Jornalista
Boa noite.
Nós estamos entrevistando esta semana os candidatos à Presidência da República nas eleições 2026. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi decidida num sorteio com a presença de representantes das campanhas.
Hoje nós recebemos aqui no estúdio o candidato Flávio Bolsonaro do PL. Amanhã, nosso convidado é Augusto Cury, do Avante. Nós já entrevistamos Romeu Zema, do Novo; Ronaldo Caiado, do PSD; Renan Santos, do Missão; e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Cada entrevista tem 40 minutos de duração com dois blocos e as considerações finais dos candidatos. Então vamos começar relembrando a trajetória política de Flávio Bolsonaro.
Flávio Nantes Bolsonaro tem 45 anos, nasceu em Resende, no Rio de Janeiro, é advogado e empresário. Entrou na política no início dos anos 2000 por influência do pai, Jair Bolsonaro. Começou no Partido Progressista Brasileiro. Em 2002, foi eleito o deputado mais novo da Assembleia do Rio, onde ficou por quatro mandatos consecutivos. Em três deles, no Partido Progressista. Disputou a Prefeitura do Rio em 2016 pelo PSC e terminou em quarto lugar. Dois anos depois, foi eleito senador pelo Partido Social Liberal. Agora, disputa pela primeira vez a presidência pelo PL. O candidato a vice é do mesmo partido, o deputado federal por Alagoas, Alfredo Gaspar. Candidato, boa noite e obrigada pela sua presença.
Boa noite, candidato.
Flávio Bolsonaro
Boa noite, Renata. Boa noite, Tralli. Boa tarde. Boa noite a você que está em casa e a sua família também.
Jornalista
O tempo da entrevista começa a ser contado a partir de agora e eu quero começar ouvindo o senhor sobre o escândalo do Banco Master. Candidato, o banqueiro Daniel Vorcaro está preso por fraudes bilionárias. E ele repassou 61 milhões de reais para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Primeiro, o senhor negou ter pedido dinheiro para o Vorcaro. Em seguida, vieram a público mensagens de áudio mostrando que sim, o senhor pediu, cobrou dinheiro de Vorcaro para o filme. Em seguida, o senhor omitiu ter se encontrado com o Vorcaro. Em seguida, o senhor reconheceu que se encontrou com o Vorcaro, foi até a casa dele, inclusive no dia seguinte à saída dele da prisão. Eu pergunto ao senhor, diante de todas essas contradições, como convencer o eleitor de que o senhor não teve um relacionamento próximo com Daniel Vorcaro.
Flávio Bolsonaro
Bom, Renata, em primeiro lugar, quero prestar minha solidariedade a você pelo ocorrido aqui no dia de ontem, na sabatina com o próprio presidente da República, com a descortesia que ele cometeu. Da minha parte, obviamente, fiquem à vontade para fazer qualquer tipo de pergunta, como essa pergunta que acho que tem que ser esclarecida, apesar de ter falado várias vezes sobre isso, nunca é demais explicar, não só para vocês, mas principalmente para quem está em casa aqui me assistindo, que não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento privado para um filme do próprio pai.
E alguém que, obviamente, apesar de ser senador, não teve nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para esse investidor. Então, Renata, eu de verdade...
... não tem absolutamente nada de irregular nesse filme.
A investigação da Polícia Federal sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia ficcional do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda está em andamento. Até o momento, nenhuma das partes apresentou documentos que provem que não houve qualquer irregularidade. Apesar de ter dito, meses atrás, que iria divulgar o contrato e prestar contas sobre o projeto, Flávio nunca cumpriu essa promessa. A produtora GoUP apresentou uma perícia contratada de forma terceirizada à Justiça, mas nela não constam as notas fiscais, os recibos e os extratos bancários que detalham as despesas do filme. Um dos pontos que não é explicado, por exemplo, é a origem dos recursos repassados à produtora pelo fundo Havengate, gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Uma das suspeitas da PF é que parte desses valores foi utilizada para custear as despesas do ex-deputado federal, que se mudou para os Estados Unidos com a família em fevereiro de 2025.
Eu não fui buscar dinheiro em Lei Rouanet.
Não fui buscar dinheiro em recursos públicos.
E esse foi um patrocínio, na verdade, que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai.
Jornalista
Sim, também é importante esses fatos, porque o senhor é um senador da República, pleiteando o cargo da presidência e recebeu valores milionários de um banqueiro que está preso por crimes graves, incluindo fraudes bilionárias, incluindo dinheiro de aposentados, milícia privada contra inimigos. Por isso é de interesse público entender não só a sua relação com ele, mas também o detalhamento desse financiamento. Sobre sua relação com ele, na véspera da prisão de Vorcaro, quando as fraudes e as investigações já eram conhecidas e noticiadas, o senhor chegou a dizer numa conversa o seguinte: "estou e estarei contigo sempre". O que o senhor quis dizer com isso?
Flávio Bolsonaro
Renata, é importante separar o tipo de relação privada que envolve esse patrocínio para um filme, que é o mesmo tipo de relação privada de um banqueiro que investiu também...
... que deu um patrocínio de 160 milhões de reais para um programa do Luciano Huck aqui da Globo.
O Will Bank, instituição controlada pelo banco Master, de fato patrocinou em 2025 o quadro Willimpíadas, exibido no Domingão do Huck. O apresentador também participou de campanhas publicitárias da instituição. No entanto, não há evidências de que o banco tenha efetivamente pago o valor citado por Flávio. O valor tem origem em uma estimativa de mercado divulgada em dezembro de 2025 pelo jornalista Luiz Nassif, segundo a qual o investimento poderia variar entre R$ 120 milhões e R$ 160 milhões, considerando o horário e duração do quadro.
Não tem absolutamente nada de errado, é o mesmo, é a mesma pessoa que fez o investimento de 50 milhões de reais no grupo Globo, na editora Globo mais especificamente, para que fossem dadas várias palestras, inclusive uma em Nova Iorque, que foi do Valor Econômico, que é do Grupo Globo. Então, isso aqui, Renata, o patrocínio para o Grupo Globo, o patrocínio para o fundo privado, isso aqui foi de boa fé. Não tem nada de ilegal, está tudo correto. E é completamente diferente da relação que ele construiu junto ao atual governo.
Jornalista
Mas o que o senhor quis dizer com "estarei sempre contigo"? Qual era a relação pessoal com o senhor?
Flávio Bolsonaro
A única relação que eu tinha com ele, Renata, era sobre esse filme e mais nada.
As conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro mostram uma proximidade entre os dois para além de uma mera relação com um potencial investidor. Os dois chamavam um ao outro de “irmão”, e tentaram combinar um jantar na casa do banqueiro em São Paulo. Em uma das mensagens, ao cobrar recursos para a cinebiografia, Flávio escreveu: “Mais uma vez, com toda a liberdade que temos (...)”. A demonstração mais explícita foi em 16 de novembro de 2025, quando o Master já enfrentava crise e questionamentos sobre suas operações. Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”. No dia seguinte, o banqueiro foi preso pela Polícia Federal e, em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação do Master. O senador confirmou ter se encontrado com Vorcaro após a primeira prisão do empresário — segundo ele, para encerrar a participação do banqueiro no filme.
Então, na verdade, ali o filme já estava acontecendo e eu não queria que essa obra de arte fosse perdida. É um sonho que estava se realizando. O presidente Bolsonaro merece uma obra de arte, uma obra-prima como um filme, contando a história, como um herói, que é o que de fato ele é. Resistiu, inclusive, a uma facada até chegar à presidência da República, deu o seu melhor. Então, foi ali uma forma de garantir que esse filme acontecesse. Muito em breve, se Deus quiser, todos vão poder assistir esse grande filme sobre o Jair Messias Bolsonaro.
Jornalista
Candidato, o senhor se referiu a esse patrocínio do evento do Grupo Globo, essas relações com anunciantes, elas são sempre pautadas pelo respeito completo às leis, autorregulamentação também da publicidade e são registradas com absoluta transparência. Então, é importante dizer isso aqui ao senhor, uma vez que o senhor trouxe esse assunto. E, obviamente, como nós estamos trazendo aqui, essa relação do senhor com o banqueiro Daniel Vorcaro é extremamente importante para o eleitor, exatamente pelo fato de que ele é investigado pela maior fraude financeira do sistema brasileiro.
E mais: detalhes são importantes também sobre o caminho desse dinheiro para o financiamento. O assunto não é página virada, porque justamente o senhor não apresentou o contrato com o Daniel Vorcaro. O senhor não apresentou uma planilha detalhada com os milhões gastos no filme, como o senhor prometeu fazer inclusive em maio. O senhor não esclareceu quem são todos os investidores, quanto cada um colocou no filme. O senhor não esclareceu quanto do dinheiro do fundo criado no exterior foi de fato para o filme. O eleitor não merece explicações mais claras sobre esse episódio que ainda está obscuro?
Flávio Bolsonaro
Merece e é o que eu estou fazendo aqui, Renata. É uma relação privada, mais uma vez, que eu só, eu me sinto na obrigação, inclusive, de prestar todos os esclarecimentos, porque eu, obviamente, sou candidato à presidência da República. Então, mais uma vez, todo o patrocínio que foi feito no filme, foi usado no filme. Logo assim, que veio à tona esse áudio e que começou-se a montagem dessa conjuntura, como se tivesse algo de errado nessa relação, que absolutamente não tem nada de errado, eu pedi o quê? Eu falei eu quero em 30 dias que a produtora apresente uma prestação de contas. E, antes desse prazo, a prestação de contas foi feita inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São Paulo por exigência minha, antes dos 30 dias, inclusive eu vi na própria imprensa, foi publicado no site do G1. A prestação de contas estava acontecendo e como se não bastasse, antes de ontem...
Jornalista
Em relação ao site do G1, o senhor falou sobre essa prestação de contas. O G1 trouxe os valores apresentados pela produtora do filme. Mas o próprio G1 também disse que o perito contratado por ela não trouxe mais nenhum tipo de detalhe em relação ao conteúdo dos valores apresentados. Então, o perito, olha só, ele admitiu que ele não acessou o fundo americano que recebeu o dinheiro do vorcaro. E a Polícia Federal considera que essa análise é fundamental exatamente para conseguir entender a origem e o destino desse dinheiro todo, se ficou no Brasil, se foi para fora do Brasil, ou seja, seguir o caminho de todo esse dinheiro. O perito não apresentou nota fiscal, não apresentou comprovante de transferência bancária, não deu nome de financiador, não explicou a origem, o destino, como eu disse, de 75 milhões de reais, ou seja, ele não esclareceu nada em relação ao caminho do dinheiro. Por quê o senhor não apresenta o contrato? Não é do seu interesse dar completa transparência a isso?
Flávio Bolsonaro
Tralli, é do completo interesse e, mais uma vez, tudo já veio à tona pela imprensa. Há dois ou três dias, mais uma vez, uma reportagem da revista Veja, tratando não apenas da prestação de contas, mas também da perícia. O que a perícia conclui, Tralli? Conclui que não tem um centavo de dinheiro público nesse filme. É uma relação completamente privada. E mais: essa perícia mostra também, Tralli, que o patrocínio que foi feito por ele... O filme custou mais do que o patrocínio que ele fez. E o contrato também veio à tona quando vazaram as conversas entre uma pessoa e o Daniel Vorcaro.
Jornalista
O senhor não vai apresentar, então, o detalhamento da planilha?
Flávio Bolsonaro
Ela já está apresentada, inclusive foi em razão desse vazamento, todos sabem hoje...
Jornalista
Tem agora uma série de informações do perito que não trazem absoluta clareza em relação ao que aconteceu.
Flávio Bolsonaro
Como qualquer pessoa pública tem que prestar esclarecimentos, da minha parte aqui, o que eu vi na imprensa, mais uma vez, inclusive para concluir essa resposta, Tralli, é que essa perícia mostra que além de não ter tido um centavo de dinheiro público, o patrocínio que foi feito, o que a produtora usou para fazer esse filme, foi mais inclusive do que foi esse patrocínio realizado. Ou seja, o dinheiro, o recurso, foi todo investido na produção do filme.
Jornalista
Candidato, quando o senhor vai tornar público o contrato que o senhor teve com o Daniel Vorcaro, o contrato que o senhor firmou com o Daniel Vorcaro para receber esse dinheiro?
Flávio Bolsonaro
Eu não firmei contrato com ninguém. A minha parte nesse filme foi autorizar o uso da minha imagem e captar investidores, o contrato não cabe a mim.
Jornalista
O detalhamento da planilha, por exemplo.
Flávio Bolsonaro
Mas se está esclarecido que não tem dinheiro público, a origem do patrocínio, Tralli, é a mesma origem do investimento do patrocínio aqui da Globo. Não é dinheiro público.
Jornalista
O dinheiro que o Vorcaro distribuía era fruto de fraudes bilionárias. O senhor está pleiteando um cargo máximo da República. O senhor precisa de toda a transparência, inclusive com negócios privados que o senhor faz, para justamente dar ao eleitor essas informações claras sobre o caminho do dinheiro, que negócios o senhor faz com o banqueiro e também a relação que o senhor tem com o banco.
Flávio Bolsonaro
Ela está mais do que esclarecida, inclusive eu pedia muito que houvesse a CPMI do Banco Master.
Jornalista
O senhor vai mostrar?
Flávio Bolsonaro
Eu já assinei a CPMI e eu pedi que ela acontecesse, ...
Flávio omite que não houve apenas um pedido de CPMI do banco Master, mas cinco, e que ele não assinou três deles — incluindo o primeiro. O senador assinou os requerimentos apresentados pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), em fevereiro de 2026, e pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), que ainda não foi protocolado. Não há registro de assinatura de Flávio nos pedidos de CPMI feitos pelo senador Eduardo Girão (Novo-ES) em novembro de 2025, pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), em fevereiro de 2026, e pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) em abril.
... porque tudo que eu queria que sentasse Augusto Lima e Daniel Vorcaro para perguntar qual é a sua relação com o Flávio Bolsonaro para ele falar "nenhuma", a relação é com o filme. Agora qual a sua relação com o Lula? Qual é a sua relação com o Jaques Wagner? Qual é a sua relação com o Rui Costa? Qual é a sua relação com o Galípolo? Vorcaro, o que é que você conversou naquela reunião com o presidente Lula, naquela reunião secreta que ele fez junto com o Galípolo, junto com Augusto Lima, em que foi prometido, olha só, espera um pouquinho, Vorcaro, o Lula falando isso, espera um pouquinho, porque daqui a pouco eu troco o presidente do Banco Central com o Galípolo presente nessa reunião.
Galípolo sentado lá para ele trocar o presidente do Banco Central para o presidente do Banco Central novo, indicado por Lula, resolver o Banco Master.
Jornalista
E a sua visita ao banqueiro Daniel Vorcaro, ao dono do Master?
Flávio Bolsonaro
Sempre, toda a minha relação com ele, Renata, sempre foi relativa ao filme, absolutamente.
Jornalista
E o senhor se compromete a tornar públicos os detalhes desse filme?
Flávio Bolsonaro
Já estão públicas as informações que são importantes, já estão públicas.
Jornalista
Não estão ainda. Candidato, relembrando só para o eleitor ter a cronologia do que aconteceu. O senhor recebeu 61 milhões de reais.
Flávio Bolsonaro
Não, não recebi, Renata, por favor. Eu não recebi dinheiro nenhum. Foi um patrocínio para um filme.
Jornalista
O filme recebeu.
Flávio Bolsonaro
A produtora que fez o filme, a produtora fez o filme.
Jornalista
Exatamente.
Flávio Bolsonaro
Não fui eu, só para deixar bem claro, não recebi.
Jornalista
O senhor pediu dinheiro a ele, o senhor pediu dinheiro a ele.
Flávio Bolsonaro
Não pedi dinheiro a ele, pedi um patrocínio.
Jornalista
Isso, patrocínio. Dinheiro para o patrocínio.
Flávio Bolsonaro
Não foi dinheiro para Flávio, deixar bem claro.
Jornalista
Teria pedido a Vorcaro 134 milhões de reais. No fim de 2025, o senhor visitou Daniel Vorcaro em São Paulo. Naquele momento, inclusive, as fraudes do Master já eram amplamente conhecidas do público. Vorcaro, inclusive, já tinha sido preso. Estava com tornozeleira eletrônica. Eu pergunto ao senhor, o senhor alegou que foi lá para dar fim à relação que o senhor tinha com o Vorcaro. É adequado um senador da República visitar a casa de um banqueiro investigado por fraudes bilionárias no sistema financeiro, incluindo o dinheiro dos aposentados?
Flávio Bolsonaro
Olha, Renata, o que não é adequado é um presidente da República receber em uma reunião secreta um banqueiro prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Então fica a pergunta aqui, quem deve os conhecimentos é o Lula. Ele é sócio, ele é conselheiro ou ele é só amigo do Vorcaro e do Augusto Lima? Quem deve as explicações hoje é o atual presidente da República. Mais uma vez... É uma relação privada que não teve absolutamente nenhuma contrapartida da minha parte de favorecê-lo de alguma forma, porque, obviamente, eu sou oposição ao atual governo. Nada que ele pudesse me pedir de ajuda para resolver do poder público, eu poderia ajudá-lo. Então, mais uma vez, isso é um livro que está fechado, ressignificado e na prateleira para quem quiser abrir e ter acesso a hora que quiser.
Jornalista
Mas isso não vai tornar públicas as informações aí?
Flávio Bolsonaro
Está aberto para o público pela imprensa.
Jornalista
O eleitor ainda não tem essa planilha, não tem os detalhes, não tem, enfim, tudo o que nós tratamos aqui, eu vou seguir, então, para a gente falar agora sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil, candidato.
Flávio Bolsonaro
Não, mas só antes de fechar esse assunto, que é importante...
Jornalista
Candidato, ao julgar o caso, o Supremo Tribunal Federal identificou 13 atos numa trama que começou antes das eleições de 2022 e culminou no ataque às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ele foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma organização criminosa que tentou impedir a alternância de poder depois das eleições. E o Supremo enumerou as seguintes ações golpistas: campanha para desacreditar as urnas eletrônicas e a justiça eleitoral, pressão sobre as forças armadas, uso de órgãos públicos contra adversários, plano para assassinar o então presidente eleito, o vice e o ministro do Supremo e a elaboração da chamada minuta do golpe. Diante disso, pergunto ao senhor que garantias o eleitor tem de que o seu grupo político não vai voltar a atacar a democracia se o senhor for eleito?
Flávio Bolsonaro
Ela muito importante a sua pergunta, para que quem está nos assistindo possa saber a grande farsa que foi armada para tirar o presidente Bolsonaro da vida pública. Você citou algumas acusações pelas quais ele foi condenado, ele foi julgado pelos seus inimigos, você tem ideia? Olha, eu vou te falar uma coisa, você nunca queira ser julgado pelos seus inimigos, porque você já sabe qual vai ser o resultado final antes do processo começar. Você falou alguns crimes que foram imputados a ele, organização criminosa armada. Que organização?
As pessoas que estavam naquele 8 de janeiro nem se conheciam, nunca se viram na vida.
Não foi encontrada uma arma no 8 de Janeiro, Tralli.
Flávio repete uma desinformação dita anteriormente pelo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Registros comprovam que os manifestantes roubaram armas do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) naquele dia. Além disso, depoimentos prestados à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investigou os atos golpistas comprovaram que os manifestantes portavam granadas e coquetéis molotov. A Operação Lesa-Pátria, conduzida pela Polícia Federal, apreendeu posteriormente centenas de armas com pessoas que financiaram e fizeram parte de atos antidemocráticos.
Como é que alguém pode ser condenado como foi o presidente Bolsonaro e centenas de outras pessoas por depredação de patrimônio público se ele estava há mais de 10 anos mil quilômetros de distância de Brasília. Eu, para eu quebrar esse copo, eu tenho que pegar ele na mão, tenho que tacar ele no chão, e aí você pode me acusar de ter quebrado o copo. Depredação de um patrimônio público, o pessoal tem que estar fisicamente no mesmo local para poder cometer. Ele foi, foi imputado esse crime a ele, é uma depredação de patrimônio público por wi-fi, é o golpe da Disney, que ele estava nos Estados Unidos. Então, claramente, Tralli, isso tudo foi uma farsa que foi armada. Ele foi só para fechar esse primeiro bloco, essa primeira pergunta sobre isso, olha quem foi que jogou ele. Alexandre de Moraes, um inimigo declarado do presidente Bolsonaro. Flávio Dino, outro ministro indicado pelo Lula, que tem inclusive processo criminal contra o Bolsonaro, que disse que o Bolsonaro é o demônio na terra. O outro, Zanin, indicado pelo Lula, que até ontem era advogado do Lula, você acha que isso foi um julgamento justo?
Jornalista
Candidato, e os depoimentos que embasam esse processo criminal que resultou nas condenações? Tem vários depoimentos de generais de alta patente dentro do governo, na época do governo do seu pai. General Mário Fernandes, trabalhava no Palácio do Planalto, confirmou em interrogatório que foi o autor do plano para matar as autoridades. A PF encontrou o arquivo no Palácio do Planalto, rastreou os celulares dos envolvidos, confirmou que esse documento foi levado até o Palácio da Alvorada, a residência oficial do presidente da República. O general chegou a dizer que o documento era um pensamento digitalizado, mas as investigações apontaram que o grupo só não conseguiu concluir esse plano porque não foi possível, não conseguiu cooptar o comando do exército. Planejar matar autoridades não é um crime contra a democracia brasileira?
Flávio Bolsonaro
Olha, Tralli, você está falando de pessoas que acusam, que fizeram essa montagem, esse contexto mentiroso para condenar essa pessoa. Se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele. Por que o depoimento do Cid, quando ele diz que nunca foi tratado de golpe dentro do governo, com o presidente Bolsonaro, com qualquer pessoa, por que isso foi desconsiderado? A gente está falando atrás de um relator desse processo, que foi ofendido no aeroporto lá na Itália, e o que ele faz? Ele abre um processo contra as pessoas que supostamente constrangeram ele no aeroporto da Itália, como sendo um crime ou atentado contra a democracia porque foi o ministro supremo que foi ali constrangido em algum momento.
Então, essa segurança jurídica que eu vou trazer de volta, eu sou o único candidato que pode trazer essa segurança jurídica de volta. Sou o único candidato que pode recolocar as instituições no seu devido lugar para que o Supremo volte a cumprir a Constituição, ou melhor dizendo, parte do Supremo volte a cumprir a Constituição. Porque hoje, ô César Tralli, o que está acontecendo? Até fontes jornalísticas são ameaçadas, têm quebra de sigilo, sofrem busca e apreensão. Lesando um direito sagrado de todo jornalista, de sigilo da sua fonte, porque um jornalista do Maranhão estava fazendo denúncias de uso do bem público, que era o do Flávio Dino, de forma irregular.
Jornalista
Candidato, vou trazer outros depoimentos importantes aqui então. Lembrando o que afirmaram os comandantes do exército e da aeronáutica no governo do seu pai. Brigadeiro Batista Júnior disse que houve risco iminente de golpe de Estado e pressões para que militares aderissem a uma ruptura institucional. General Freire Gomes confirmou que a minuta do golpe foi apresentada e discutida em reunião com Jair Bolsonaro. Como é que o senhor avalia essas declarações do comandante do Exército e da Aeronáutica? Isso não é grave?
Flávio Bolsonaro
Não, não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da aeronáutica aí que hoje está pedindo voto pro Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro. Agora tem um detalhe que é legal a gente resgatar na história, Tralli, muito rapidamente, prometo. Os crimes que são considerados insuscetíveis de anistia, de indulto, por exemplo, são tráfico de drogas, tortura, crimes hediondos. E a parte do crime que estava lá, crimes contra o Estado Democrático e Direito, na Constituição de 88, foi retirado por um destaque. Ou seja, estava no texto original da Constituição, parlamentares fizeram um procedimento regimental para tirar essa parte de atentados contra o Estado Democrático de Direito como passíveis de indulto ou de anistia. Sabe quem votou a favor de tirar esse destaque de lá? Lula, Fernando Henrique Cardoso e vários outros medalhões da política brasileira. Vou deixar bem claro que isso é suscetível à anistia. E eu, como presidente da República, vou trabalhar para que a anistia seja feita ainda na transição. E, se caso não ocorra, um indulto para as pessoas do Rio de Janeiro, porque vocês vão ser honrados.
Jornalista
Esse ponto é importante. O fato é que o Supremo julgou, por maioria, que houve tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes pelos quais o seu pai está preso. O senhor diz que, se eleito, vai anistiá-lo. E o senhor, como ele, atacou as urnas eletrônicas brasileiras durante um encontro também com diplomatas estrangeiros. Disseminou informações que já tinham sido desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. O presidente Nunes Marques precisou sair em defesa das urnas eletrônicas. Ele declarou o seguinte: desacreditar o sistema de votação é desconvidar o eleitor brasileiro de participar da maior festa democrática do Brasil. Candidato, por que voltar a atacar a credibilidade das urnas eletrônicas como fez o seu pai?
Flávio Bolsonaro
É até importante até para eu conscientizar quem está nos ouvindo, porque a minha fala foi falando sobre o assunto que estava acontecendo no momento fora do Brasil. E eu sou bem claro, eu falo assim, não estou questionando as urnas eletrônicas. E realmente, de fato, eu disse lá que a empresa que fazia, que fez as urnas eletrônicas, ou parte delas no Brasil, era uma empresa venezuelana, falei errado, ela não fabricou as urnas, ela apenas participou de alguns processos ao longo ali do processo eleitoral que o TSE estava organizando. Então, tirando essa parte que de fato eu falei equivocadamente, eu fui bem claro a dizer que...
... jamais questionei a questão do processo eleitoral.
Há diversos registros em que Flávio questiona publicamente as urnas eletrônicas e o processo eleitoral brasileiro. Em setembro de 2018, ele, então deputado estadual do Rio de Janeiro, afirmou que seria “impossível garantir a lisura das urnas sem o voto impresso” e, dias antes do primeiro turno, disse ter o “direito de desconfiar da urna eletrônica”. No dia da votação, ele também compartilhou um vídeo falso que simulava uma urna eletrônica completando automaticamente o voto em Fernando Haddad (PT). Mais recentemente, em julho de 2026, o senador voltou a levantar suspeitas sobre as urnas ao afirmar, durante uma reunião com embaixadores, que os equipamentos brasileiros haviam sido desenvolvidos pela Smartmatic, empresa acusada por ele e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de fraudar eleições presidenciais venezuelanas. A alegação circula nas redes ao menos desde 2018 em diferentes versões e também foi desmentida por Aos Fatos.
Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições. Eu estou concorrendo com essas regras, eu vou ser presidente da República com essas regras. Se Deus quiser, a Renata que está aqui vai anunciar no dia 4 de outubro que Flávio Bolsonaro é o novo presidente do Brasil eleito em 2026. Eu quero convocar todos vocês que saiam de casa para votar.
Foram mais de 32 milhões de pessoas que não foram votar nas eleições de 2022 e ela foi decidida por algo em torno de 2 milhões de votos. Então é muito importante que você participe se você também quer uma mudança no seu país.
Jornalista
Então proclamado o resultado pelo TSE, o senhor diz que vai respeitar o resultado das urnas, mesmo se perder?
Flávio Bolsonaro
Com certeza eu vou adorar que você anuncie o meu nome como presidente daquela bancada do Jornal Nacional.
Jornalista
Mesmo se perder, candidato?
Flávio Bolsonaro
Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais, eu vou ganhar no primeiro turno.
Jornalista
Candidato, tarifaço. O presidente de Trump impôs um tarifaço de 50% contra o Brasil. No dia desse anúncio, 9 de julho do ano passado, seu irmão Eduardo Bolsonaro foi às redes sociais comemorar. Pediu que os brasileiros agradecessem a Trump. Ele fez questão também de dizer que que atuou nos Estados Unidos para obter medidas contra autoridades brasileiras com o objetivo de interferir no processo criminal do seu pai, Jair Bolsonaro. Então, pergunto ao senhor, por que nesse episódio ele colocou os interesses da família Bolsonaro à frente dos interesses do Brasil.
Flávio Bolsonaro
Olha, se o Eduardo tivesse colocado os seus próprios interesses na frente do Brasil, ele não teria ficado exilado como está nos Estados Unidos hoje. Ele faz um trabalho lá de conscientização, de mostrar ao mundo o que está acontecendo no Brasil hoje, que está longe de ser uma democracia plena.
Ele nunca pediu tarifas para empresas brasileiras.
De fato, não há evidências de que Eduardo Bolsonaro tenha pedido formalmente ao governo americano a aplicação de tarifas para empresas brasileiras. Porém, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. em julho do ano passado, o ex-deputado e o influenciador Paulo Figueiredo afirmaram que a possibilidade de taxação foi discutida em reuniões com autoridades do governo Trump, mas que, naquele momento, eles defendiam apenas a aplicação de sanções individuais contra autoridades. A fala de Flávio também minimiza a atuação do irmão. Além de discutir a possibilidade da taxação, Eduardo participou da articulação e comemorou o tarifaço, que seria a confirmação do “sucesso” de sua atuação nos EUA e um “sacrifício a ser feito”. Ele e Figueiredo disseram ainda que Trump havia entendido “corretamente” que o setor empresarial também deveria “arcar com o custo” de uma suposta perseguição a Jair Bolsonaro. Depois, Eduardo passou a defender a taxação para pressionar pela anistia do pai e dos demais condenados na trama golpista.
Inclusive eu, Tralli, fiz questão de também, no mesmo dia vir a público e dizer que era contrário a isso, que não defendia, que ia defender os interesses das empresas brasileiras, ia trabalhar para a retirada dessas tarifas junto ao governo americano, como eu fiz. Eu fui, no momento adequado, Tralli, até a USTR, que é a Câmara de Comércio Internacional dos Estados Unidos, para defender o Brasil, para que o governo americano não tarifasse mais as empresas brasileiras, que já são as mais tarifadas do mundo pelo próprio governo Lula. As empresas brasileiras não conseguem mais, não têm capacidade mais de pagar mais impostos e mais essa sobretaxa que foi o Lula que cavou com força. E o Lula procurou muito essa tarifa. Ele xingou, ele ameaçou, ele conseguiu. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras.
Jornalista
Candidato, no dia 9 de julho de 2025, mesmo dia em que o Trump anuncia o tarifaço, o seu irmão Eduardo Bolsonaro vai à rede social X e diz o seguinte: "povo brasileiro, vamos fazer o mundo ouvir a nossa voz, coloque o seu agradecimento ao presidente Donald Trump abaixo e vamos rumo à lei Magnitsky, obrigado, presidente Trump". Por conta disso, no dia 16 de junho desse ano, seu irmão foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no processo da trama golpista. A primeira turma do Supremo entendeu que ele tentou interferir no julgamento do pai. O senhor acha correto misturar interesse pessoal com interesse eleitoral e interesse nacional?
Flávio Bolsonaro
Eu não acho correto, como eu não acho correto que o Alexandre de Moraes, uma parte interessada nesse processo, condene o Eduardo. Já que ele era o alvo da lei Magnitsky, conforme as leis e decisões do governo americano, agora você não pode acusar Eduardo de manipular o Trump. Já seria demais. O que o Trump faz está na cabeça dele. Essa política de tarifas...
Jornalista
Mas por que o Eduardo elogiou o Trump no Twitter, então?
Flávio Bolsonaro
Olha, ele estava trabalhando, ele assumiu que ele estava trabalhando para defender as liberdades do povo brasileiro e denunciar aquele que é um violador de direitos humanos internacional, que o Alexandre de Moraes.
Jornalista
Mas no dia seguinte ao tarifaço ele agradece.
Flávio Bolsonaro
Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas, o trabalho que ele fez lá para conscientizar e a decisão quem tomou foi o governo americano, não foi Eduardo Bolsonaro, portanto ele não tem absolutamente nada a ver com isso, o governo podia ignorar o que ele está falando, o governo tem as informações, tem o sistema de inteligência, enfim.
Jornalista
Mas o senhor tentou, por exemplo, acionar o governo americano, o senhor pediu que o governo Trump adiasse o tarifaço, ou seja, por que o senhor não cobrou do governo Trump para suspender quando o senhor teve oportunidade de fazer?
Flávio Bolsonaro
Não, não. Está cobrado lá que eu fui contra as tarifas.
Mais uma vez, o único representante público, o único agente público brasileiro que foi para os Estados Unidos defender o Brasil foi Flávio Bolsonaro.
Nesta afirmação, o candidato ignora que o governo Lula fez mais de 30 reuniões desde o primeiro anúncio do tarifaço, em julho de 2025. Algumas delas foram feitas presencialmente nos EUA, com o chanceler Mauro Vieira e até o presidente Lula, que se encontrou com Donald Trump em maio de 2026. Flávio, de fato, participou de uma audiência pública organizada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) no início de julho. O governo brasileiro enviou apenas observadores ao evento pois, na época, avaliou que a audiência não era um canal oficial de negociação.
O governo Lula não mandou umzinho para fazer a defesa no momento adequado lá fora.
Jornalista
Mas por que adiar e não suspender?
Flávio Bolsonaro
Eu pedi para cancelar as tarifas e, acessoriamente, eu falei o seguinte, olha só, presidente Trump, parece, em outras palavras, tá, Renata? Parece que o Lula está provocando essa tarifa, ele está atacando os Estados Unidos, ele ataca o secretário de Estado, Marco Rubio, está fazendo de tudo para que as tarifas sejam aplicadas ao Brasil, para com isso ele acreditar que está tendo algum benefício eleitoral com isso. Vamos ter eleições em breve e se Deus quiser, Flávio Bolsonaro vai ser o novo presidente do Brasil e vai ter a capacidade de sentar de igual para igual com o Trump e negociar na mesa, Renata, sem tarifas, sem imposição de sanções às empresas brasileiras. Eu tenho certeza que eu vou ter condição...
Jornalista
Candidato, só para esclarecer o que o senhor disse na carta, no despacho que o senhor fez para o governo americano: "não se pede ao representante de comércio que se encerre a investigação, pede-se adiar a implementação da medida já determinada".
Flávio Bolsonaro
A investigação já estava concluída naquele momento, para começar. Ô Renata, e mais uma vez, a gente tem que entender, ou tentar entender, como é que funciona a cabeça de quem está do lado de lá. Se na cabeça dele a possibilidade de uma troca de governo, já que ele está fazendo, parece em represália a atitude do presidente do Brasil de atacar o governo americano. Se tem a possibilidade de ele ser sensível a uma troca de governo que pode acontecer em breve e ele não tarifar as empresas brasileiras, foi apenas mais um dos argumentos acessórios que eu tinha naquele momento que eu tentei usar para defender o Brasil.
Jornalista
E o Pix, candidato? O Pix é um dos motivos para o tarifaço e os Estados Unidos acusam o Banco Central Brasileiro de favorecer o Pix em prejuízo de empresas americanas. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro disse o seguinte depois do anúncio do segundo tarifaço: "os Estados Unidos têm um mecanismo muito semelhante ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Então, dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos". Candidato, se eleito, o senhor considera colocar o Pix em negociação com os Estados Unidos?
Flávio Bolsonaro
De forma alguma, Tralli. O Pix é sagrado, o Pix é do brasileiro.
Foi feito na gestão do presidente Bolsonaro.
O Pix foi lançado de fato durante o governo Bolsonaro (PL), mas as primeiras discussões sobre a criação do sistema de pagamentos ocorreram a partir de 2014, na gestão Dilma (PT). Os estudos de modelo foram iniciados em 2016, no governo Temer (MDB). Em 2018, começou de fato o desenvolvimento do Pix, que levou 31 meses entre a criação do grupo de trabalho específico e o lançamento, em novembro de 2020. Segundo o BC (Banco Central), o sistema foi desenvolvido por técnicos, sem interferência de governos.
Não tem taxa no Pix porque o Bolsonaro exigiu que não tivesse, apesar de muitas pessoas terem tentado tarifar o Pix.
A gratuidade do Pix para pessoas físicas foi estabelecida pelo Banco Central em outubro de 2020 e não há indicação na norma ou nos documentos que fundamentaram a decisão de que a medida tenha ocorrido por exigência do então presidente. Pelo contrário: naquele mesmo ano, o governo Bolsonaro defendeu a criação de um imposto sobre transações digitais que incidiria diretamente sobre pagamentos via Pix. A proposta, defendida pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e apoiada por Jair Bolsonaro, previa uma alíquota de 0,2%, mas acabou não avançando no Congresso.
O Eduardo, o que ele falou, na verdade, isso aí foi uma distorção do que ele falou, Tralli, porque ele só disse o seguinte, olha, aqui nos Estados Unidos também tem uma ferramenta parecida, porque o que é o Pix? É um meio de pagamento, é igual tinha o TED, é um Pix que foi criado ali no governo do presidente Bolsonaro, e que não tem nem como sancionar o Pix, Tralli.
Jornalista
Mas por que, então, naquele momento, candidato, ele não foi mais enfático e disse claramente "o Pix é inegociável"?
Flávio Bolsonaro
Não, eu estou sendo aqui. O Pix é inegociável. Ele não quis dizer isso, que o Pix estava em negociação.
Jornalista
Candidato, vamos falar agora aqui de assunto importante relacionado à segurança pública. As investigações sobre assuntos que interessam segurança pública mostram, olha só, em relação sua com Adriano da Nóbrega. Adriano da Nóbrega, que liderou o escritório do crime no Rio de Janeiro. Então, eu pergunto ao senhor.
Nesse momento, a gente lembra aqui, Tralli, que o senhor concedeu.
O senhor concedeu uma Medalha Tiradentes ao Adriano da Nóbrega. Ele estava preso por homicídio, era um dos maiores assassinos de aluguel do Brasil e foi morto numa operação policial na Bahia. Por que homenagear um dos maiores matadores do Rio de Janeiro?
Flávio Bolsonaro
Importante demais a sua pergunta, para que todo mundo que está nos assistindo aqui compreenda o momento em que isso aconteceu. Essa homenagem, Tralli e Renata, foi feita há mais de 20 anos, se não me engano. No momento em que ele era um policial reconhecido dentro do Bope, Batalhão de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Não tinha feito absolutamente nada de errado, não tinha nada contra ele nesta época.
As duas homenagens de Flávio Bolsonaro a Adriano da Nóbrega ocorreram depois que o ex-Bope já tinha problemas com a Justiça. Apontado pelo Ministério Público como chefe dos matadores do Escritório do Crime, Nóbrega era próximo de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Ele recebeu uma moção de louvor em outubro de 2003 e, em junho de 2005, a Medalha Tiradentes, maior honraria da Casa — quando estava preso e não pôde comparecer. Ele já era investigado desde maio de 2003 pela morte de um homem em operação na Cidade de Deus. Em 2004, Nóbrega foi preso pela morte de um flanelinha e condenado no ano seguinte, mas acabou absolvido em 2007 após recurso. Expulso da corporação em 2013 por prestar serviços irregulares a um bicheiro, ele morreu em 2020 na Bahia durante uma operação da PM local, após mais de um ano foragido.
E quando ele estava preso, acusado de homicídio, é porque na época tinha uma política dizendo o seguinte: olha, primeiro a gente pune o policial, depois ele explica se ele é inocente ou não. E eu, como sempre, tive uma atuação de defesa dos policiais, dos bons policiais, e sempre terei. Ele estava sendo falsamente acusado de ter cometido homicídio e, na verdade, foi uma troca de tiros com o traficante. Depois ficou comprovado que ele tinha trocado tiros com este traficante e ele foi absolvido. E um gesto em homenagem não a ele, mas a toda guarnição que estava sendo injustamente condenada por ter trocado tiros com vagabundos e matado um marginal. Eu fui uma forma simbólica que eu aprendi, que eu entendi que podia naquele momento acontecer.
Jornalista
Ele era suspeito de participar do assassinato de mais de 10 pessoas.
Foi morto, inclusive, num confronto com a polícia, na Bahia.
Flávio Bolsonaro
Nessa época da homenagem não. Foi bem depois, eu não posso ser responsabilizado pelo que a pessoa se transforma depois de 5, 10, 15, 20 anos. Vamos combinar que não está no meu controle isso.
Jornalista
Mas as investigações, por exemplo, sobre a rachadinha no seu gabinete, mostraram que a esposa e a mãe desse Adriano, que chefiou o escritório do crime no Rio de Janeiro, o senhor empregou elas na Alerj. Elas chegaram a ser acusadas de praticar a chamada rachadinha, as provas foram anuladas pela Justiça, mas o caso revelou a proximidade do senhor com a família dele. Volto a perguntar: por que empregar a família de um chefe de um grupo de matadores?
Flávio Bolsonaro
Renata, mais uma vez, na época ele não era isso. Na época, ele era um policial exemplar que estava sendo preso, estava preso injustamente. Foi quando eu conheci os familiares dele, a mãe principalmente, que participava de movimentos de defesa, de esposas.
Jornalista
É exemplar quem vai preso?
Flávio Bolsonaro
Era esposas e mulheres de militares, de policiais perseguidos, injustamente. Então ela liderava o movimento, como sempre foi minha bandeira, a defesa dos policiais, dos bons policiais. Eu achei por mim trazer ela para trabalhar comigo e ela fazia essa intermediação das demandas das famílias de policiais militares com o meu gabinete, trabalhava direitinho, sem problema nenhum, só que mais uma vez, uma pessoa que estava presa injustamente, ele foi absolvido depois dessa acusação pela qual ele estava preso, as pessoas têm direito de responder por um processo legal, policial militar também é ser humano, não pode ser um servidor de segunda categoria, como qualquer ser humano, qualquer cidadão brasileiro, diferente dos militares daquela época. A acusação tem que provar que alguém cometeu algum crime. E nessa época ele estava preso, quando teve a possibilidade de mostrar que ele era inocente. Assim que foi feito, assim que foi reconhecido...
Jornalista
Inclusive o senhor concedeu uma medalha a ele nesse momento.
Flávio Bolsonaro
Quando ele era perseguido, inocente e não tinha absolutamente nenhuma dessas acusações.
Jornalista
Candidato, o senhor também chegou a apoiar a candidatura do Rodrigo Bacellar para o governo do Estado. Ele foi presidente da Assembleia do Rio, ele está preso. E a Polícia Federal disse que ele exercia a liderança política do núcleo do Comando Vermelho. Não é grave, candidato?
Flávio Bolsonaro
É muito grave, se eu soubesse disso, jamais, se forem comprovadas as acusações contra ele, já que ele também está respondendo ao processo, se forem comprovadas, é gravíssimo. Mas isso ali era uma, na verdade, o nome dele surgiu de uma composição partidária no Rio de Janeiro, em que ele estava sendo ali indicado por um partido que estava na nossa coalizão. E aí ele tem direito de se defender e de provar a inocência dele ou não na Justiça.
Jornalista
Nós vamos agora fazer um rápido intervalo, né Renata? A gente volta já já entrevistando Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República. A gente volta já.
Estamos de volta com a entrevista com o candidato Flávio Bolsonaro.
Candidato, vamos falar aqui de economia. Dívida pública. O programa de governo do senhor promete estabilizar e reduzir a dívida pública do Brasil, que está em trajetória de alta. Mas não traz números, também não traz prazos. O plano diz que isso ocorreria no menor prazo possível.
De quanto seria exatamente o seu ajuste fiscal em reais ou em pontos do PIB? E de onde é que sairia esse dinheiro?
Flávio Bolsonaro
Ô Tralli, a gente tem que entender que se o Brasil não tiver um ajuste fiscal forte, tá fadado aí à falência de todo mundo, tá uma quebradeira generalizada. Você que tá me acompanhando provavelmente tá endividado ou conhece alguém que está endividado, mas a culpa não é sua, a culpa é desse atual governo. Quando é um governo que gasta demais, aumenta os impostos de forma alucinada.
Mais de 30 impostos criados ou aumentados só nesse atual governo.
Para arrecadar mais e continuar gastando mais ainda, a taxa de juro oficial, que é a Selic vai lá para a lua.
14%, é o maior juro real do mundo. E sabe, Tralli, quanto é que era a previsão? Lá em outubro de 2022, a previsão do mercado era que neste momento a taxa de juros no Brasil, se fosse o governo do presidente Bolsonaro, ia estar em torno de 7%. Metade. Se nós estamos falando de pagamento de juros na ordem de um trilhão de reais ao ano, e a taxa de juros era para estar a metade, Tralli, a gente está falando de 500 bilhões de reais, meio trilhão de reais.
Jornalista
Para que patamar da dívida pública brasileira o senhor se compromete a trazer?
Flávio Bolsonaro
ou chegar lá. Meio trilhão de reais por ano que você, pagador de impostos, está sustentando esse governo, a gastança desse governo, ou seja, só aqui tem 2 trilhões de reais, que se fosse um governo que cortasse na carne, um governo que economizasse, cortasse despesas, certamente a sua dívida não estaria nesse nível, porque quanto sobe a taxa de juros, a taxa de juros do seu financiamento, do seu endividamento, cresce junto, a parcela da sua dívida, aumenta também. Então, se você deve 200 reais, você podia estar devendo 180, podia estar devendo 150, 140. Se tivesse um governo, como vai ser a nossa...
Jornalista
Candidato, é a sua oportunidade de mostrar a sua proposta do que o senhor vai fazer. Por exemplo, o que o senhor vai fazer sobre o salário mínimo, por exemplo, é muito importante. Há uma divergência de propostas entre as propostas feitas pelos seus colaboradores e o que está no seu programa de governo. O coordenador da sua campanha critica a política atual de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias e benefícios. O seu plano não trata desse assunto. Eu preciso saber qual é a sua decisão. O salário mínimo teria um aumento real ou não, se o senhor for eleito?
Flávio Bolsonaro
Renata, eu não vou fazer economia do povo mais sofrido brasileiro. Quem recebe salário mínimo hoje está perdendo o seu poder de compra por causa da gastança do governo. Não vou fazer economia em cima de você. Eu vou fazer um governo enxuto. Eu vou reduzir a quantidade de ministérios. Eu vou cortar a burocracia, vou fazer tesouraço nos impostos, vou cortar mais de mil atos normativos já no início do meu governo, por decreto, aquilo que eu puder fazer. A nossa equipe econômica aqui tem mais de 10 economistas que pegam e estão trabalhando já nisso. É assim que a gente vai começar a reduzir o custo no Brasil. Hoje o Lula, ele aumentou a dívida primária do Brasil em mais de 330 bilhões de reais, Renata. É uma gastança sem precedente na história desse Brasil.
Jornalista
Para que patamar o senhor pretende trazê-la?
Flávio Bolsonaro
Eu vou cortar ministérios, eu vou fazer um tesouraço, inclusive, nos cargos comissionados. O presidente Bolsonaro, em 2019, cortou 20 mil cargos em comissão, agora o atual governo já criou mais 22 mil. Eu vou fazer um combate à corrupção firme nesse governo.
Jornalista
Aposentadorias, candidato, e benefícios vão continuar sendo reajustados com o salário mínimo?
Flávio Bolsonaro
Tralli, eu vou chegar lá e vou te explicar por que não precisa também fazer economia em cima dos aposentados. Porque nós vamos fazer um governo que vai combater a corrupção, como foi a MP871 do governo do presidente Bolsonaro, que tinha um pacote anti-fraude, anti-corrupção no INSS. O PT trabalhou para derrubar essas medidas que combateriam a corrupção e que evitariam que os aposentados do INSS tivessem sido roubados como foram roubados nesse atual governo.
Vou combater a roubalheira que hoje está generalizada nesse atual governo. Vou criar um governo, uma governança tecnológica, Renata, dentro do meu governo. Vai ter um data center soberano para o Brasil, como já tem em Singapura, como tem na Coreia do Sul, que vai controlar cada centavo de gasto público, eu vou economizar, vou começar economizando dinheiro daí e com o ajuste fiscal que nós faremos resgatando a credibilidade desse país, que é uma coisa que influencia na taxa de juros, porque esse governo, ninguém mais acredita que ele faça ajuste fiscal porque ele gasta fora do orçamento e não está nem aí.
Jornalista
Mas então, sobre o reajuste do salário mínimo, o senhor desautoriza o seu coordenador de campanha que critica a atual política de reajuste.
Flávio Bolsonaro
Não farei economia com quem ganha salário mínimo, não farei economia com aposentados, eu vou fazer economia cortando corrupção, fazendo tesouraço na burocracia, reduzindo os impostos. Só com o anúncio da eleição de Flávio Bolsonaro como presidente da República e com a equipe que vai ter essa cara que todos estão vendo, com equipe de técnicos, economistas, pessoas sérias, de pessoas que são competentes, que estão ali por um projeto de Brasil, a taxa de juros já vai cair na reunião seguinte do Copom do Banco Central e cada 1% de taxa de juros a menos que nós pagamos, é cerca de 90 bilhões que abre dentro do orçamento. É com esse recurso que eu vou conseguir fazer, tratar quem precisa nesse Brasil, abraçar quem precisa nesse Brasil e estender a mão para que você evolua.
Jornalista
Pois não. Quero ouvir o senhor sobre outro tema importante, é meio ambiente. Num artigo publicado em 2019, o senhor afirmou que não existe aquecimento global. Disse que isso é um discurso apocalíptico para barrar o progresso. E o senhor declarou que o mundo, na verdade, estaria passando por um resfriamento. Candidato, os cientistas dizem o contrário, o oposto. O senhor mantém essa opinião mesmo diante de todas as mais recentes evidências climáticas?
Flávio Bolsonaro
Olha, Renata, é importante você fazer essa colocação, que eu consigo recolocar o que eu falei sobre isso.
Porque, para mim, o que acontece hoje é que são eventos climáticos que são extremos. Excesso de calor, excesso de chuva, excesso de seca. Então, eu acredito que são efeitos cíclicos.
E o maior forma da gente trabalhar o meio ambiente foi o que nós fizemos no governo do presidente Bolsonaro, aprovar o marco legal do saneamento básico para combater o esgoto que passa na porta da sua casa que está me assistindo. E a prefeitura ou o governo do estado não tem capacidade de investimento para te dar um esgoto tratado, para levar água filtrada para a sua torneira. É assim que a gente vai combater os lixões. É com esses programas que vão principalmente dentro de áreas urbanas. Com relação às grandes áreas como a Amazônia, muitas vezes, Renata, o problema é até mais criminal do que ambiental. Acabamos de ver o Comando Vermelho agora também está explorando ouro em reserva indígena. Então, é um problema que vai ser combatido no meu governo.
Jornalista
Mas deixa eu só entender então, o senhor acha que não tem aquecimento global? Não existe?
Flávio Bolsonaro
Eu acho que tem eventos climáticos extremos. Tem épocas cíclicas que fazem mais calor, tem épocas que fazem mais frio, tem épocas que chovem mais, e eu não acho que isso tem a ver diretamente só com a influência do ser humano.
Uma revisão de 88.125 artigos em 2021 apontou que mais de 99% dos desses estudos concluem que as mudanças climáticas são causadas por ação humana. Mudanças do clima são, também, um fenômeno natural, mas o aumento da concentração de CO₂ (dióxido de carbono) e de outros gases de efeito estufa após o início da Revolução Industrial está diretamente relacionado à elevação na temperatura mundial, observada desde o século 20. O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), grupo de cientistas que é a maior autoridade em pesquisas climáticas, também afirma em relatório que o aquecimento global é inequivocamente causado por atividades humanas.
Jornalista
Isso não é negar as evidências científicas, candidato?
Flávio Bolsonaro
Não, eu estou falando que eu concordo que existem eventos climáticos. Agora, deixa eu só aproveitar sua...
Jornalista
Por que o senhor não colocou no plano de governo como mitigar os efeitos do clima, ou seja, que ações que o senhor vai tomar em relação a isso para proteger as populações das mudanças climáticas?
Flávio Bolsonaro
O Tralli, a melhor forma que nós temos de proteger o meio ambiente é oferecendo saneamento básico para a população. Isso impacta, inclusive, na saúde. Eu quero falar para você hoje, que tem dificuldade de achar um médico numa UBS, você que não tem na hora de pegar o seu filho e levar com febre, passando mal, para uma unidade de saúde perto da sua casa. E você não encontra remédio, eu quero falar para você que eu vou enfrentar essa situação como prioridade no meu governo. Eu vou transformar a saúde pública numa saúde de qualidade. O SUS vai ser moderno. Eu quero aproveitar, Renata, para fazer um anúncio aqui em homenagem a você, Tralli, em homenagem a você, Renata, que conversei com uma pessoa muito importante, uma pessoa que trabalhou por muito tempo na iniciativa privada, alguém que está ali pronto para dar a sua contribuição na parte da saúde.
E eu quero dizer que comecei com o doutor Cláudio Lottenberg, que vai ser o meu ministro da saúde. Uma pessoa preparada que vai poder adotar as melhores práticas.
Jornalista
O senhor está nas suas considerações finais, candidato. O nosso tempo está esgotado. As suas considerações finais, por favor, o senhor pode continuar a falar sobre isso, mas o senhor tem um minuto.
Flávio Bolsonaro
Quero agradecer ao Dr. Paulo Lottenberg por aceitar esse convite para ser o meu ministro da saúde. Eu acho que é uma pasta importante que a população leva muito em consideração quem precisa do SUS tem, encontra muita dificuldade. Eu quero agradecer aos senhores e senhoras que ficaram até esse momento assistindo aqui as minhas falas, eu queria ter falado mais de proposta, mais de futuro, mas não vai faltar oportunidade para que façamos isso. E eu quero te chamar uma reflexão. O que a sua vida melhorou nos últimos quatro anos? Você acha que você que está devendo vai dever mais ou vai dever menos se continuar o atual governo?
Você que está sofrendo com a violência, que mora numa área dominada por narcoterroristas. Daqui a quatro anos, se continuar o atual governo, você vai estar vivendo com mais ou com menos violência? Você que está vendo escândalos de corrupção nesse governo, você consegue, você acha que daqui a quatro anos vai viver com mais ou menos corrupção? Então eu quero te pedir uma oportunidade. Você pode não concordar com muita coisa que eu falo, você pode ter alguma desconfiança com relação ao que eu vou fazer no meu governo.
Mas do lados de lá, você sabe, tem 100% de certeza que vai dar errado. Então, eu quero pedir a você, se você também quer uma mudança, não precisa gostar de Flávio Bolsonaro, goste de você. Vote Flávio Bolsonaro, presidente, 22.
Jornalista
Muito obrigada, candidato. Candidato, obrigada pela entrevista.
Muito obrigado, candidato, pela presença do senhor aqui.
Amanhã, o nosso entrevistado é o candidato Augusto Cury, do Avante. Boa noite.
Boa noite para você e até amanhã.