Divulgação/Prefeitura de São Paulo

🕐 Esta reportagem foi publicada há mais de seis meses

Candidatos brigam por dados corretos sobre a saúde paulistana

Por Bárbara Libório

26 de agosto de 2016, 23h44

Os candidatos à prefeitura da cidade de São Paulo se muniram de dados e estatísticas para o debate da Band, realizado na última segunda-feira (22). Quando o tema foi saúde, no entanto, os dados usados pelos candidatos mostraram-se bastante discrepantes.

Aos Fatos checou as afirmações feitas pelos políticos e mostra abaixo qual é a real situação do sistema público de saúde na cidade de São Paulo.


Embate 1

[O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad] prometeu 43 unidades básicas de saúde, UBS, entregou nove, prometeu 30 centros de atenção psicossocial, entregou quatro, prometeu 25 UPAs, entregou somente duas, prometeu entregar 32 unidades da rede Hora Certa, entregou apenas nove. — João Doria (PSDB)

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Nós temos hoje 25 hospitais da rede Hora Certa abertos. Agora em setembro serão 33. Eu prometi 32 na campanha de 2012, eu prometi cinco UPAs, duas em funcionamento, uma eu inauguro agora dia 26, temos doze em construção. — Fernando Haddad (PT)

O que disse Dória:
9 UBS
4 centros de atenção psicossocial
2 UPAs
9 hospitais da Rede Hora Certa

O que disse Haddad:
2 UPAs
25 hospitais da Rede Hora Certa


O que diz a prefeitura:
2 UPAs
30 hospitais da Rede Hora Certa
8 UBS
6 centros de atenção psicossocial

Doria errou parcialmente ao citar dados da saúde paulistana, mas não foi contestado com informações atualizadas por seu adversário petista.

Existem em São Paulo 30 unidades da rede Hora Certa em funcionamento. Outras duas estão em fase de estruturação e outras seis em processo de elaboração do projeto executivo. A meta era de entregar 32 hospitais.

Segundo o site Planeja Sampa, que avalia a execução do Programa de Metas 2013-2016 de Haddad, foram oito as unidades básicas de saúde entregues pelo petista: Jardim Edith, Jardim Mirian II, Jardim Vera Cruz e Maringá/Talarico, Nova Pantanal, São Remo, Cantinho do Céu e Gleba do Pêssego. Outras 14 estão com obras iniciadas. A meta do governo era entregar 43 UBS até o fim da gestão.

O mesmo site também diz que foram quatro centros de atenção psicossocial transformados pela prefeitura na zona leste, e outros dois, em Campo Limpo, inaugurados. A meta do governo era entregar 30 centros até o fim da gestão.

Sobre as UPAs, Dória Jr. acertou: somente duas unidades foram entregues por Haddad. Outras 13, no entanto, estão em construção. A promessa era reformar e melhorar 20 Prontos Socorros utilizando o modelo conceitual da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e implantar 5 novas UPAs.


Embate 2

A fila para regularização de exame na rede municipal de saúde cresceu 56%, você trocou seu secretário de Saúde, mesmo assim os problemas continuam. A fila, o tempo de espera para consultas, na rede municipal, cresceu tudo piorou, passou de 56 dias em 2014 para 82 em 2015. — João Doria (PSDB)

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O prazo médio para cirurgia caiu 17%, o prazo médio para consulta caiu 29%, e o prazo médio para exame, caiu 44%, em relação ao governo Kassab de 2012. — Fernando Haddad (PT)

Segundo pesquisa da rede Nossa São Paulo, o tempo médio — em dias — entre a marcação e a realização de consultas na rede de saúde pública paulistana passou de 56 para 82, como afirmou Dória.

Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação também corrobora a declaração do candidato que afirma que a fila para exames cresceu 56% de 2015 para 2016.

Aos Fatos entrou em contato com a assessoria de campanha de Haddad para saber a fonte dos dados citados pelo candidato à reeleição. Até a última atualização desta reportagem, não havia recebido resposta.

Embate 3

Hoje, nós temos 19,88% na receita [para saúde], [que] a Prefeitura põe. A lei põe em 15% mas [a Prefeitura] põe 19,8%. — Major Olímpio (SD)

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Major Olímpio, o senhor não conhece os números, a saúde tem orçamento de R$ 10 bilhões de reais. — João Doria (PSDB)

O orçamento da saúde para 2016 em São Paulo é de R$ 9.450.541.755, o equivalente a 19,9% do total. Ambos os candidatos estão corretos.


Embate 4

340 mil pessoas aguardam na fila para realizar um exame na capital. O tempo médio de espera por uma consulta na capital, da população mais pobre, mais humilde na sua gestão é de 82 dias, 254 mil pessoas estão na fila para realizar uma consulta. — João Doria (PSDB)

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Você está falando nada de novo, você está enganado sobre a saúde, as pessoas aprovam o sistema de saúde na cidade. Quando Datafolha pergunta para uma pessoa: Você acha UBS, posto de saúde e AMA bom? Ele vai dizer: 50% responde, é bom ou ótimo, 30%, regular. Mas nós temos que atender aqueles 20% que ainda acham ruim ou péssimo. Mas 80% já se sentem relativamente bem atendidos, nos postos de saúde da Prefeitura. — Fernando Haddad (PT)

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, em maio deste ano, 347 mil pessoas aguardavam a realização de um exame — ante 223 mil no início do ano passado. Outras 253,6 mil aguardavam uma consulta.

O fenômeno pode ter relação com a crise econômica. Dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) publicados em junho com informações de maio deste ano a maio de 2015 indicam que, no período, cerca de 1,5 milhão de pessoas deixaram seus planos de saúde. Em maio de 2015, havia 50.183.430 beneficiários de saúde suplementar. Já em maio deste ano, esse número caiu para 48.623.463.

Quanto à avaliação da saúde, Haddad escolheu um recorte para retratar favoravelmente o sistema que administra: pesquisa Datafolha diz que, para 79% dos paulistanos, Haddad fez menos do que o esperado na saúde. No entanto, essa mesma pesquisa também aponta que, das 56% das pessoas que dizem ter ido a UBSs (Unidades Básicas de Saúde), metade (28%) avalia que o atendimento recebido foi ótimo ou bom, 17%, que foi regular, e 11%, que foi ruim ou péssimo.

A mesma pesquisa ainda mostra que as unidades do AMA (Atendimento Médico Ambulatorial) foram usadas por metade (50%) dos paulistanos adultos nos últimos 12 meses. Metade desses (25%) considerou o atendimento recebido ótimo ou bom. Para os demais foi regular (16%) ou ruim ou péssimo (8%).


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