Foto em que cachorro protege bebê após terremoto na Venezuela é de IA

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Não é real a foto em que um cachorro protege um bebê sob escombros, atribuída nas redes aos terremotos na Venezuela. A imagem foi gerada por inteligência artificial, como atesta a ferramenta verificadora da OpenAI. Há ainda outros indícios de que é obra de IA, como expressões faciais pouco naturais, iluminação inconsistente e texturas irregulares.

O conteúdo enganoso acumulava ao menos 177 mil curtidas no Instagram e 15 mil visualizações no X nesta terça-feira (30).

Imagem de cão protegendo criança após terremoto na Venezuela comove o mundo

A imagem gerada por IA mostra um cachorro de porte médio, com pelagem marrom e focinho mais escuro, abrigado sob uma estrutura de concreto quebrada. O animal está deitado, voltado para a frente, com os olhos bem abertos e a cabeça levemente inclinada, ocupando a maior parte da cena. Ao lado dele, encostado em seu corpo, há um bebê de olhos fechados, aparentando estar dormindo, vestido com uma roupa clara de mangas compridas. Ao redor dos dois há pedaços de concreto, entulho e partes de uma estrutura danificada, formando um espaço estreito e escuro onde estão abrigados. Na parte inferior da imagem há uma faixa de texto em branco, delimitada por duas linhas finas alaranjadas, com a frase: 'Imagem de cão protegendo criança após terremoto na Venezuela comove o mundo'.

Publicações nas redes compartilham como se fosse verdadeira uma imagem gerada por IA de um cão protegendo um bebê sob escombros. Os posts afirmam ainda que a foto teria sido feita após os terremotos que atingiram a Venezuela na última semana.

A ferramenta verificadora da OpenAI aponta que a imagem foi criada pelos modelos de inteligência artificial da empresa. Além disso, o registro apresenta diversos indícios típicos de manipulação digital. Veja no infográfico a seguir:

A imagem é composta por uma fotografia na parte superior e um bloco de texto explicativo na parte inferior. Na fotografia, um cachorro de porte médio, com pelagem marrom e focinho escuro, está deitado sob uma estrutura de concreto quebrada. O animal ocupa a maior parte da cena, voltado para a frente, com os olhos abertos. Ao lado dele há um bebê de olhos fechados, deitado entre os escombros e vestido com uma roupa clara de mangas compridas. Grandes placas de concreto formam um abrigo sobre os dois, enquanto pedras, rachaduras e fragmentos de alvenaria aparecem ao redor. Sobre a fotografia há quatro círculos numerados em branco, posicionados sobre diferentes áreas da imagem, e uma malha de linhas diagonais escuras cobre toda a foto. Abaixo da fotografia há uma lista numerada com quatro itens em texto preto sobre fundo branco. O primeiro diz: 'A expressão do cachorro é pouco natural, com brilho muito simétrico e expressão quase cinematográfica, um exagero típico de modelos de IA;'. O segundo diz: 'A iluminação e as sombras da imagem são inconsistentes;'. O terceiro diz: 'A pele tem textura artificial e a posição da cabeça do bebê também é incomum;'. O quarto diz: 'Algumas dobras do tecido da roupa do bebê não seguem uma lógica física.'. No canto inferior direito da imagem há um pequeno logotipo preto com as letras 'af'.

Aos Fatos não encontrou informações sobre um ocorrido similar na imprensa local. As operações de resgate realizadas após os terremotos de fato já localizaram tanto bebês quanto cães sobreviventes em áreas atingidas, mas não há casos em que ambos foram resgatados simultaneamente.

O mais próximo foi o caso de uma adolescente de 15 anos e seu cachorro, encontrados com vida em meio a escombros por equipes de resgate enviadas por El Salvador.

As peças também circulam junto a um texto que credita o suposto retrato ao fotógrafo Reinier Nápoles. Uma busca simples no Google mostra que os únicos registros deste nome estão acompanhados da imagem manipulada.

A foto circulou em diversas línguas, indicando uma onda de desinformação global sobre os tremores, e também foi desmentida pelas agências de checagem espanholas Maldita e Newtral.

Na noite de quarta-feira (24), a costa norte da Venezuela foi atingida por dois dos maiores terremotos registrados no país em mais de um século. As operações de resgate atuam em áreas colapsadas na busca por sobreviventes e vítimas soterradas, mas são dificultadas pela extensão dos danos causados pelos tremores.

Segundo autoridades venezuelanas, milhares de pessoas foram deslocadas e operações de busca contam com apoio nacional e internacional, inclusive com equipes enviadas pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Até o momento há ao menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o governo venezuelano. As Nações Unidas estimam que ao menos 50 mil pessoas estão desaparecidas.

Desde o início dos tremores, Aos Fatos já desmentiu uma série de outras alegações relacionadas ao desastre, como um vídeo gerado por IA que supostamente mostrava o desabamento de dois prédios e um falso alerta de ‘megaterremoto’ no Brasil em setembro.

O caminho da apuração

Aos Fatos submeteu o vídeo à análise das ferramentas verificadoras de inteligência artificial da OpenAI, que identificou que a imagem foi gerada por modelos da empresa.

A reportagem também analisou a imagem para encontrar indícios de manipulação digital.

A checagem foi complementada com informações da imprensa.

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