É falso que café vendido no Brasil terá fórmula que causa calvície

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Não é verdade que a fórmula do café será modificada e que a nova composição vai causar calvície nos consumidores. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que não há alteração prevista no produto. Especialistas afirmam que não há evidências de que o consumo de café leve à queda de cabelo.

Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam cerca de 5.000 curtidas no Instagram até a tarde desta quinta-feira (28).

O café te deixará calvo, seja você homem ou mulher, a nova fórmula que está sendo introduzida nas indústrias em 2026 está alterando a composição do todos os cafés processados causando efeitos no organismo relacionados diretamente ao couro cabeludo

Imagem com fundo preto e texto em letras brancas. Na parte superior, está escrito: 'O café te deixará calvo, seja você homem ou mulher. Será que você sabe mesmo o que está bebendo em 2026?'. Abaixo, há um bloco de texto dizendo: 'A Anvisa permite até 60 fragmentos de insetos para cada 25g de café moído. Isso sem falar em cascas, paus e outras impurezas que podem estar presentes dentro dos limites legais. Não se trata de terrorismo nutricional, mas de uma realidade regulatória.' Mais abaixo, outro parágrafo afirma: 'A nova fórmula que foi introduzida nas industrias em 2026 alterou a composição do todos os cafés processados causando efeitos no organismo relacionados diretamente ao couro cabeludo e aos folículos'.

Publicações nas redes mentem ao afirmar que “uma nova fórmula” está sendo acrescentada à produção de café e que essa alteração causaria queda de cabelo. A Anvisa informou ao Aos Fatos que não há mudanças na composição ou nos ingredientes do produto brasileiro.

A agência também disse que a RDC (Resolução de Diretoria Colegiada) nº 716/2022 dispõe especificamente sobre os requisitos sanitários do café e descreve os padrões de qualidade, segurança e composição, bem como o que pode ser adicionado ao alimento.

A Anvisa ressaltou ainda que não há evidências científicas que relacionem o consumo de café à calvície.

O dado é corroborado por Adriana Farah, professora de nutrição da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e integrante do Núcleo de Pesquisa em Café:

“Não existem esses efeitos colaterais citados e não há adição legal de novos elementos na composição, somente defeitos do café — referentes a grau de maturação, algumas cascas e coisas do tipo — que são e sempre foram adicionados em marcas mais baratas”, explicou ela.

As peças desinformativas afirmam ainda que a suposta descoberta da nova fórmula foi vazada após a quebra do sigilo de uma investigação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em parceria com o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.

Segundo as publicações, informações sobre a investigação não foram divulgadas pela imprensa brasileira, mas estariam expostas em matérias do New York Times, Wall Street Journal, USA Today, The Washington Post e CNN. Aos Fatos não encontrou qualquer reportagem do tipo publicada nesses ou em outros veículos de imprensa internacionais.

O caminho da apuração

Aos Fatos consultou a Anvisa e a professora de nutrição da UFRJ Adriana Farah sobre a suposta nova fórmula do café.

A reportagem também entrou em contato com a Abin para esclarecer as alegações de que a informação teria saído de um relatório da agência, mas não houve retorno até o fechamento desta checagem.

Consultamos ainda reportagens publicadas pela imprensa nacional e internacional a respeito da suposta investigação citada pelas peças de desinformação.

Referências

  1. Governo federal

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