Candidato, ex-ministro Pazuello mente sobre ‘tratamento precoce’ contra a Covid-19

Por Marco Faustino

19 de agosto de 2022, 18h54

O ex-ministro da Saúde e candidato a deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) engana ao afirmar que o chamado “tratamento precoce” poderia ter evitado mortes contra a Covid-19 (veja aqui). Não há comprovação de que os medicamentos tenham eficácia contra a infecção causada pelo vírus. Pazuello também afirma que não existia um antiviral contra a doença quando era ministro, mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) havia aprovado o uso do remdesivir quando ele ainda comandava a pasta.

Publicações com o conteúdo enganoso somavam 20 mil compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (19) e circulam também no Kwai.


Selo falso

‘Então, não quer dizer que você tenha ou tinha um antiviral, mas você tinha medicamentos, que você precisava tomar o mais rápido possível para evitar que você tivesse um problema de coração, para evitar que o seu pulmão tivesse todo contaminado, para evitar que você tivesse uma trombose e morresse (...) Simplesmente para dizer que era contra o tratamento precoce, que absurdo cara’ — Eduardo Pazuello

Posts difundem trecho enganoso de entrevista do ex-ministro da Saúde Pazuello para o programa Cara a Tapa

O ex-ministro da Saúde e candidato a deputado federal Eduardo Pazuello engana ao dizer que o chamado “tratamento precoce” é eficaz para combater a Covid-19 e poderia ter evitado mortes, como fez durante para o programa Cara a Tapa, no YouTube, na segunda-feira (15). Nenhum estudo científico sólido comprovou que drogas como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina evitavam mortes ou impediam a infecção, como já verificado pelo Aos Fatos.

Alguns médicos também receitaram vitamina C, um coquetel com vitamina D, zinco, o antiparasitário nitazoxanida e o anti-inflamatório colchicina com a falsa promessa de que evitavam ou curavam a Covid-19. Nenhum deles é comprovadamente eficaz contra a doença e o uso indiscriminado das substâncias pode causar danos à saúde.

Em março, o Aos Fatos mostrou que a principal maneira de prevenir a Covid-19 grave é por meio da vacinação e que não há, em farmácias, remédios disponíveis para combater a doença. Em nível ambulatorial e hospitalar podem ser utilizados anticorpos monoclonais para tratar a fase inicial e remédios para quadros graves, como o baricitinibe, em conjunto com corticoides (substâncias sintéticas que simulam a ação do hormônio cortisol em processos inflamatórios), e a dexametasona, indicada para casos de inflamação.

Também é falsa a alegação de Pazuello de que, durante o período dele como ministro, entre 16 de maio de 2020 e 23 de março de 2021, não havia antiviral contra a Covid-19. Em 12 de março de 2021 — 11 dias antes de ele deixar o Ministério da Saúde —, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o primeiro antiviral para tratar pacientes hospitalizados com a Covid-19: o remdesivir, que até então era usado para tratar o ebola.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) chegou a contraindicar o uso do fármaco para tratar a doença, porque pesquisas demonstraram pouco ou nenhum efeito em pacientes hospitalizados. A organização, no entanto, revisou seu entendimento e passou a recomendar a droga para casos leves ou moderados de pacientes com alto risco de hospitalização, em abril de 2022, após analisar dados de cinco novos ensaios clínicos com 2.700 pacientes.

Na quinta-feira (18), o Aos Fatos verificou que é falso que um estudo de Harvard comprovou que hidroxicloroquina é eficaz contra Covid-19. A análise não conclui que o medicamento funciona na profilaxia da doença e ressalta que são necessárias mais pesquisas sobre o tema. Os autores, entretanto, levantam a hipótese de que estudos não realizados ou descontinuados poderiam ter atestado benefícios da droga.

Referências:

1. OMS (Fontes 1, 2, 3, 4 e 5)
2. Aos Fatos (Fontes 1, 2, 3 e 4)
3. CEBM
4. FDA
5. MSD Manuals
6. CNN Brasil
7. ICTQ
8. NEJM


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