874-1965) tenha dito que “os fascistas do futuro se chamarão a si mesmos de antifascistas”, como afirmam publicações nas redes sociais em português (veja aqui). A frase circula na internet pelo menos desde 2010 e já foi compartilhada por políticos da Espanha e dos Estados Unidos com perfis autenticados no Twitter. No entanto, em 2018, a International Churchill Society (Sociedade Internacional Churchill, em português), organização que preserva a memória do político britânico, publicou uma nota na qual nega que ele seja autor de tal citação.

No Brasil, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), postaram a frase com a falsa autoria no domingo (31) após manifestações de grupos autodenominados antifascistas contra Jair Bolsonaro. Até a tarde desta segunda-feira (1º), a publicação de Eduardo contava com ao menos 11.800 retweets e 28.400 curtidas. Já o post de Flávio tinha 3.300 retweets e 10.500 curtidas.

No Facebook, a peça de desinformação foi publicada por diversos perfis pessoais e somava ao menos 6.400 compartilhamentos. Todas as publicações no Facebook foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da plataforma (saiba como funciona).


FALSO

'Os fascistas do futuro se chamarão a si mesmos de antifascistas' - Winston Churcill

É falso que o ex-ministro do Reino Unido Winston Churchill (1874-1965) tenha dito que “os fascistas do futuro se chamarão a si mesmos de antifascistas”, como afirmam publicações que têm circulado nas redes sociais. A International Churchill Society (Sociedade Internacional Churchill, em português), organização que preserva a memória do político britânico, publicou uma nota em 2018 negando que a fala seja do ex-ministro. “A citação nunca foi documentada como tendo sido dita ou escrita por Churchill", afirma.

A frase circula na internet ao menos desde 2010 e já foi compartilhada em perfis autenticados do Twitter de políticos em diferentes momentos. Em 2017, por exemplo, foi postada pela ex-presidente regional da Espanha e integrante do conservador Partido Popular Cristina Cifuentes. Em 2018, quem fez a publicação foi Greg Abbott, governador do Texas (EUA). À época, o tweet foi checado pelo jornal The Washington Post e pelos sites PolitiFact e Snopes.

No Brasil, a frase também circula na internet há alguns anos, mas ganhou repercussão neste domingo (31) ao ser compartilhada pelos perfis autenticados do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) após manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro. O Aos Fatos entrou em contato com Eduardo e Flávio para que comentassem sobre o conteúdo, mas não teve retorno até a publicação da checagem.

No domingo, houve manifestações organizadas por grupos contra e a favor do governo Bolsonaro. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os grupos contra Bolsonaro se identificavam como antifascistas.

A peça de desinformação que tem circulado desde domingo com a frase atribuída a Churchill também foi checada por Estadão Verifica, Fato ou Fake e Boatos.org.

Referências:

1. International Churchill Society
2. The Washington Post
3. PolitiFact
4. Snopes
5. Estadão (Fontes 1 e 2)
6. G1
7. Boatos.org