China não comprou toda a produção de açaí do Amapá até 2031

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Não é verdade que a China comprou toda a produção de açaí do Amapá até 2031, como afirmam postagens nas redes sociais. O acordo citado prevê a exportação de 15.000 toneladas da fruta nos próximos cinco anos, equivalente a cerca da metade do que o estado produz em um ano. Além disso, o contrato foi firmado com apenas uma cooperativa do estado, mas há outras 12 organizações do tipo no Amapá.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 10.500 interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta quinta-feira (6).

A China comprou toda a produção de açaí do Amapá até 2031!

A imagem é uma ilustração em estilo cartunesco. Na parte superior, sobre um fundo de céu com nuvens e um horizonte iluminado, aparece o título em letras pretas maiúsculas: 'A GRANDE FOME DO DRAGÃO NA AMAZÔNIA'. Ao centro, há um grande dragão vermelho e alaranjado com barriga amarela, chifres, presas e língua comprida para fora. O dragão está enrolado sobre si mesmo, ocupando quase toda a imagem, com expressão agressiva e boca aberta. O fundo representa uma vista aérea de uma floresta cortada por rios sinuosos. À direita, há um pequeno mapa com a palavra 'CHINA' sobre uma área destacada em vermelho e uma seta apontando em direção à região da Amazônia. Na parte inferior da imagem, sobre a região das patas do dragão, aparece a palavra 'COMPROU' em letras brancas. No canto inferior direito há mais textos parcialmente visíveis, entre eles 'RECURSOS NATURAIS', além de outros elementos cortados pelas bordas da imagem.

Publicações nas redes sociais enganam ao afirmar que a China comprou toda a safra de açaí produzida pelo Amapá pelos próximos 5 anos. O acordo comercial firmado prevê a exportação de 15.000 toneladas da fruta até 2031, o que corresponde a cerca da metade da produção anual do estado.

O negócio internacional foi fechado entre a cooperativa Amazonbai com a Bio+Açaí, segunda maior rede de distribuição de alimentos da China. No entanto, o Amapá tem outras 12 organizações do tipo, segundo levantamento de 2019 do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Não se trata, portanto, da compra “toda a produção” de açaí do estado do Amapá, e sim do volume produzido por somente uma cooperativa. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Amapá produziu 22 mil toneladas de açaí em 2024 e cerca de 30 mil toneladas em 2025,

O estado também não é o principal produtor nacional da fruta. Em 2024, o Amazonas colheu mais de 90 mil toneladas de açaí, enquanto o Pará respondeu por mais de 1,6 milhão de toneladas, liderando a produção brasileira.

O contrato citado nas postagens desinformativas foi anunciado em maio durante uma feira de alimentos na Ásia. A cooperativa Amazonbai foi uma das oito organizações brasileiras que participaram do evento com apoio do governo federal para ampliar a presença de produtos nacionais no mercado internacional.

Esta não é a primeira vez que publicações nas redes utilizam informações falsas para sugerir que o governo Lula estaria abrindo mão da soberania brasileira e “entregando o país” à China. Aos Fatos já desmentiu alegações de que:

Esta peça de desinformação também foi checada pela AFP.

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou o anúncio oficial do governo federal sobre o acordo firmado entre a cooperativa Amazonbai e uma distribuidora chinesa, além de dados do IBGE sobre a produção de açaí no Amapá e nos demais estados produtores.

A reportagem também comparou o volume previsto no contrato com a produção estadual para comparar os números previstos na parceria com o total produzido no estado.

Referências

  1. Governo federal
  2. Embrapa
  3. IBGE (1 e 2)
  4. g1
  5. Pará
  6. Aos Fatos (1, 2, 3, 4 e 5)

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